Confira como foi o debate entre Requião Filho, Sergio Moro e Sandro Alex ao Governo do Paraná

Requião Filho, Sergio Moro e Sandro Alex ficaram frente a frente na RPC a cinco dias do primeiro turno; candidatos confrontaram propostas, trocaram acusações e discutiram a continuidade do atual governo.
Candidatos ao Governo do Paraná participam de debate promovido pela RPC, em Curitiba, na noite desta terça-feira (29). Foto: Reprodução/RPC
Candidatos ao Governo do Paraná participam de debate promovido pela RPC, em Curitiba, na noite desta terça-feira (29). Foto: Reprodução/RPC

A cinco dias do primeiro turno das eleições, Requião Filho (PDT), Sergio Moro (PL) e Sandro Alex (PSD) ficaram frente a frente no debate promovido pela RPC, em Curitiba. O encontro começou na noite desta terça-feira (29) e terminou já no início da madrugada desta quarta-feira (30).

Foi o primeiro debate desta campanha com os três candidatos reunidos. A RPC convidou Requião Filho, Sergio Moro e Sandro Alex porque os partidos dos três atendiam ao critério de representatividade mínima no Congresso Nacional estabelecido para participação no encontro. Moro não havia participado dos debates anteriores realizados pela televisão.

Ao longo de mais de duas horas, saúde, educação, segurança pública, obras, pedágios, Copel, funcionalismo público e combate à corrupção dividiram espaço com uma disputa mais ampla sobre os rumos do Paraná.

Sandro Alex procurou vincular sua candidatura à continuidade do governo Ratinho Junior e apresentou obras e resultados da atual administração como argumentos para permanecer no mesmo caminho. Requião Filho concentrou críticas ao modelo adotado pelo governo estadual e defendeu mudanças em diferentes áreas. Sergio Moro afirmou prometeu manter obras e programas que considerasse positivos, mas defendeu mudanças na gestão e apresentou propostas próprias para saúde, segurança, infraestrutura e combate à corrupção.

A política nacional também ocupou parte considerável do confronto. Lula, Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro foram mencionados repetidamente, principalmente nas discussões entre Moro e Sandro.

O debate foi mediado pela jornalista Helen Anacleto e dividido em quatro blocos. Nos três primeiros, os candidatos fizeram perguntas entre si com temas livres. O último foi destinado às considerações finais.

Moro e Sandro fizeram o confronto mais intenso da noite

O primeiro embate já mostrou o tom que se repetiria durante o debate.

Foto: Reprodução/ RPC

Sergio Moro escolheu Sandro Alex para a primeira pergunta e abriu sua participação criticando o que classificou como baixo nível da campanha. Também tentou relacionar os partidos que sustentam a candidatura de Sandro ao governo Lula.

Sandro respondeu questionando a trajetória política do adversário e passou a explorar um ponto que retomaria várias vezes durante a noite: a decisão de Moro de concorrer ao Governo do Paraná antes do fim do mandato de senador.

A partir daí, os dois passaram por temas nacionais e estaduais.

Sandro acusou Moro de ter votado favoravelmente à indicação de Flávio Dino ao Supremo Tribunal Federal. Moro negou e afirmou que seu voto havia sido contrário.

Moro, por sua vez, questionou Sandro sobre obras e sobre integrantes de seu grupo político. Também procurou relacionar o vice da chapa adversária, Rafael Greca, ao apoio a Lula.

As acusações foram feitas pelos próprios candidatos durante o debate.

A intensidade do confronto levou os dois a solicitarem direito de resposta ainda no primeiro bloco. Os pedidos foram analisados pela direção de jornalismo e pelo departamento jurídico da RPC e acabaram negados.

Atual governo esteve no centro do debate

Sandro assumiu claramente a defesa da continuidade. Ao longo do debate, apresentou sua candidatura como parte do projeto comandado pelo governador Ratinho Junior e citou investimentos e programas nas áreas de infraestrutura, educação, saúde, segurança e habitação.

Requião fez o contraponto mais direto ao atual modelo. Criticou decisões do governo em áreas como educação, saúde, Copel e funcionalismo e defendeu mudanças na condução do Estado.

Moro procurou ocupar uma posição diferente dos dois. Repetiu que não interromperia obras ou programas em andamento e afirmou não ser adversário de Ratinho Junior, mas argumentou que o Paraná poderia melhorar em diferentes áreas.

Escolas cívico-militares

Sandro questionou Requião sobre as escolas cívico-militares e afirmou que pretende ampliar o modelo no Paraná.

Foto: Reprodução/ RPC

Requião respondeu que não pretende fechar escolas, mas mudar o modelo. Também criticou a situação dos professores e defendeu concursos públicos, valorização profissional, ensino técnico e mudanças na política educacional.

Sandro rebateu destacando os resultados da educação estadual e defendeu a continuidade de programas como o Ganhando o Mundo.

O programa de intercâmbio, entretanto, não foi rejeitado por Requião. O candidato afirmou que pretendia mantê-lo, embora tenha defendido mudanças e maior transparência.

Moro também tratou da educação em outros momentos. Defendeu ampliação do ensino integral, manutenção das escolas cívico-militares e maior oferta de formação técnica e profissionalizante.

Saúde

Moro criticou o volume de recursos estaduais destinados ao setor e afirmou que hospitais que atendem pelo SUS enfrentam dificuldades financeiras. Entre as propostas apresentadas, defendeu a criação de uma Tabela SUS Paranaense para complementar os valores pagos pelos atendimentos.

Sandro respondeu citando investimentos e obras do atual governo. Falou em hospitais, maternidades, unidades de atendimento e ampliação das cirurgias.

