Venda do pinhão começa no Paraná e movimenta comércio às margens da BR-277, em Guarapuava

Liberação da safra atrai consumidores e garante renda para vendedores na região do Distrito do Guará.
redinhas com pinhão penduradas para venda às margens da BR-277 em Guarapuava
Pinhão é vendido em redinhas às margens da BR-277, em Guarapuava. Reprodução/ Atento News/ Cleo Ferreira

A safra do pinhão começou oficialmente no Paraná nesta quarta-feira (15) e já movimenta o comércio e a economia, especialmente em regiões produtoras como Guarapuava. Às margens da BR-277, no Distrito do Guará, o cenário é de barracas montadas, aumento no fluxo de veículos e consumidores parando para comprar o produto típico.

A principal mudança neste ano é no calendário. Até o ano passado, a liberação da colheita e venda acontecia no dia 1º de abril. Com a nova regra, o início passou para o dia 15, com o objetivo de evitar a retirada precoce da semente e garantir a qualidade do pinhão.

A atividade tem impacto direto na economia do Paraná. Em 2024, a produção de pinhão movimentou cerca de R$ 25,7 milhões, segundo dados oficiais. O produto gera renda para milhares de famílias, principalmente na região Centro-Sul do estado, onde estão municípios que lideram a produção, como Pinhão, Inácio Martins, Turvo, Guarapuava e Prudentópolis.

Na prática, o efeito é imediato. Nos primeiros dias de liberação, o movimento já cresce nas margens da rodovia. O vendedor Nelson José Pires, que trabalha há mais de 30 anos no local, afirma que esse é o período mais importante do ano. “O pinhão é o carro-chefe. Quando libera, é o que mais vende”, diz.

A venda acontece tanto do produto in natura quanto cozido, o que facilita o consumo para quem está viajando. “A turma prefere cozido porque já vai comendo na viagem”, completa.

Quem passa pela BR-277 também mantém a tradição de parar para comprar. O metalúrgico Edinaldo Soares conta que aproveitou a viagem para garantir o produto. “Eu parei aqui para levar para casa. Todo ano a gente faz isso”, afirma.

O supervisor comercial Pedro Raimundo Maciel destaca a importância da região na produção. “Guarapuava é referência no pinhão. Sempre que passo, levo para a família”, comenta.

Para quem vive da venda, o período é curto, mas decisivo. A vendedora Silvana da Silva Santos trabalha há 15 anos no local e relata que a safra faz diferença no orçamento. “É a melhor época para vender. Foi com o pinhão que eu consegui melhorar de vida”, diz.

Além do impacto econômico, o pinhão também carrega valor cultural no estado. Consumido principalmente nos meses mais frios, ele atrai moradores e turistas, reforçando uma tradição que se repete todos os anos nas estradas do Paraná.

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