Morador alertou para risco de desabamento dias antes de casa deslizar inteira por barranco no Paraná

Imóvel deslizou na quinta-feira (22), em Imbituva, após parte do terreno ceder no domingo (18). Famílias já haviam deixado as residências por segurança e ninguém ficou ferido. Área é monitorada pela Prefeitura desde 14 de outubro.
Casa permaneceu praticamente inteira após deslizar por um barranco na Vila Zezo, em Imbituva, na quinta-feira (22). A família já havia deixado o imóvel por segurança. Foto: Reprodução/ Redes Sociais
Casa permaneceu praticamente inteira após deslizar por um barranco na Vila Zezo, em Imbituva, na quinta-feira (22). A família já havia deixado o imóvel por segurança. Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Uma casa deslizou por um barranco após o terreno ceder durante o período de chuvas em Imbituva, nos Campos Gerais do Paraná, na última quinta-feira (22). Apesar do deslocamento, a construção permaneceu praticamente inteira, com paredes e telhado ainda de pé. A família já havia deixado o imóvel por causa dos riscos, e ninguém ficou ferido.

O caso aconteceu na Vila Zezo, onde a Prefeitura acompanha a situação de seis residências desde 14 de outubro. Quatro dias antes de a casa deslizar, no domingo (18), parte do barranco e um muro de contenção já haviam cedido. Na ocasião, um morador gravou um vídeo mostrando os estragos e manifestou preocupação com a possibilidade de a residência não resistir.

As imagens registradas após o deslizamento mostram a casa em uma posição mais baixa que a do terreno onde havia sido construída. Ao redor do imóvel, há grandes quantidades de terra, pedras, blocos e pedaços de estruturas que cederam junto com o barranco.

Morador registrou situação quatro dias antes do deslizamento

No domingo (18), um homem que trabalha na construção civil esteve no local e gravou um vídeo para mostrar os danos provocados pelo desmoronamento de parte do terreno.

Foto: Divulgação/ Redes Sociais

Na gravação, ele conta que havia acabado de retornar de Irati, onde acompanhou o cunhado em uma prova de vestibular, quando recebeu mensagens sobre o ocorrido.

Segundo o relato, moradores ouviram um barulho por volta do meio-dia e perceberam que parte do barranco havia desmoronado.

Ele afirmou que as famílias já tinham sido retiradas das casas aproximadamente uma semana antes, por causa dos riscos identificados na região.

Durante o vídeo, o homem mostrou a área atingida e chamou a atenção para o espaço que havia se formado sob parte da residência, depois que a terra e o muro de contenção cederam.

Naquele momento, a construção ainda permanecia na parte superior do terreno, mas ele temia que a situação piorasse.

“Eles estão desconfiados que a casa não aguenta”, comentou durante a gravação.

O morador também mencionou outras residências próximas e relatou preocupação com rachaduras e danos em estruturas vizinhas.

Quatro dias depois, na quinta-feira (22), a casa acabou deslizando pelo barranco.

Muro de contenção cedeu antes de a casa deslizar

O muro de contenção localizado ao lado da residência cedeu no domingo (18). O deslizamento da casa aconteceu na última quinta-feira (22), após a movimentação do terreno.

Na gravação feita no domingo, o morador explicou que, segundo informações recebidas no local, o terreno original era mais baixo e teria sido aterrado para permitir a construção das casas no nível da rua.

Foto: Divulgação/ Redes Sociais

Ele também afirmou que havia um muro de contenção para sustentar o aterro e questionou a resistência da estrutura diante da altura do barranco.

O homem disse trabalhar na construção civil e apresentou sua avaliação sobre o que poderia ter provocado os danos.

Segundo ele, a movimentação do solo e a queda do muro deixaram parte da casa sem sustentação adequada.

O morador também levantou dúvidas sobre a forma como as residências foram construídas e afirmou que o terreno já teria sido considerado uma área de risco antes das obras.

Essas observações representam a avaliação pessoal feita por ele durante a gravação. Não há, nas informações disponíveis, laudo técnico que confirme falhas na construção, problemas no projeto estrutural ou irregularidades na escolha do terreno.

Imagens mostram casa inteira em meio à terra e aos escombros

As imagens feitas após o deslizamento mostram que a residência de paredes cinzas e telhado de telhas cerâmicas permaneceu de pé, mesmo depois de se deslocar pela encosta.

Em diferentes ângulos, é possível observar grandes volumes de terra acumulados na parte inferior da construção, além de pedras, tijolos e pedaços de estruturas espalhados pelo terreno.

Uma das imagens mostra a casa abaixo do nível de outra residência situada na parte superior do barranco. Entre os dois imóveis, há uma encosta de terra exposta, com sinais de desmoronamento e materiais que se desprenderam.

Também aparecem partes de uma estrutura de concreto quebrada e blocos espalhados na área atingida.

O telhado da casa que deslizou continua aparentemente preservado, assim como boa parte das paredes externas. Entretanto, as imagens não permitem avaliar as condições das fundações, das instalações internas ou a estabilidade da construção.

Apesar de permanecer inteira, a residência não pode mais ser habitada.

Um vídeo registrado no local também mostra a casa vista da parte inferior do terreno, com grande quantidade de pedras e entulho acumulada à frente do imóvel.

Seis casas são monitoradas e nove pessoas estão desalojadas

A Prefeitura de Imbituva monitora seis casas na Vila Zezo desde 14 de outubro, incluindo a residência que deslizou.

As famílias que estavam nas áreas de risco foram retiradas preventivamente, antes do deslizamento de quinta-feira. Por isso, ninguém ficou ferido.

Segundo a Defesa Civil, a região apresenta risco devido às características do solo e à movimentação do terreno provocada pelas chuvas.

No município, nove pessoas de duas famílias estão desalojadas e recebem aluguel social.

A informação disponível não detalha quantas das seis casas monitoradas precisarão ser demolidas ou se há possibilidade de recuperação de alguma das estruturas.

Chuvas mantêm Imbituva sob alerta nesta sexta-feira (23)

A situação ocorre em meio a um período de instabilidade no Paraná.

Nesta sexta-feira (23), Imbituva está entre os 342 municípios paranaenses abrangidos por um alerta laranja do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que indica perigo para tempestades.

O aviso aponta possibilidade de chuva de até 50 milímetros no dia e rajadas de vento de até 60 km/h.

A previsão também indica condições para chuva em diferentes regiões do estado, associadas à formação de um cavado — uma configuração atmosférica que favorece a formação de nuvens de chuva — e à possibilidade de desenvolvimento de um ciclone.

Para áreas que já apresentam movimentação de terra, a continuidade das chuvas é um fator de preocupação, especialmente pela possibilidade de novos deslizamentos.

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