EPR Iguaçu inicia estudos na Terra Indígena Rio das Cobras para avaliar impactos da BR-277 em Nova Laranjeiras

Levantamento vai analisar como a operação da rodovia interfere na rotina das 13 aldeias Guarani e Kaingang e definir possíveis medidas de segurança, ambientais e sociais. Em uma etapa posterior, estudo também avaliará os impactos previstos com a duplicação da BR-277.
Estudo vai avaliar a relação da BR-277 com as 13 aldeias da Terra Indígena Rio das Cobras, em Nova Laranjeiras. Foto: Divulgação/EPR Iguaçu
Estudo vai avaliar a relação da BR-277 com as 13 aldeias da Terra Indígena Rio das Cobras, em Nova Laranjeiras. Foto: Divulgação/EPR Iguaçu

A relação entre a BR-277 e as comunidades da Terra Indígena Rio das Cobras, em Nova Laranjeiras, começou a ser analisada em campo como parte do processo de licenciamento da rodovia. A EPR Iguaçu iniciou uma nova etapa dos Estudos do Componente Indígena (ECI), que deverá identificar possíveis impactos da operação da estrada sobre as 13 aldeias existentes no território e apontar medidas para prevenir, reduzir ou eliminar esses efeitos.

O trabalho ocorre após a aprovação do Plano de Trabalho que estabelece como os estudos serão realizados, incluindo metodologia, atividades, cronograma, profissionais envolvidos e produtos que deverão ser apresentados.

O documento foi discutido em reunião com representantes das comunidades indígenas, da concessionária, da consultoria responsável pelos levantamentos e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

Estudo vai avaliar relação das aldeias com a BR-277

A Terra Indígena Rio das Cobras reúne comunidades das etnias Guarani e Kaingang e está localizada na área de influência da BR-277, na região de Nova Laranjeiras e Laranjeiras do Sul.

Nesta primeira fase, profissionais especializados estão em campo para entender como a operação da rodovia se relaciona com o território e identificar situações que possam afetar as comunidades. Um dos pontos de atenção será a segurança viária.

A equipe inclui profissionais com experiência no trabalho com comunidades tradicionais, entre eles antropólogo e biólogo.

A partir desse diagnóstico, deverão ser definidas medidas para prevenir, minimizar ou eliminar eventuais impactos relacionados à rodovia. Dependendo do que for identificado, o estudo poderá resultar em ações emergenciais e na elaboração de programas ambientais e sociais.

Segundo a coordenadora de Sustentabilidade da EPR Iguaçu, Marília Simoni Dordete, a primeira etapa busca conhecer a realidade das comunidades antes da definição das ações.

“Esse é um trabalho que começa pela escuta e conhecimento da realidade das comunidades. O levantamento busca compreender como a operação da rodovia se relaciona com o território, identificar situações que demandem atenção e, a partir desse diagnóstico, construir as medidas necessárias”, afirmou.

A concessionária também informou que as comunidades poderão esclarecer dúvidas e acompanhar o desenvolvimento dos estudos.

Duplicação da BR-277 também será analisada

O trabalho não ficará restrito às condições atuais da rodovia. Em uma etapa posterior, o Estudo do Componente Indígena também deverá avaliar os possíveis impactos relacionados às obras de duplicação da BR-277.

Nessa fase, serão considerados aspectos culturais, sociais e ambientais, além da relação das comunidades com o território, seus modos de vida e a interação com a rodovia.

A previsão apresentada pela EPR Iguaçu é que os trabalhos de campo relacionados à duplicação sejam concluídos até o início de 2027.

Depois da elaboração dos estudos, os resultados serão avaliados pela Funai e apresentados às comunidades indígenas. Com a aprovação do diagnóstico, deverão ser desenvolvidos os programas e as medidas previstos para cada etapa do empreendimento.

De acordo com o diretor-executivo da concessionária, Silvio Caldas, a intenção é incorporar as características do território ao planejamento das intervenções.

“As comunidades indígenas fazem parte desse contexto e, por isso, o diálogo e a escuta precisam estar presentes desde as primeiras etapas dos estudos”, afirmou.

Rodovia já foi cenário de episódio envolvendo moradores da terra indígena

A discussão sobre a relação entre a BR-277 e as comunidades da Terra Indígena Rio das Cobras ocorre poucos meses depois de um episódio que ganhou repercussão na região.

Em agosto, um acidente envolvendo dois caminhões na BR-277, em Nova Laranjeiras, foi seguido pelo saque de parte de uma carga de eletrodomésticos. A situação terminou em confronto durante a atuação das forças de segurança e das equipes de socorro e provocou a interdição da rodovia durante várias horas.

Posteriormente, lideranças da Terra Indígena Rio das Cobras informaram que 30 indígenas apontados como envolvidos no saque foram detidos dentro da própria aldeia, receberam determinação para cumprir serviços comunitários e assinaram compromisso para não participar de novos episódios semelhantes.

Na ocasião, representantes da própria comunidade também se manifestaram publicamente contra a generalização da conduta dos envolvidos para os demais moradores da terra indígena.

A Polícia Civil havia aberto inquérito para investigar o episódio.

O caso de agosto não é apresentado pela EPR Iguaçu como motivo para a realização do Estudo do Componente Indígena. O ECI integra o processo de licenciamento da rodovia e abrange tanto sua operação atual quanto, posteriormente, as obras previstas de duplicação.

Concessão inclui trecho entre Prudentópolis e Foz do Iguaçu

A EPR Iguaçu administra 662 quilômetros de rodovias nas regiões Oeste e Sudoeste do Paraná.

Na BR-277, a concessão compreende o trecho entre Prudentópolis e Foz do Iguaçu. A empresa também é responsável pela BR-163, entre Cascavel e Realeza, e por trechos das rodovias estaduais PR-182, PR-483, PR-180, PR-280 e PR-158.

Em situações de emergência nas rodovias administradas pela concessionária, o atendimento pode ser solicitado gratuitamente pelo telefone e WhatsApp 0800 277 0163.

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