O preço da gasolina comum em Guarapuava tem apresentado variações entre os postos de combustíveis nos últimos dias. Levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizado entre 1º e 7 de março, em 14 postos da cidade, apontou preço médio de R$ 5,98 por litro, com valores que variam de R$ 5,39 a R$ 6,49. Já uma consulta mais recente ao aplicativo Menor Preço, do Governo do Paraná, nesta terça-feira (10), mostra que atualmente o litro da gasolina comum pode ser encontrado entre R$ 5,57 e R$ 6,49 em Guarapuava, uma diferença de 92 centavos entre estabelecimentos.
A variação ocorre em meio a repasses de preços feitos pelas distribuidoras, apontados pelo Paranapetro, e também a um cenário internacional de alta do petróleo, que voltou a ultrapassar US$ 100 por barril devido às tensões no Oriente Médio, fatores que podem influenciar o mercado de combustíveis no país.
Ontem (9), a reportagem do Atento News percorreu cinco postos de combustíveis em Guarapuava para acompanhar de perto os preços da gasolina comum nas placas de cada estabelecimento, que mostram a variação de valores entre diferentes pontos da cidade. Durante a apuração, a equipe conversou com motoristas para entender como a oscilação dos preços da gasolina comum tem afetado o dia a dia de quem depende do carro para trabalhar ou se deslocar pela cidade.

Difícil encher o tanque
Para quem utiliza o veículo diariamente, o impacto no orçamento já é perceptível. A vendedora Cleusa Rolaki, por exemplo, afirma que a situação não é fácil para quem depende do automóvel.
“Não está fácil para quem depende do automóvel. Então é bem complicado, mas infelizmente a gente tem que encarar”, conta.
Cleusa explica que usa o carro para diferentes atividades, inclusive para cuidar de familiares, o que aumenta o consumo de combustível. Na hora de abastecer, a solução tem sido colocar apenas o necessário.
“Encher o tanque hoje não é fácil. Por enquanto é só uma esticadinha”, comenta.

Motorista de Florianópolis aproveitou preço mais baixo
Em alguns casos, os preços encontrados em Guarapuava ainda são considerados relativamente mais baixos quando comparados a outras cidades.
O publicitário Marcos Kaiber, de Florianópolis, disse que decidiu abastecer após ver o valor praticado em um dos postos.
“Eu sou de Florianópolis e estou passando uns dias aqui. Vi que o preço estava bom e resolvi abastecer”, afirma.
Segundo ele, em comparação com os valores praticados na capital catarinense, a gasolina encontrada em Guarapuava ainda pode ser mais vantajosa.
“Em vista do que eu vejo lá em Florianópolis, o preço aqui está melhor”, diz.
Para ele, muitos motoristas aproveitam quando encontram preços menores.
“Aproveitar para deixar o tanque cheio e já fazer uma parada só”, explica.

Motoristas procuram postos mais baratos
A diferença de valores entre os postos também tem feito muitos consumidores pesquisarem antes de abastecer.
O técnico em edificações Rodrigo Kruguer afirma que tem buscado sempre os preços mais baixos.
“Estamos tendo uma oscilação muito grande aqui em Guarapuava. Por isso estou procurando o preço mais baixo”, comenta.
Segundo ele, a variação gera incerteza entre os motoristas.
“É uma incógnita. A gente não sabe se vai aumentar ou diminuir. Então vamos colocando combustível aos poucos, conforme vai entrando dinheiro”, relata.

Levantamento da ANP mostra média de R$ 5,98
De acordo com o levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizado entre os dias 1º e 7 deste mês, foram pesquisados 14 postos de combustíveis em Guarapuava.
Os valores encontrados para a gasolina comum foram:
- Preço médio: R$ 5,98
- Preço mínimo: R$ 5,39
- Preço máximo: R$ 6,49
Como o estudo da ANP é realizado semanalmente, esses são os dados mais atualizados do levantamento oficial.
Aplicativo mostra preços atuais na cidade
Já o aplicativo Menor Preço, do Governo do Paraná, permite acompanhar os valores atualizados praticados nos postos.
Quando a reportagem percorreu os postos de combustíveis em Guarapuava, na segunda-feira (9), o menor preço encontrado para o litro da gasolina comum foi de R$ 5,57, enquanto o maior chegou a R$ 6,49.
Nesta terça-feira (10), os valores registrados no aplicativo não apresentaram alteração.
Distribuidoras repassam altas aos postos
Na última quinta-feira (5), o Paranapetro — Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Paraná — divulgou nota alertando que distribuidoras têm repassado aumentos recentes aos postos em todo o estado.
Segundo a entidade, o movimento ocorre devido ao uso de combustíveis importados e às oscilações do mercado internacional.
“As distribuidoras de combustíveis estão repassando altas expressivas de preços para os postos em todo o Paraná.”
“Alegando a utilização de combustíveis importados em seus estoques e a elevação de preços no mercado internacional, as companhias de distribuição têm repassado seguidas altas aos postos nos últimos dias, tanto no diesel como na gasolina.”
“Como os postos são obrigados a comprar gasolina e diesel das distribuidoras, a dimensão e a velocidade destes repasses depende destas companhias de distribuição.”
“As distribuidoras costumam repassar as altas com grande agilidade para os postos. Já no caso das baixas, demoram ou não repassam na íntegra.”

Cenário internacional também pressiona preços
O cenário internacional também ajuda a explicar as oscilações no mercado de combustíveis.
Desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, no Oriente Médio, o preço do petróleo ultrapassou US$ 100 por barril, atingindo o maior nível desde 2022, quando começou o conflito entre Rússia e Ucrânia.
A alta ocorre em meio às tensões em regiões estratégicas para a produção e o transporte de petróleo, como o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de exportação da commodity.
Mesmo com o aumento do petróleo, especialistas apontam que os impactos nos combustíveis no Brasil nem sempre ocorrem de forma imediata, pois a política atual de preços da Petrobras permite amortecer parte das oscilações internacionais no curto prazo.
Ainda assim, se o petróleo permanecer elevado por muito tempo, novos reajustes podem ocorrer, afetando o valor pago pelos motoristas nas bombas.