Após eleição, Moro diz que vai barrar modelo de privatização da Celepar e reduzir secretarias

Governador eleito afirmou, em entrevistas concedidas nesta terça-feira (6), que pretende rever o processo da Celepar caso avance antes da troca de governo, exigir melhorias no fornecimento de energia e montar uma gestão “eminentemente técnica”. Moro também falou sobre transição, segurança, saúde, pedágios, relação com a Assembleia e apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Governador eleito do Paraná, Sergio Moro detalhou nesta terça-feira (6) medidas que pretende adotar na próxima gestão e falou sobre Celepar, Copel, secretarias e transição de governo. Foto: Divulgação
Governador eleito do Paraná, Sergio Moro detalhou nesta terça-feira (6) medidas que pretende adotar na próxima gestão e falou sobre Celepar, Copel, secretarias e transição de governo. Foto: Divulgação

Dois dias depois de ser eleito governador do Paraná no primeiro turno, Sergio Moro (PL) começou a detalhar como pretende estruturar a próxima gestão e elevou o tom em relação a decisões do atual governo. Em entrevistas concedidas nesta terça-feira (6), Moro afirmou que a privatização da Celepar “não deve ir adiante no atual formato”, prometeu cobrar um plano de investimentos da Copel, confirmou a intenção de reduzir o número de secretarias e disse que pretende iniciar o mandato com um cronograma de entregas para os primeiros 100 dias. Agora à tarde, em entrevista à Jovem Pan News, em rede nacional, o governador eleito também tratou da transição e da participação no segundo turno presidencial. Pela manhã, ele havia concedido entrevistas ao Jornal da Manhã Paraná, também da Jovem Pan News, em rede estadual, e à RIC TV.

As declarações ocorrem enquanto Moro prepara a equipe que fará a transição para o governo que assume em 2027. Segundo ele, o governador Ratinho Junior entrou em contato após a eleição, parabenizou-o pela vitória e se colocou à disposição para organizar a passagem de governo.

Moro diz que privatização da Celepar não deve avançar no formato atual

Uma das declarações de maior repercussão desta terça-feira foi sobre a Celepar. Questionado sobre o processo de privatização da companhia, Moro afirmou que não é contrário a privatizações, mas criticou a forma como o projeto foi estruturado.

“Isso não deve ir adiante no atual formato”, afirmou.

Segundo Moro, uma das principais preocupações está relacionada aos dados mantidos pela companhia, incluindo informações de cidadãos, empresas e da área de segurança pública. Na avaliação dele, essas questões deveriam ter recebido tratamento específico antes do avanço da privatização.

O governador eleito afirmou ainda que qualquer processo desse tipo precisa demonstrar ganho de eficiência e ser planejado de maneira detalhada.

“Qualquer privatização tem que ser muito bem estudada, muito bem planejada”, declarou.

Moro foi além e disse que, caso o processo avance ainda durante a atual administração, pretende revê-lo quando assumir o governo.

“Não vamos aceitar que seja feita uma privatização agora no apagar das luzes desse governo. Não vamos deixar isso acontecer”, afirmou.

A declaração não representa uma posição contrária a privatizações de maneira geral. O próprio governador eleito ressaltou que sua objeção é ao modelo adotado para a Celepar e às condições em que o processo foi estruturado.

Copel também entra na mira do governador eleito

Pela manhã, durante entrevista à RIC TV, Moro afirmou que não pretende rever a privatização da companhia, citando a necessidade de segurança jurídica. Ao mesmo tempo, fez críticas ao serviço prestado atualmente e disse que o próximo governo pretende cobrar mudanças.

“A Copel privatizada tem que entregar um serviço melhor do que antes, porque a privatização é para ganhar eficiência. Isso não aconteceu”, afirmou.

Moro disse que pretende se reunir com a direção da companhia e cobrar um plano robusto de investimentos, especialmente para enfrentar quedas no fornecimento e a demora no restabelecimento da energia.

Ele também declarou que pretende analisar, por meio da Procuradoria-Geral do Estado, situações em que consumidores busquem indenizações por prejuízos relacionados ao serviço da companhia.

