MP denuncia pai de bebê e comparsa por ataque a tiros em Prudentópolis que matou criança e deixou oito feridos

Crimes ocorreram em dezembro, na comunidade de Terra Cortada, após o fim de um relacionamento; dois homens foram presos e agora respondem por homicídio, tentativa de feminicídio e dez tentativas de homicídio, inclusive contra crianças.
Casa em Terra Cortada, zona rural de Prudentópolis, onde 11 pessoas foram atacadas a tiros; uma bebê morreu e oito ficaram feridos.
Casa onde os disparos foram efetuados. Foto: William Batista/ Atento News

O Ministério Público do Paraná denunciou dois homens, de 28 e 26 anos, pelos crimes relacionados ao ataque a tiros ocorrido em 27 de dezembro, na localidade de Terra Cortada, zona rural de Prudentópolis, que resultou na morte de uma bebê de nove meses e deixou várias pessoas feridas. As informações foram divulgadas pelo MP, na tarde desta terça-feira (20).

A denúncia foi apresentada pela 1ª Promotoria de Justiça da comarca e inclui a acusação de homicídio contra a criança, uma tentativa de feminicídio e dez tentativas de homicídio, inclusive contra crianças. O caso, que teve grande repercussão na região, é tratado sob segredo de Justiça por envolver vítimas menores de idade.

Relembre o caso

O crime aconteceu na madrugada de sábado, 27 de dezembro, em uma casa onde familiares estavam reunidos para passar o fim de semana. Ao todo, 11 pessoas estavam no imóvel, entre adultos e crianças. Horas antes do ataque, ainda na noite de sexta-feira (26), uma mulher de 25 anos havia procurado a Polícia Militar para denunciar ameaças feitas pelo companheiro, que estaria armado com uma pistola calibre 9 milímetros.

Com apoio da PM, ela retirou seus pertences e foi levada para a casa de parentes, na localidade de Terra Cortada. Já durante a madrugada, por volta das 3h30 a 4h, dois homens armados com uma pistola 9 milímetros e uma espingarda calibre 12 invadiram a residência enquanto todos dormiam e efetuaram diversos disparos.

Casa foi invadida enquanto a família dormia

O ataque causou pânico, com pessoas pulando janelas e correndo para o mato tentando escapar dos tiros, e a casa ficou marcada por perfurações nas paredes, janelas destruídas e estilhaços espalhados pelo chão.

O ataque deixou oito pessoas feridas, entre elas três crianças e cinco adultos. Seis pessoas foram atingidas diretamente por disparos, segundo a Polícia Civil. Entre as vítimas estavam um homem de 34 anos, baleado nas costas e no braço; uma mulher de 29 anos, ferida na perna; um homem de 24 anos, baleado no ombro e no joelho; um menino de 11 anos, ferido gravemente na perna por disparo de espingarda; uma menina de 11 anos, atingida por um tiro na cabeça, cuja sobrevivência foi considerada um “milagre” pelos médicos; e um menino de 7 anos, ferido próximo ao olho, possivelmente por estilhaços.

A fuga para o mato e a morte da bebê

Durante a fuga, a mulher que havia feito a denúncia conseguiu escapar pelos fundos da casa levando no colo a filha do casal, uma bebê de nove meses. Ela correu em direção a uma área de mata enquanto ouvia os tiros e os gritos, e familiares relataram que, com medo de ser localizada, tentou abafar o choro da criança. A suspeita é de que, em meio ao desespero, ela tenha acabado pressionando o rosto da bebê contra o próprio corpo, provocando uma asfixia acidental. Não foram encontrados indícios de ferimento por arma de fogo na criança, que não resistiu e morreu no local.

Prisões após dias de buscas na região

O principal suspeito do ataque, Felipe Mokreski, de 28 anos, foi preso no dia 29 de dezembro, quando tentava deixar a região. Já o segundo suspeito, Claudemir Machado de Souza, de 26 anos, foi preso no dia 31 de dezembro, após quatro dias de buscas, na região de Linha Tigre, no interior de Prudentópolis. Ambos tiveram a prisão preventiva decretada e estão à disposição da Justiça.

O que diz a denúncia do Ministério Público

]Agora, com a conclusão dessa fase da investigação, o Ministério Público do Paraná formalizou a denúncia criminal contra os dois homens. Segundo o MPPR, o homem de 26 anos, inconformado com o fim do relacionamento com uma das vítimas, foi até a casa durante a madrugada acompanhado do outro acusado e, armados, invadiram o imóvel e passaram a atirar contra as pessoas que estavam no local.

Quais crimes os acusados vão responder

Além do homicídio da bebê, os dois respondem por uma tentativa de feminicídio, dez tentativas de homicídio, inclusive contra crianças, porte de arma de fogo de uso restrito, posse de arma de fogo de uso permitido, ameaça contra mulher em contexto de violência doméstica e fraude processual. O Ministério Público sustenta que as vítimas só não foram mortas porque conseguiram fugir correndo para o mato, mesmo sendo perseguidas pelos criminosos.

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