O fortalecimento do El Niño deve provocar chuva acima da média em todas as regiões do Paraná até dezembro. Segundo o Simepar, o cenário também aumenta a possibilidade de tempestades, chuvas intensas, inundações e enxurradas durante a primavera.
As áreas com maior volume de chuva previsto são o Oeste, o Sudoeste e o Centro-Sul. A influência do fenômeno sobre o clima paranaense deve continuar até o primeiro trimestre de 2027.
Fenômeno pode atingir intensidade muito forte
O El Niño atua desde junho no Oceano Pacífico Equatorial. Dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicam que o aquecimento das águas se intensificou.
A região central do Pacífico monitorada pelos meteorologistas chegou a registrar temperatura 1,8°C acima da média. A previsão aponta mais de 90% de probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro.
A expressão “super El Niño” é utilizada quando a temperatura da superfície do mar supera em mais de 2°C a média histórica. Esse patamar foi registrado somente quatro vezes em aproximadamente 150 anos. Os modelos indicam que 2026 pode se tornar o quinto episódio dessa intensidade.
Agosto teve chuva e calor acima da média
O balanço de agosto divulgado pelo Simepar mostra que as tempestades dos últimos dias do mês elevaram os volumes de chuva em grande parte do Paraná.
Das 47 estações meteorológicas com mais de cinco anos de funcionamento, somente Cianorte, Maringá e Apucarana registraram chuva abaixo da média.
Fazenda Rio Grande, Laranjeiras do Sul e o Distrito de Horizonte, em Palmas, tiveram os maiores volumes para agosto desde a instalação das estações. Também houve granizo em diferentes municípios e rajadas de vento que ultrapassaram 90 km/h.
Em Piraí do Sul, um tornado ocorrido em 8 de agosto foi classificado como F3 na Escala Fujita. A trajetória de destruição teve pelo menos 17,3 quilômetros.
As temperaturas ficaram acima da média em todas as estações do Simepar. A maior registrada no estado foi de 36,7°C, em Capanema, no dia 17. Apesar do calor, o Centro-Sul também teve episódios de geada, e Palmas registrou 0,7°C no dia 23.
Municípios reforçam preparação
A Defesa Civil intensificou as orientações aos municípios diante da previsão de chuva acima da média. Até o momento, 243 prefeituras realizaram alguma ação preventiva, como limpeza de bueiros e galerias, desassoreamento de rios, reuniões ou simulados.
O excesso de chuva pode reduzir áreas de seca e beneficiar algumas culturas agrícolas. Por outro lado, a umidade elevada pode afetar o plantio e a colheita, favorecer doenças fúngicas, comprometer a qualidade dos grãos e aumentar a erosão do solo.
O Simepar ressalta que os efeitos não ocorrem da mesma maneira em todas as regiões. Por isso, o acompanhamento diário das previsões é necessário para identificar quando e onde os episódios mais intensos poderão acontecer.