Já em outra entrevista nesta terça-feira, ao comentar a Celepar, Moro voltou a mencionar a Copel e afirmou que considera o serviço atual de “má qualidade” para o Paraná e que pretende atuar para corrigir a situação.

Menos secretarias

Outro ponto confirmado por Moro é a intenção de enxugar a estrutura administrativa do Estado.

Segundo o governador eleito, atualmente são 24 secretarias, número que ele considera excessivo. Ainda não foi definido, porém, quantas pastas permanecerão.

A proposta é analisar a estrutura durante a transição e avaliar fusões, redistribuições de atribuições e a eliminação de estruturas consideradas desnecessárias.

“É uma reestruturação para buscar eficiência”, afirmou.

Moro argumenta que a redução da burocracia poderá liberar recursos para áreas como saúde, educação e infraestrutura.

Sobre a composição do primeiro escalão, afirmou que pretende montar um governo de perfil técnico. Como exemplos, disse que considera necessário ter um engenheiro à frente da Infraestrutura, um profissional da área médica ou da saúde na Saúde e alguém com experiência em segurança pública no comando do setor.

O governador eleito informou que já existem nomes em avaliação, mas que os anúncios serão feitos gradualmente.

Edson Vasconcelos pode assumir Infraestrutura

Moro também indicou um possível destino para o vice-governador eleito, Edson Vasconcelos (PL).

Questionado sobre a participação do vice na administração, afirmou que a tendência é que Vasconcelos ocupe uma secretaria e mencionou a Infraestrutura como possibilidade.

“Edson Vasconcelos é uma pessoa muito talentosa e a tendência, sim, é que ele ocupe uma secretaria dentro do governo, provavelmente de infraestrutura”, disse.

A definição, no entanto, ainda não foi apresentada como anúncio oficial da futura composição do secretariado.

Primeiros 100 dias terão cronograma de entregas

Moro confirmou ainda que pretende elaborar, durante a transição, um plano específico para os primeiros 100 dias da administração.

Segundo ele, haverá um cronograma de entregas a partir do início do mandato, embora tenha ponderado que parte das principais propostas dependerá de ações de médio e longo prazo.

Na saúde, uma das prioridades citadas é a chamada Tabela SUS Paranaense. A proposta apresentada por Moro prevê inicialmente um levantamento das principais demandas de saúde de cada região para direcionar complementações de pagamentos às áreas consideradas prioritárias.

Na segurança, ele voltou a defender forças-tarefa para combater organizações criminosas e maior integração entre Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e Polícia Científica.

A intenção, segundo Moro, é ampliar o compartilhamento de dados e inteligência e criar centros integrados para aproximar também as forças estaduais das guardas municipais.

Moro promete presença maior do Paraná em Brasília

A relação do futuro governo com a bancada federal também apareceu entre as prioridades.

Moro criticou o que considera uma falta de coordenação do atual governo estadual com deputados federais e senadores em debates nacionais que afetam diretamente o Paraná.

Segundo ele, sua administração pretende ter uma coordenação legislativa mais forte para fornecer informações à bancada sobre os impactos de projetos discutidos no Congresso.

O governador eleito citou ainda a proximidade com os senadores eleitos Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo), além de seu suplente no Senado, Luis Felipe Cunha, que deverá assumir a cadeira quando Moro deixar o mandato para governar o Paraná.

No caso de Deltan, Moro voltou a defender a validade dos votos recebidos pelo candidato e criticou decisões judiciais tomadas durante o processo eleitoral.

César Silvestri é citado como aliado na Assembleia

Ao falar sobre a futura relação com a Assembleia Legislativa do Paraná, Moro afirmou que pretende conversar com diferentes partidos para construir uma base parlamentar.

Ele citou inclusive deputados que não pertencem ao PL. Entre os nomes mencionados está César Silvestri (PP), eleito deputado estadual e ligado politicamente a Guarapuava.

Moro classificou César como aliado e lembrou que o parlamentar participou de sua campanha.