Guarapuava também apareceu no debate. Sandro citou projetos para a região e afirmou que o município teria uma base de operações aeromédicas, além de mencionar o projeto do novo aeroporto.

Requião fez críticas à terceirização da saúde e defendeu maior regionalização dos serviços. A proposta apresentada por ele foi fortalecer hospitais de referência nas diferentes regiões do Paraná e ampliar estruturas para tratamentos como hemodiálise e quimioterapia, reduzindo a necessidade de longos deslocamentos de pacientes.

Foto: Reprodução/ RPC

Copel expôs uma das diferenças mais claras entre os candidatos

A Copel foi outro assunto muito falado.

Requião criticou a privatização e defendeu maior participação do Estado na companhia. Segundo ele, a prioridade deve voltar a ser o interesse público.

Moro afirmou ser favorável à privatização, mas criticou a qualidade dos serviços prestados. Disse que cobraria melhorias e que pretende colocar a estrutura jurídica do Estado à disposição de consumidores prejudicados por falhas no fornecimento.

Sandro defendeu o atual modelo e os investimentos realizados no setor. Também contestou a responsabilização do governo estadual pelos reajustes da tarifa de energia.

Obras, pedágios e Guarapuava

Sandro apresentou uma extensa relação de obras rodoviárias e afirmou que pretendia concluir projetos de duplicação e ampliação de capacidade em diferentes regiões. Ao falar da região central, citou diretamente Guarapuava. Mencionou obras na ligação em direção a Pitanga, investimentos na PR-170 e o projeto de um novo aeroporto no município, em Guarapuava.

Moro respondeu criticando os valores dos pedágios e defendeu maior fiscalização sobre as concessionárias.

Entre as propostas apresentadas, afirmou que pretende criar um mecanismo para permitir que a população possa acompanhar a execução das obras, os prazos e os valores das tarifas. Também disse que buscaria negociar a redução dos pedágios sem romper os contratos.

Requião, em outros momentos, criticou o modelo rodoviário e defendeu maior investimento em ferrovias como alternativa para o transporte de cargas e para o desenvolvimento regional.

Violência contra a mulher

Ainda no primeiro bloco, Requião questionou Moro sobre as medidas que adotaria diante dos casos registrados no Paraná.

Moro defendeu endurecimento contra autores de crimes violentos, criação de forças-tarefas contra organizações criminosas e um presídio estadual de segurança máxima. Segundo a proposta apresentada, feminicidas estariam entre os criminosos destinados à unidade.

Requião defendeu uma política voltada também à prevenção e ao acolhimento. Falou em fortalecimento da Patrulha Maria da Penha e em uma estrutura que reunisse delegacia, assistência social, atendimento psicológico e local seguro para mulheres vítimas de violência.

Sandro também tratou da segurança durante o debate e, nas considerações finais, defendeu investimentos em inteligência, equipamentos e valorização das forças policiais.

Combate à corrupção

O combate à corrupção também ganhou espaço nos embates, principalmente entre Sergio Moro e Requião Filho. Além das propostas para um eventual governo, os candidatos recorreram às próprias trajetórias e fizeram acusações sobre grupos políticos adversários.

Moro defendeu a criação de um código de ética para a administração estadual e de uma agência estadual anticorrupção, com atuação voltada à prevenção e ao controle de irregularidades. Também citou sua atuação na Lava Jato ao responder às críticas feitas durante o debate.

Requião afirmou ter apresentado denúncias ao longo de sua atuação parlamentar e defendeu ampliar a transparência na administração estadual, com maior acesso da população às informações sobre contratos e gastos públicos. Durante o embate com Moro, também levantou questionamentos sobre casos envolvendo integrantes e aliados do PL.

O assunto apareceu novamente no embate entre Moro e Sandro Alex. Moro cobrou explicações sobre decisões do governo estadual e questionou a relação do grupo político de Sandro com integrantes da Assembleia Legislativa. Sandro rejeitou as acusações e afirmou que a atual administração é transparente.

Ao longo dessas discussões, os candidatos ainda citaram episódios relacionados à Lava Jato, ao Porto de Paranaguá e a investigações envolvendo diferentes grupos políticos.

Política nacional dividiu espaço com os problemas do Paraná

Mesmo sendo uma disputa estadual, Lula e a família Bolsonaro estiveram presentes em diversos momentos.

Moro reforçou o apoio a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial e fez críticas ao governo Lula.

Requião reafirmou seu posicionamento político e criticou a tentativa de transportar para o Paraná a disputa nacional entre direita e esquerda.

Sandro procurou concentrar sua candidatura na continuidade do governo Ratinho Junior, mas foi pressionado por Moro sobre a relação nacional do PSD e do MDB e sobre posicionamentos de Rafael Greca.

Último bloco resumiu as três estratégias apresentadas durante a noite

Nas considerações finais, os candidatos reforçaram as linhas que haviam adotado durante o debate.

Requião foi o primeiro. Defendeu mudanças na Copel, redução do ICMS para pequenas e microempresas, políticas de atendimento às mulheres, valorização dos policiais, combate ao crime organizado, regionalização da saúde e investimentos em ferrovias.

Moro falou em saúde, educação, segurança, infraestrutura e combate à corrupção. Reforçou propostas como a Tabela SUS Paranaense, ensino integral, fiscalização das concessões de pedágio e criação de mecanismos estaduais anticorrupção. Também voltou a relacionar a eleição estadual à disputa política nacional.

Sandro foi o último candidato a falar.

Ele encerrou defendendo a continuidade do projeto do governo Ratinho Junior. Citou educação, saúde, segurança, creches, habitação, geração de empregos e infraestrutura e afirmou que pretendia manter o atual ciclo de investimentos.

Últimas atualizações