Agosto Lilás: secretária Laura Vasconcelos alerta para violência psicológica e orienta mulheres a buscar ajuda em Guarapuava

Em entrevista ao Atento News, Laura Maria Vasconcelos destacou que a violência contra a mulher nem sempre deixa marcas físicas e explicou que o Centro de Referência da Mulher Brasileira Tatiane Spitzer oferece orientação e acolhimento mesmo sem boletim de ocorrência ou medida protetiva.
Secretária Laura Maria Vasconcelos durante entrevista sobre o Agosto Lilás e a prevenção à violência contra a mulher em Guarapuava
Secretária Laura Maria Vasconcelos durante entrevista sobre o Agosto Lilás e a prevenção à violência contra a mulher em Guarapuava.

A violência contra a mulher nem sempre começa com uma agressão física e também pode acontecer por meio de humilhações, isolamento e outras formas de violência psicológica. O alerta é da secretária de Políticas Públicas para as Mulheres de Guarapuava, Laura Maria Vasconcelos, em entrevista ao Atento News nesta sexta-feira (14). Durante a conversa sobre o Agosto Lilás, ela falou sobre a importância de reconhecer os sinais de violência, procurar orientação e envolver toda a sociedade na prevenção.

O Agosto Lilás é uma campanha nacional de conscientização e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres. O mês também marca o aniversário da Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006.

Em Guarapuava, a programação organizada pela Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres reúne palestras, rodas de conversa e atividades em diferentes locais ao longo de agosto.

Para Laura, a campanha ajuda a ampliar um assunto que precisa ser discutido durante todo o ano. “A violência contra a mulher não é só um papel da Prefeitura, da Secretaria da Mulher, mas sim de toda a sociedade, todo o Estado”, afirmou.

Violência não é apenas agressão física

Um dos principais pontos abordados pela secretária foi a necessidade de reconhecer outras formas de violência. Segundo Laura, ainda existe a ideia de associar uma mulher vítima de violência apenas àquela que apresenta ferimentos ou marcas visíveis de agressão. Ela destaca, porém, que a violência pode acontecer de outras maneiras e chama atenção especialmente para a psicológica.

A secretária explica que situações de humilhação podem fazer parte desse processo, assim como falas que tentam convencer a mulher de que ela não conseguirá ser independente ou seguir a vida sem o companheiro.

Outro comportamento citado é o afastamento da vítima de familiares e amigos. Segundo Laura, esse isolamento pode distanciar justamente as pessoas que poderiam perceber mudanças no comportamento da mulher e identificar que algo está acontecendo.

“A mulher que sofre violência não precisa estar com o olho roxo, não precisa necessariamente de atendimento hospitalar. Não é só esse tipo de violência que existe. Existem vários outros tipos”, explicou.

A secretária também chamou atenção para os efeitos da violência psicológica. Segundo ela, em algumas situações, a própria vítima pode passar a acreditar que tem culpa pelo que está vivendo.

Conversas com adolescentes fazem parte da prevenção

A programação do Agosto Lilás em Guarapuava também chega às escolas. Nos dias 17, 18 e 19 de agosto, estão previstas rodas de conversa com adolescentes do Colégio Estadual Liane Marta da Costa, no Boqueirão. Durante a entrevista, Laura destacou a importância de conversar sobre violência desde cedo, tanto com meninas quanto com meninos.

A intenção é fazer com que crianças e adolescentes entendam que agressões, humilhações e outras formas de violência não devem ser tratadas como comportamentos normais dentro de um relacionamento. “A gente precisa trabalhar com os meninos, com as meninas também, nessa conscientização, para que a gente consiga enxergar um futuro mais promissor em relação a esse tema”, afirmou.

Secretaria aposta em ações diretamente nas comunidades

Em vez de concentrar o Agosto Lilás em um único grande evento, a Secretaria da Mulher tem levado as atividades para escolas, empresas, instituições e outros espaços. Laura explicou que essa estratégia permite alcançar pessoas que provavelmente não procurariam espontaneamente uma palestra ou evento específico sobre violência contra a mulher.

Segundo ela, quando as atividades são realizadas diretamente nesses locais, a informação chega a públicos diferentes daqueles que já estão envolvidos ou sensibilizados com o assunto.

Nesta sexta-feira (14), por exemplo, a programação prevê uma palestra sobre a Lei Maria da Penha na Associação dos Deficientes Físicos de Guarapuava (ADFG).

Nos próximos dias, também estão previstas atividades no Colégio Estadual Liane Marta da Costa, CRAS I, Paraná em Ação, CooperAliança e no 17º Encontro Estadual de Mulheres e Diversidades de Gênero.

Mulher pode procurar orientação mesmo sem boletim de ocorrência

Além da prevenção, a secretária reforçou durante a entrevista onde uma mulher pode procurar ajuda em Guarapuava. O município conta com o Centro de Referência da Mulher Brasileira Tatiane Spitzer, que possui uma equipe preparada para receber mulheres que estejam enfrentando situações de violência ou tenham dúvidas sobre o próprio relacionamento.

Laura ressaltou que a mulher não precisa chegar ao local já reconhecendo que é vítima de violência. Segundo ela, se houver alguma situação dentro do relacionamento que pareça estranha ou diferente, a orientação é procurar a equipe para conversar e entender o que está acontecendo.

“Venha e busque orientação. Converse. Venha conversar com a nossa equipe. Ela vai ser atendida sem julgamento.”

A secretária destacou ainda que não é necessário ter boletim de ocorrência ou medida protetiva para buscar esse primeiro atendimento e orientação. O Centro de Referência da Mulher Brasileira Tatiane Spitzer fica na região da Praça Santa Terezinha, em Guarapuava.

Confira as próximas ações do Agosto Lilás

14 de agosto, às 13h30
Palestra sobre a Lei Maria da Penha na Associação dos Deficientes Físicos de Guarapuava (ADFG), na Rua Minas Gerais, 275, Bonsucesso.

17, 18 e 19 de agosto, às 8h30
Rodas de conversa com adolescentes do Colégio Estadual Liane Marta da Costa, na Rua Francisco de Assis, 290, Boqueirão.

18 de agosto, às 13h30
Roda de conversa com o grupo de mulheres do CRAS I, na Rua Corumbá, 452, Industrial.

20, 21 e 22 de agosto, das 9h às 17h
Participação no Paraná em Ação, no Ginásio Joaquim Prestes.

26 de agosto, às 15h30
Palestra no evento “Agosto Lilás: Cooperando pelo Respeito”, da CooperAliança, em Entre Rios, Colônia Samambaia.

27 de agosto
Evento da Rede, com horário ainda a confirmar.

28 de agosto, às 13h30
Palestra no 17º Encontro Estadual de Mulheres e Diversidades de Gênero, promovido pelo Sindicato dos Correios do Paraná, no Espaço Vale do Jordão.

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