O caso registrado nesta semana em Pitanga, na região central do Paraná, chamou a atenção para a importância de um gesto simples que pode salvar vidas. Na última segunda-feira (3), uma mulher de 28 anos conseguiu pedir ajuda utilizando o sinal internacional de socorro enquanto caminhava ao lado do ex-companheiro, que a havia agredido.
O gesto foi percebido por pessoas que passavam de carro, que acionaram a Polícia Militar. A ação resultou na prisão em flagrante do agressor.
O episódio demonstra a importância da divulgação do sinal internacional de socorro contra a violência doméstica, criado para permitir que vítimas peçam ajuda de forma silenciosa, sem despertar a atenção do agressor.
Como funciona o gesto
Criado pela Canadian Women’s Foundation em 2020, o sinal internacional de socorro consiste em:
- mostrar a palma da mão aberta;
- dobrar o polegar para dentro da palma;
- fechar os demais dedos sobre o polegar.
Reconhecido internacionalmente, o gesto é utilizado como um pedido silencioso de ajuda em situações de violência e pode ser feito em locais públicos, permitindo que outras pessoas identifiquem a necessidade de socorro.
O que fazer ao identificar o sinal
As orientações divulgadas pelos órgãos de segurança são para que a pessoa aja com cautela.
Se o ambiente oferecer segurança, a recomendação é tentar abordar a vítima e afastá-la do agressor.
Caso isso não seja possível ou haja risco para quem presencia a situação, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190.

Já as mulheres que estejam vivendo situações de violência também podem procurar diretamente uma delegacia ou ligar para a Polícia Militar.
Casos que não estejam acontecendo naquele momento também podem ser denunciados de forma anônima pelos telefones 181 ou 197, da Polícia Civil.
Segundo as orientações, denúncias feitas por familiares, vizinhos, amigos ou conhecidos são fundamentais para interromper o ciclo da violência e proteger as vítimas.
Programas de apoio às mulheres
Além do atendimento policial, a Secretaria de Segurança Pública mantém programas voltados ao enfrentamento da violência contra a mulher.
Entre eles estão palestras educativas destinadas a mulheres e homens sobre violência de gênero, direitos das mulheres e funcionamento da rede de proteção.

Desde 2023, foram realizadas mais de 4,2 mil palestras, alcançando quase 330 mil pessoas em 399 municípios do Paraná.
Somente no primeiro semestre de 2026, foram promovidas mais de 1.300 palestras, com público superior a 104 mil pessoas, em escolas, empresas, associações de bairro e outros espaços comunitários.
Aplicativo Salve Maria e monitoramento eletrônico
No Paraná, mulheres em situação de violência doméstica que possuem medida protetiva podem contar com o aplicativo Salve Maria, desenvolvido pela Polícia Militar.
A ferramenta funciona como um botão de pânico, permitindo o acionamento rápido da polícia em situações de ameaça.
Outro recurso disponível é o sistema de monitoração simultânea, utilizado quando o agressor faz uso de tornozeleira eletrônica.
O sistema acompanha, ao mesmo tempo, a localização do agressor e da vítima. Caso o homem ultrapasse o limite estabelecido pela Justiça, a mulher recebe um alerta para buscar proteção, o agressor também é avisado e, caso continue se aproximando, a Polícia Militar é acionada automaticamente.
Lei Maria da Penha completa 20 anos
Em 2026, a Lei Maria da Penha completa 20 anos.
Criada pela Lei nº 11.340, a legislação foi sancionada em 7 de agosto de 2006 e recebeu esse nome em homenagem à farmacêutica cearense Maria da Penha Maia Fernandes, vítima de duas tentativas de homicídio praticadas pelo marido em 1983.
A dificuldade enfrentada por Maria da Penha para obter justiça tornou-se símbolo da luta pelos direitos das mulheres e motivou a criação da principal legislação brasileira de combate à violência doméstica.
Patrulha Maria da Penha reforça proteção às vítimas
Um dos principais instrumentos utilizados no Paraná para garantir a efetividade da Lei Maria da Penha é a Patrulha Maria da Penha, da Polícia Militar do Paraná (PMPR).
Entre junho de 2025 e junho de 2026, o serviço realizou mais de 120 mil visitas preventivas a mulheres protegidas por medidas judiciais.

A Patrulha passa a atuar após o registro da ocorrência e a concessão da Medida Protetiva de Urgência (MPU), realizando visitas periódicas, orientando as vítimas, avaliando o nível de risco e fiscalizando o cumprimento das determinações judiciais.
Segundo a chefe da Coordenadoria da Patrulha Maria da Penha da PMPR, major Carolina Pauleto Ferraz Zancan, a legislação representa um importante marco na proteção das mulheres.
“A Lei Maria da Penha representa um marco na proteção das mulheres, mas sua efetividade depende da atuação conjunta das instituições e da confiança da vítima em buscar ajuda. A Patrulha existe para transformar essa proteção jurídica em segurança no dia a dia.”

As equipes também orientam as mulheres para que comuniquem imediatamente qualquer descumprimento da medida protetiva, incluindo aproximação do agressor, contatos realizados por terceiros e até mensagens enviadas de forma indireta, inclusive por meio de transferências via Pix.
Quando o descumprimento é confirmado, o agressor é encaminhado à delegacia, conforme determina a legislação.
Além das visitas, a Patrulha Maria da Penha também promove palestras e ações educativas em escolas, universidades, empresas e instituições públicas, levando informações sobre prevenção da violência doméstica, direitos das mulheres e formas de buscar ajuda.