Um recém-nascido morreu após o parto ocorrido dentro de uma residência na localidade de Pitanguinha, em Pitanga, na manhã do último domingo (6). O bebê foi encontrado no banheiro da casa e chegou a receber manobras de reanimação, mas morreu no local. A Polícia Militar (PM) foi chamada pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e, durante a ocorrência, ouviu familiares para entender o que havia acontecido antes e depois do nascimento.
O atendimento começou por volta das 11h50. Segundo o boletim da PM, o Samu pediu apoio porque o pai da criança estaria alterado e impedindo que o recém-nascido fosse levado ao hospital.
Quando os policiais chegaram à residência, o bebê estava sem roupas, sobre um pano no banheiro e próximo a uma vela acesa. Os socorristas tentaram reanimá-lo, mas não tiveram sucesso.
Conforme o registro policial, a criança apresentava coloração arroxeada, extremidades frias e o cordão umbilical estava rompido ou dilacerado. Após a confirmação da morte, a Polícia Civil, a Perícia Criminal e o Instituto Médico Legal (IML) foram acionados.
Pai disse que não sabia da gravidez
Ao explicar aos policiais o que havia acontecido, o pai afirmou que desconfiava que a companheira pudesse estar grávida por causa do tamanho da barriga, mas que ela negava a gestação.
Segundo ele, naquele dia ouviu a mulher pedir ajuda no banheiro e a levou até a cama. Depois, ao perceber que o volume da barriga dela havia diminuído, retornou ao banheiro e encontrou o recém-nascido atrás do vaso sanitário.
O homem relatou ainda que a companheira teria dito que sentiu dores, sem perceber que estava em trabalho de parto, e que o bebê teria caído já sem vida.
Após encontrar a criança, ele chamou a própria mãe para ajudar. Durante o depoimento prestado ainda no local, entretanto, a PM registrou inconsistências nos horários informados pelo homem.
A mãe dele também conversou com os policiais. A avó paterna afirmou que há meses questionava a nora sobre uma possível gravidez. De acordo com o relato, a mulher negava estar grávida, recusava atendimento médico e reagia com irritação quando era questionada sobre o assunto.
Mulher foi levada ao hospital e também foi ouvida
A mãe do recém-nascido deixou a residência e foi levada ao hospital por uma conhecida.
Segundo o boletim, funcionários da unidade de saúde perguntaram à pessoa que realizou o transporte por que o bebê não havia sido levado junto. A PM registrou que, nesse momento, ela fez declarações de recusa e desdém.
Os policiais também foram ao hospital para ouvir a mulher sobre as circunstâncias do parto.
Ela afirmou que vivia em situação de isolamento e com restrições de liberdade impostas pelo companheiro. Também declarou que havia pedido a ele para ser levada ao hospital, mas que o homem se recusou.
Durante o atendimento, a PM registrou elementos que, segundo o boletim, contrariavam essa alegação. Os policiais apontaram que a mãe da mulher estava presente e que ela tinha acesso a aplicativo de mensagens, utilizado inclusive para pedir transporte.
O boletim também registra que os policiais consideraram fria a postura apresentada pela mulher diante da morte do recém-nascido.
Conselho Tutelar relatou denúncias anteriores
Durante a ocorrência, o Conselho Tutelar informou aos policiais que havia denúncias anteriores envolvendo a mãe do bebê por comportamento agressivo e negligência em relação a outros dois filhos menores.
Celulares foram apreendidos
Com a morte do recém-nascido e diante das informações reunidas durante o atendimento, o delegado da Polícia Civil responsável pelo caso determinou a apreensão dos celulares do casal.
Pai e mãe foram encaminhados à Delegacia de Polícia para as providências cabíveis.
O boletim da Polícia Militar disponibilizado para a imprensa não aponta a causa da morte do bebê, nem apresenta uma conclusão sobre as circunstâncias em que ela ocorreu.