O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) segue analisando os estragos provocados pelo temporal registrado nesta semana na região Centro-Sul do Estado. Após realizar o mapeamento da área atingida no interior de Turvo, a equipe técnica informou que ainda não é possível confirmar se o fenômeno foi, de fato, um tornado.
Segundo o órgão, a área afetada já foi percorrida, mas os dados coletados precisam passar por uma análise mais aprofundada antes que qualquer conclusão seja divulgada. Em mensagem encaminhada à imprensa nesta quinta-feira (2), o Simepar explicou que o trabalho de campo foi concluído em Turvo, porém a avaliação técnica ainda está em andamento.
“Realizamos o mapeamento da área atingida em Turvo, entretanto será necessária uma análise mais aprofundada dos dados desse mapeamento para uma conclusão definitiva. Ainda não temos essa resposta.”
Ainda conforme o Simepar, o levantamento não está restrito a Turvo. Nesta quinta-feira, as equipes seguiram para os municípios de Laranjeiras do Sul e Rio Bonito do Iguaçu, que também registraram ocorrências relacionadas às fortes chuvas. O órgão informou que o trabalho faz parte de um mapeamento regional e que novas informações serão divulgadas conforme as análises forem sendo concluídas.
O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná também destacou que o processo exige cautela e que os resultados somente serão apresentados após o retorno dos profissionais e a avaliação completa do material coletado. “Não temos nenhuma classificação ainda. Teremos que analisar o mapeamento realizado quando voltarmos para Curitiba.”
O que muda se um tornado for confirmado?
Diante da expectativa em torno do resultado da análise técnica, a reportagem questionou quais seriam os efeitos práticos caso o Simepar confirme que o fenômeno registrado em Turvo foi realmente um tornado.
A resposta foi encaminhada pela Defesa Civil, que explicou que a principal mudança ocorre no registro oficial da ocorrência.
Segundo o órgão, após a confirmação técnica do Simepar, o município poderá alterar a classificação do evento no Cobrade — sistema nacional utilizado para registrar desastres — passando de vendaval para tornado.
A Defesa Civil esclareceu que essa alteração, por si só, não muda automaticamente o atendimento às famílias atingidas. A classificação passa a integrar o banco de dados oficial sobre desastres naturais no país e serve como registro do fenômeno ocorrido.
Eventuais medidas de apoio continuam dependendo da gravidade dos danos registrados em cada município. Conforme a Defesa Civil, a partir da ocorrência oficialmente classificada, o município pode solicitar ajuda humanitária ou dar continuidade aos procedimentos para decretos de situação de emergência, caso os prejuízos justifiquem essas medidas.
O Simepar também respondeu à reportagem sobre a importância dessa confirmação técnica. Segundo o órgão, identificar corretamente um tornado vai muito além da classificação do evento e tem impacto direto na produção de conhecimento científico.
De acordo com o instituto, somente a confirmação técnica permite documentar oficialmente a ocorrência e compreender, ao longo dos anos, se esse tipo de fenômeno está se tornando mais frequente em determinada região, quais locais apresentam maior recorrência e quais características esses eventos costumam apresentar.
O órgão destaca que, na meteorologia, hipóteses não substituem evidências técnicas. Por isso, cada ocorrência precisa ser analisada e confirmada antes de integrar os registros científicos utilizados em pesquisas e estudos sobre eventos extremos.
O Simepar também ressalta que tornados são apenas um dos fenômenos capazes de provocar grandes estragos. Vendavais e outras tempestades severas, mais comuns no Paraná, também podem causar danos significativos e igualmente precisam ser monitorados e estudados.
Segundo o instituto, o conjunto dessas informações técnicas pode subsidiar políticas públicas no futuro. No entanto, a definição de ações, investimentos e estratégias cabe aos gestores públicos, que utilizam esse conhecimento científico como base para a tomada de decisões.
Imagens registraram fenômeno em Turvo
As imagens que passaram a circular nas redes sociais e entre moradores foram registradas na terça-feira à tarde, no interior de Turvo, durante a passagem do temporal.
Os vídeos mostram uma intensa movimentação atmosférica e levantaram a suspeita de que um tornado pudesse ter atingido a região. No entanto, até o momento, o Simepar reforça que não existe confirmação oficial sobre a classificação do fenômeno.
Municípios atendem moradores atingidos
Enquanto os levantamentos seguem sendo realizados, as prefeituras dos municípios afetados iniciaram ações para atender as famílias que sofreram prejuízos.
Laranjeiras do Sul
A Prefeitura orienta que moradores que tiveram danos em residências ou propriedades em decorrência das fortes chuvas procurem a Secretaria de Obras e Urbanismo para solicitar atendimento e orientações.
Os contatos disponibilizados pelo município são:
- WhatsApp: (42) 3635-8115
- Telefone: (42) 3635-8124
Segundo a administração municipal, as equipes permanecem à disposição para prestar suporte à população atingida.
Rio Bonito do Iguaçu
Em Rio Bonito do Iguaçu, a Prefeitura informou que moradores atingidos pelas fortes chuvas devem procurar o Setor de Habitação, localizado no Prédio do Viola, junto à Prefeitura Municipal, para solicitar auxílio.
Além disso, foi organizado um Centro de Distribuição de Doações, instalado no Centro de Eventos, às margens da BR-158. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h30 e das 13h às 16h.
Cada família pode retirar doações a cada 15 dias, mediante apresentação de documento pessoal e comprovante de residência. No local estão sendo distribuídas cestas básicas, produtos de higiene e produtos de limpeza.