Após assumir sozinha a propriedade, produtora de leite vê os filhos garantirem a continuidade da família no campo, em Prudentópolis

A morte do marido, em 2019, mudou a vida de Sandra Pastuch, mas não interrompeu a história construída pela família no interior de Prudentópolis. Hoje, ao lado dos três filhos, ela mantém a produção de leite e vê a sucessão familiar acontecer de forma natural.
Sandra Pastuch assumiu a propriedade da família após a morte do marido e hoje divide a produção de leite com os três filhos, que decidiram permanecer no campo. Foto: Reprodução/Rede Massa.
Sandra Pastuch assumiu a propriedade da família após a morte do marido e hoje divide a produção de leite com os três filhos, que decidiram permanecer no campo. Foto: Reprodução/Rede Massa.

Quando o relógio marca 4 horas da manhã, Sandra Pastuch já está de pé. Antes mesmo de o sol nascer, ela inicia mais um dia de trabalho na propriedade da família, no interior de Prudentópolis. A rotina começa com a ordenha das vacas, segue com o trato dos animais e continua ao longo do dia, em uma atividade que não conhece fins de semana nem feriados. Desde 2019, porém, cada amanhecer representa mais do que o início de um novo dia de trabalho. Foi naquele ano que Sandra perdeu o marido e precisou assumir sozinha a condução da propriedade. Hoje, ela divide essa responsabilidade com os três filhos, que decidiram permanecer no campo e dar continuidade ao legado da família.

A história foi apresentada neste domingo (26) pelo programa Negócios da Terra, da Rede Massa, em uma reportagem especial em homenagem ao Dia do Agricultor, que será comemorado na próxima sexta-feira (31).3

Sandra cresceu na zona rural e diz que o trabalho na agricultura sempre fez parte da sua vida. Ainda adolescente, ajudava a família na ordenha, nos aviários e na criação de suínos. Mais tarde, passou um período morando na cidade, mas o desejo de voltar ao campo falou mais alto.

Ao lado do marido, recomeçou a vida na propriedade da família. A atividade começou de forma simples, com apenas uma vaca destinada ao consumo da própria casa. Com o passar dos anos, o rebanho aumentou, vieram a produção de queijo e requeijão e, depois, a comercialização do leite.

Hoje, a propriedade conta com 21 vacas leiteiras e outras 35 cabeças de gado, entre novilhas e bois.

Em 2011, a família passou a fornecer leite para a cooperativa Frísia. Sandra conta que a decisão foi motivada pelo desejo de ver o trabalho reconhecido.

“Como a gente cuidava muito bem do nosso leite, a gente queria receber também pela qualidade, valorizar aquilo que a gente cuidava”, relembra.

A parceria com a cooperativa marcou uma nova etapa de crescimento da propriedade. Mas o maior desafio ainda estava por vir.

O momento que mudou a história da família

Em 2019, Sandra perdeu o marido.

Além de enfrentar o luto, precisou assumir todas as responsabilidades da propriedade rural, mantendo a produção e conduzindo as decisões que antes eram compartilhadas pelo casal.

Ela lembra que encontrou justamente nos filhos a força necessária para continuar.

“Foi uma fase difícil, mas Deus dá força. Meus filhos foram o meu pilar, o suporte que me deu forças para continuar e vencer.”

Com o passar do tempo, os três começaram a assumir cada vez mais responsabilidades dentro da propriedade.

Uma nova geração que escolheu permanecer no campo

A sucessão familiar, um dos maiores desafios enfrentados pela agricultura brasileira, aconteceu naturalmente na família Pastuch.

O filho mais velho, João Pastuch, de 23 anos, formou-se em Agronomia e hoje é responsável principalmente pelo planejamento das lavouras destinadas à produção de silagem, pelas culturas de inverno e pela alimentação do rebanho.

O segundo filho, André Pastuch, de 21 anos, também escolheu a Agronomia. Enquanto cursa a graduação, divide a rotina entre a universidade e o trabalho diário na propriedade.

Já José Pastuch, de 17 anos, ainda está no Ensino Médio, mas pretende cursar Medicina Veterinária para continuar atuando na propriedade da família.

As escolhas dos três representam mais do que uma profissão. São a continuidade de uma história construída pelos pais ao longo dos anos e que hoje ganha uma nova geração preparada para conduzir o trabalho no campo.

O futuro construído em família

À reportagem da Rede Massa, a Cooperativa Frísia destacou que incentivar a permanência dos jovens no meio rural é uma das prioridades da instituição. Para isso, desenvolve programas voltados à sucessão familiar e ao cooperativismo, preparando as novas gerações para assumir as propriedades e manter viva a atividade rural.

Na família Pastuch, esse processo já faz parte da rotina.

Enquanto Sandra continua liderando o trabalho na produção de leite, os filhos assumem novas funções, colocam em prática os conhecimentos adquiridos na formação e ajudam a planejar o futuro da propriedade.

Para eles, permanecer no campo foi uma escolha construída ao longo da vida, inspirada pelo exemplo da mãe.

No fim da reportagem, os três resumiram em poucas palavras aquilo que aprenderam com Sandra: persistência, trabalho, resiliência e amor pelo que fazem.

Últimas atualizações