O governador eleito também afirmou que pretende manter uma relação de respeito com a Assembleia e disse considerar prematuro discutir quem comandará a Casa na próxima legislatura.

Sobre a possibilidade de aprovação de emendas impositivas ainda no fim do atual governo, Moro demonstrou resistência e disse considerar estranho que a discussão ocorra neste momento.

Pedágios terão plataforma para acompanhamento das obras

Durante a entrevista à RIC TV, Moro também voltou a apresentar uma proposta para acompanhar os contratos de pedágio.

Ele afirmou que pretende fortalecer a agência reguladora estadual e buscar a delegação de fiscalização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), para que o Estado acompanhe a execução das obras previstas nos contratos.

Também prometeu criar um “observatório digital dos pedágios”.

A ideia é disponibilizar uma plataforma na qual o cidadão possa consultar informações como tarifa cobrada, obras previstas e eventual atraso na execução.

Moro afirmou que pretende respeitar os contratos existentes, mas disse que o governo buscará negociar com as concessionárias nos locais onde considerar as tarifas muito elevadas, desde que qualquer mudança preserve a segurança jurídica.

Verão Maior e Nota Paraná devem continuar

Moro também sinalizou continuidade de programas existentes.

Questionado sobre o Verão Maior Paraná e os shows gratuitos realizados no Litoral, disse que não pretende interromper o projeto e reconheceu o impacto da programação sobre o turismo e a economia da região.

O governador eleito afirmou inclusive que o nome do programa poderá ser mantido.

Em relação ao Nota Paraná, disse que o programa continuará e afirmou que gostaria de estudar uma ampliação dos valores destinados a entidades das áreas social e de saúde. Segundo ele, qualquer alteração dependerá de análise fiscal.

Moro diz ser contrário ao aumento de impostos

A política tributária também foi abordada.

Moro afirmou ser contrário a aumento de impostos e disse que pretende, no médio e longo prazo, buscar redução da carga tributária estadual.

Questionado especificamente sobre a redução da alíquota do IPVA, afirmou que aumentar o imposto não está nos planos do futuro governo. Ao mesmo tempo, ressaltou que decisões tributárias precisarão respeitar o equilíbrio das contas públicas.

Transição começa após telefonema de Ratinho Junior

Moro afirmou que recebeu um telefonema de Ratinho Junior após a eleição. Segundo ele, a conversa foi cordial e o atual governador colocou sua administração à disposição para o processo de transição.

Cada lado deverá indicar uma equipe.

O governador eleito disse que participará pessoalmente do processo, embora outras pessoas devam assumir funções na condução dos trabalhos.

Ele também afirmou que pretende preservar obras e serviços em andamento e que divergências surgidas durante a campanha não deverão interferir na continuidade administrativa.

“Depois da eleição, a gente tem que olhar pra frente”, afirmou.

Moro disse ainda que pretende conversar com prefeitos independentemente de terem apoiado ou não sua candidatura.

Segundo turno presidencial será outra prioridade

Paralelamente à transição para o Governo do Paraná, Sergio Moro afirmou que continuará envolvido diretamente na campanha de Flávio Bolsonaro no segundo turno da disputa presidencial.

Em entrevista à Jovem Pan News nesta terça-feira (6), o governador eleito disse que a estratégia será identificar os municípios onde Flávio teve percentuais menores no primeiro turno e direcionar a atuação da campanha para essas regiões, levando em consideração também o número de eleitores. Curitiba foi citada por Moro como um dos locais onde vê espaço para ampliar a votação.

“Nós vamos atuar com muita incisividade. Queremos mapear os municípios, inclusive, em que a votação dele foi menor para focar nesses municípios”, afirmou.

Moro avaliou que, apesar do desempenho expressivo de Flávio Bolsonaro no Paraná no primeiro turno, ainda há margem para crescimento no Estado. Ele voltou a fazer críticas ao governo Lula e defendeu a eleição de Flávio.

Com isso, Moro deverá dividir as próximas semanas entre a organização da equipe que fará a transição para o Governo do Paraná e a participação na campanha presidencial de segundo turno.

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