A principal peça das investigações sobre o ataque a tiros que chocou a comunidade de Terra Cortada, na área rural de Prudentópolis, começa a se encaixar. Após três dias de buscas, a Polícia Militar prendeu na tarde de ontem (29) Felipe Mokreski, de 28 anos, apontado como autor dos disparos que deixaram seis pessoas feridas, segundo a polícia, e resultaram na morte de um bebê de nove meses na madrugada de sábado (27).
Um segundo suspeito de participar da ação continua foragido. A Polícia Civil identificou esse homem como Claudemir Machado de Souza, que aparece em um cartaz de “procurado” por tentativa de feminicídio, homicídio e tentativas de homicídio. Informações podem ser repassadas, de forma anônima, pelos telefones 197, 181 ou (42) 3446-1202 (WhatsApp).
O Atento News esteve na casa onde o crime aconteceu no último sábado e, desde então, vem ouvindo familiares, policiais e autoridades para detalhar o caso. A seguir, veja o que se sabe até agora.
Como foi a prisão de Felipe Mokreski, segundo a PM
Em nota divulgada na manhã desta terça-feira (30), o 16º Batalhão da Polícia Militar informou que, desde o momento do ataque, equipes realizavam buscas ininterruptas para localizar o suspeito.
A partir de relatos de testemunhas e análises da polícia, foi identificado um GM Celta vermelho que teria ido até a região onde mora o pai de Felipe. As equipes passaram a monitorar o veículo.
De acordo com a PM, o carro foi abordado na entrada de Prudentópolis. Dentro estavam três homens: o condutor, de 29 anos; o passageiro dianteiro, de 53 anos, pai do autor; e Felipe Mokreski, de 28 anos, no banco traseiro.
Durante a revista pessoal e veicular nenhum objeto ilícito foi encontrado, mas os policiais apreenderam um celular e uma câmera de vigilância, que serão enviados para perícia.
Na sequência, os três foram levados à delegacia. Ainda segundo a PM, na confecção do boletim de ocorrência os agentes foram informados que já existia mandado de prisão preventiva contra Felipe, relacionado ao crime de homicídio (artigo 121 do Código Penal). O suspeito permaneceu preso.
O que dizem a Polícia Civil e a PM sobre os crimes
Em entrevista à RPC, o delegado Rodrigo Cruz, responsável pelo caso, explicou que Felipe pode responder por: tentativa de feminicídio contra a companheira; homicídio qualificado consumado pela morte da filha de 9 meses e nove tentativas de homicídio qualificado, considerando as pessoas que estavam na casa durante o ataque.
Sobre a morte do bebê, o delegado relatou que, ao fugir pela mata com a criança no colo, a mãe entrou em desespero ao ouvir os tiros e tentou abafar o choro da filha, com medo de ser localizada pelo autor. Nesse momento, segundo ele, acabou asfixiando a criança de forma acidental, em um contexto de desespero e “estado de necessidade”, provocado pela ação do suspeito.
Já o capitão Walla Schreiner, comandante da Polícia Militar em Prudentópolis, também em entrevista à emissora, reafirmou que a sequência de violência começou na noite de sexta-feira (26), quando a mulher de 25 anos procurou a PM relatando ameaças com uma pistola 9 mm. Ela foi levada para a casa de parentes em Terra Cortada, onde a família se reunia para o fim de semana.
Na madrugada de sábado, entre 3h30 e 4h, o suspeito voltou ao local acompanhado de outro homem, ambos armados com uma pistola 9 mm e uma espingarda calibre 12, e atirou diversas vezes contra a residência onde 11 pessoas dormiam.
Situação das vítimas: oito feridos e quadro de recuperação
No sábado (27), o Atento News esteve na propriedade e conversou com familiares. Na manhã de ontem (29), novas entrevistas atualizaram o quadro: oito pessoas ficaram feridas, sendo três crianças e cinco adultos.

Uma das vítimas teve apenas um ferimento de raspão e foi atendida dentro da casa pelo Samu. As demais precisaram ser encaminhadas ao hospital.
No entanto, a Polícia Civil detalhou que seis pessoas foram efetivamente atingidas por disparos, sendo três adultos e três crianças: um homem, 34 anos, com um tiro nas costas e no braço; uma mulher, 29 anos, com um tiro na perna; um homem, de 24 anos, com tiros no ombro e no joelho; um menino de 11 anos, ferido com um tiro de espingarda na perna, com ferimento grave, porém sem risco de morte; um menina de 11 anos, com um tiro na cabeça, também sem risco de morte, segundo avaliação médica; e um menino de 7 anos, com ferimentos próximos ao olho, possivelmente causados por estilhaços.
Familiares relataram ao Atento News que o dono da casa foi atingido nas costas por vários projéteis e segue em recuperação, e que a criança de 8 anos atingida no olho passou por cirurgia para retirada de fragmentos e permanece em observação. A menina de 11 anos, baleada na cabeça, teve a sobrevivência descrita pelos médicos como um “milagre”, pois o projétil passou muito próximo de uma área vital.
O bebê de nove meses, filho de Felipe, foi sepultado no domingo (28) em São João, município do Sudoeste do Paraná, a cerca de 230 quilômetros de Prudentópolis.
Como começou o ataque em Terra Cortada

De acordo com familiares, esse encontro na casa era tradição de Natal e férias escolares. Cerca de dez pessoas, entre adultos e crianças, estavam reunidas quando a viatura deixou o local após o registro do boletim de ocorrência.
Horas depois, ainda de madrugada, o suspeito retornou. Em depoimentos colhidos pela polícia e em relatos feitos ao Atento News, a cena foi de pânico:
“Foi tiro, tiro e mais tiro. Todo mundo dormindo. Gente pulando janela, gente correndo pro mato”, descreveu uma familiar, que não quis ser identificada por motivos de segurança.
Dentro da casa, paredes, portas e janelas ficaram marcadas por impactos de disparos. A residência, segundo os parentes, sempre foi usada como ponto de encontro da família em datas comemorativas.
O que diz a defesa de Felipe Mokreski
Procurada pelo Atento News, a defesa de Felipe respondeu por mensagem que atua no caso, mas que, por enquanto, não concederá entrevistas nem gravações, já que o procedimento tramita sob segredo de Justiça.
O advogado informou que eventuais manifestações serão feitas somente nos autos, no momento oportuno, e agradeceu a compreensão.