Anúncios em pausas para hidratação podem render mais de US$ 1 bilhão e devem permanecer no futebol

Intervalos para hidratação durante a Copa do Mundo de 2026 abriram uma nova fonte de receita para emissoras de televisão, apesar das críticas de torcedores, jogadores e treinadores.
Anúncios durante as pausas para hidratação da Copa do Mundo podem render mais de US$ 1 bilhão. Foto Ilustrativa
Anúncios durante as pausas para hidratação da Copa do Mundo podem render mais de US$ 1 bilhão. Foto Ilustrativa

As pausas obrigatórias para hidratação durante a Copa do Mundo de 2026 podem ter se transformado em uma das maiores oportunidades comerciais da história do futebol. Segundo reportagem publicada pela BBC, os intervalos criados para preservar a saúde dos jogadores também passaram a representar uma nova fonte de receitas publicitárias que pode ultrapassar US$ 1 bilhão em todo o mundo.

De acordo com a publicação, cada pausa para hidratação gera até oito novos espaços comerciais de 30 segundos por partida. Ao longo de toda a competição, isso representa 832 inserções publicitárias adicionais para cada emissora que opta por vender esse tempo.

Somente nos Estados Unidos, onde a Fox Sports comercializa os intervalos durante as transmissões, especialistas ouvidos pela BBC estimam que os anúncios exibidos nas pausas para hidratação possam gerar mais de US$ 250 milhões em receitas.

Os valores variam conforme a importância das partidas. Ainda segundo a reportagem, um comercial de 30 segundos durante a Copa do Mundo custa entre US$ 200 mil e US$ 300 mil na programação da Fox Sports, podendo chegar a US$ 750 mil durante jogos da seleção dos Estados Unidos e nas fases decisivas do torneio.

Torcedores criticam interrupções

Embora representem uma importante fonte de arrecadação para emissoras e, indiretamente, valorizem os direitos de transmissão da Copa do Mundo, as pausas para hidratação têm provocado reações negativas nos estádios.

Segundo a BBC, as interrupções quebram o ritmo das partidas, geraram críticas de técnicos e jogadores e passaram a ser alvo de vaias em diversos jogos da competição.

A Federação Internacional de Futebol (FIFA), por sua vez, afirma que as pausas foram adotadas para proteger a saúde dos atletas diante das altas temperaturas registradas em parte das sedes da Copa do Mundo realizada na América do Norte.

Como funcionam os intervalos

A reportagem explica que os anúncios podem começar cerca de 20 segundos após o árbitro autorizar a pausa para hidratação e precisam terminar aproximadamente 30 segundos antes do reinício da partida.

Enquanto emissoras britânicas, como BBC e ITV, praticamente não utilizam esse período para publicidade devido às regras locais de transmissão, em diversos outros mercados os intervalos comerciais passaram a fazer parte das transmissões.

Segundo a BBC, além dos Estados Unidos, anúncios durante as pausas para hidratação também são exibidos em países como México, Canadá, França, Alemanha, Itália, Espanha, China, Japão, Índia, Austrália, o próprio Brasil, e em mercados do Oriente Médio e da África Subsaariana.

A emissora americana Telemundo é uma das exceções citadas pela reportagem. O canal optou por manter as imagens dos jogadores e dos torcedores durante as pausas, sem interromper a transmissão para exibir comerciais.

Receita pode superar US$ 1 bilhão

Especialistas ouvidos pela BBC avaliam que, considerando todos os mercados internacionais, a receita gerada pelos anúncios durante as pausas para hidratação pode ultrapassar US$ 1 bilhão.

Para os analistas, essa nova fonte de arrecadação tende a aumentar o valor dos direitos de transmissão das próximas Copas do Mundo, já que amplia as possibilidades comerciais das emissoras.

A reportagem também destaca que a FIFA ainda não confirmou se as pausas para hidratação serão mantidas nas próximas edições do torneio. No entanto, especialistas acreditam que a tendência é de continuidade, especialmente diante da realização da Copa do Mundo de 2030 em países com verões de temperaturas elevadas.

Tendência para torneios da FIFA

Economistas e especialistas em mídia esportiva entrevistados pela BBC afirmam que as pausas para hidratação dificilmente deixarão de existir nas competições organizadas pela FIFA.

Por outro lado, a adoção do modelo em campeonatos nacionais e em torneios organizados pela UEFA é considerada improvável.

Segundo a reportagem, a Premier League enfrentaria restrições regulatórias no Reino Unido e uma provável reação negativa dos torcedores. Já a UEFA informou à BBC que não pretende alterar as regras atuais para competições como a Liga dos Campeões e a Eurocopa de 2028.

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