Quase 2 milhões trabalham por aplicativos no Brasil e recebem menos por hora, diz IBGE

Pesquisa mostra que profissionais de plataformas têm rendimento mensal próximo ao dos demais trabalhadores, mas enfrentam jornada maior, informalidade elevada e menor cobertura previdenciária.
Entregadores por aplicativo no trabalho principal aumentaram 18,6% - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Entregadores por aplicativo no trabalho principal aumentaram 18,6% - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Quase 2 milhões de pessoas trabalhavam por meio de aplicativos de serviços no Brasil em 2025, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados na última sexta-feira (4) .

Desse total, 1,805 milhão utilizava as plataformas na atividade principal. Outras 182 mil pessoas recorriam aos aplicativos no trabalho secundário, enquanto 28 mil trabalhavam dessa forma nas duas atividades.

Os trabalhadores de plataformas representavam 1,9% dos 102,4 milhões de brasileiros ocupados em 2025.

Jornada maior e rendimento menor por hora

O rendimento mensal médio dos trabalhadores de aplicativos era de R$ 3.147, praticamente o mesmo registrado entre os demais trabalhadores do setor privado, de R$ 3.148.

A diferença aparece na jornada. Os profissionais de plataformas trabalhavam, em média, 44,7 horas por semana, diante de 39,3 horas entre os demais.

Com mais horas de trabalho, o rendimento médio por hora ficava em R$ 16,20, contra R$ 18,40 entre os não plataformizados. A diferença é de 12%.

A informalidade também era maior entre os trabalhadores de aplicativos: 72,1%, diante de 42,7% nos demais grupos. Apenas 34% contribuíam para a Previdência, enquanto entre os outros trabalhadores o índice chegava a 63%.

Transporte concentra maior número

Os aplicativos de transporte particular de passageiros concentravam 58,9% dos trabalhadores de plataformas, aproximadamente 1,2 milhão de pessoas.

As plataformas de entrega reuniam 29,9%. A pesquisa também considerou aplicativos que oferecem serviços gerais ou profissionais, como limpeza, cuidados pessoais, reformas, tradução, programação, design e consultas on-line.

Entre 2022 e 2025, o número de pessoas que utilizavam plataformas no trabalho principal passou de 1,319 milhão para 1,805 milhão, crescimento de 36,8%.

Dependência dos aplicativos

Entre os trabalhadores que utilizavam plataformas na atividade principal, 62,7%, ou 1,1 milhão de pessoas, dependiam exclusivamente delas para conseguir clientes e realizar os serviços.

A pesquisa também mostrou que 62,5% utilizavam apenas um aplicativo. Outros 30% trabalhavam com duas plataformas e 7,5% usavam três ou mais.

Ao combinar essas informações, o IBGE identificou que 38,8%, o equivalente a 701 mil pessoas, trabalhavam exclusivamente por plataformas e utilizavam somente um aplicativo.

Maioria é formada por homens

Os homens representavam 84,4% dos trabalhadores de aplicativos, enquanto as mulheres correspondiam a 15,6%. A faixa etária entre 25 e 39 anos concentrava 47% desses profissionais.

A pesquisa também apontou que 86,8% trabalhavam por conta própria e apenas 4,5% tinham carteira assinada.

A flexibilidade de horário foi o principal motivo apresentado para trabalhar por aplicativos, citada por 26,8%. Outros 24,6% disseram que recorreram às plataformas porque não encontraram outro trabalho.

O levantamento também identificou que os aplicativos podem interferir no valor recebido, na escolha dos clientes, na forma de pagamento e nos prazos para a realização dos serviços.

As informações são do g1

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