A casa de Amanda de Souza Moraes fica na rua Marcílio Dias, na Vila Carli. É uma rua curta, pequena, sem saída. Do portão até o arroio que passa em frente, são só alguns metros.
No fim da tarde de ontem (28), o desespero.
“Era quase cinco horas da tarde. Eu tinha acabado de colocar minha nenê pra dormir e fui sentar na garagem com meu marido. Daí começou aquela chuva muito forte. De repente, o rio começou a subir muito rápido”, conta.
Segundo Amanda, tudo aconteceu em questão de minutos. Com a força da enxurrada, uma árvore grande foi arrancada e acabou parando embaixo de uma ponte a alguns metros da cada. Os galhos e o tronco teriam entupido as manilhas que ajudam a escoar a água do arroio.
Sem ter por onde passar, a água voltou.
E voltou com força.
“Foi muito rápido, muito rápido mesmo. A água começou a passar por trás da casa, subiu pelo ralo… quando vimos, já estava no joelho. Não tinha mais o que fazer”, conta.
Momentos de tensão
Naquele momento, dentro da casa estavam Amanda, o marido e a filha de apenas 10 meses. O medo maior era não conseguir sair a tempo.
“Eu tentei ligar pro bombeiro, mas só dava ocupado. A gente não conseguia sair.”
Sem opção, a família tomou uma decisão no desespero.
Eles quebraram o muro da casa da vizinha dos fundos e passaram com a bebê no colo, pulando até chegar em um lugar mais alto.
“Eu passei minha nenê por cima da cerca pra outra vizinha. Se não fosse isso, eu não sei o que teria acontecido”, diz Amanda, ainda abalada.
Quando conseguiram sair, a água já tinha tomado praticamente tudo dentro da casa.
E levou quase tudo embora.
Prejuízos
“Eu perdi tudo. Guarda-roupa, cama, forro, geladeira, fogão… entrou barro por baixo do fogão. Perdi as coisas da minha nenê, o berço, roupa, lençol. Tudo. Não sobrou nada.”
Apesar de morar ali há algum tempo e já ter visto o arroio subir outras vezes, Amanda diz que nunca tinha entrado água dentro da casa.
“Já tinha subido no quintal antes, mas dentro de casa nunca. A gente nunca esperava isso.”
Chuva forte em toda a cidade
De acordo com o Simepar, Guarapuava registrou 27,2 milímetros de chuva até as 18h de ontem, sendo uma das cidades com maior volume de chuva no Paraná no dia.
Segundo o Corpo de Bombeiros, só ontem foram:
• 15 entregas de lonas, totalizando 360 metros quadrados.
• Duas ocorrências de queda de árvores.
• Registros de alagamentos (além da Vila Carli), no Primavera.
Parte das lonas foi retirada no quartel do bairro Primavera e parte entregue diretamente no bairro Industrial (Feroz 2).
“Vai ser bem triste pra nós”
Agora, a família tenta entender por onde recomeçar.
“Vai ser bem triste pra nós. Não tem explicação”, diz Amanda.
Quem quiser ajudar a família ou se informar diretamente sobre a situação pode entrar em contato com a própria Amanda de Souza Moraes pelo: (42) 99863-0840.