A possibilidade do governador do Paraná, Ratinho Júnior, disputar a Presidência da República neste ano está em foco no debate político nacional. O assunto esquentou ainda mais após a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD, partido comandado nacionalmente por Gilberto Kassab. Com isso, a disputa interna ficou mais concorrida.
Hoje, o PSD tem três governadores que se colocam como pré-candidatos ao Palácio do Planalto: Ratinho Júnior (PR), Eduardo Leite (RS) e Ronaldo Caiado (GO).
Na tarde desta quinta-feira (29), os três participaram de uma entrevista conjunta ao jornal O Globo, por videochamada, para falar justamente sobre esse cenário e os rumos do partido para 2026.
A escolha do candidato do PSD à Presidência não será feita por prévias nem por critério fixo, como pesquisas isoladas. Segundo os próprios governadores, a decisão passará por diálogo interno, avaliação do cenário eleitoral e articulação conduzida pela direção nacional do partido.
Sobre o Ratinho
Ratinho Júnior adotou um tom conciliador. Ele disse que a presença de três pré-candidatos não enfraquece o PSD, pelo contrário.

Segundo o governador do Paraná, o partido vive um “privilégio” ao reunir três nomes testados nas urnas e aprovados pela população em seus estados. Para ele, o Brasil vive um momento de cansaço com a polarização política e precisa olhar mais para o futuro do que para o passado.
“Hoje o Brasil não suporta mais esse ambiente de briga. A população já percebeu que isso não resolve os problemas dela”, afirmou.
Ratinho defendeu que o PSD discuta menos nomes e mais projetos, com planejamento de médio e longo prazo. Ele também destacou os resultados do Paraná, citando o protagonismo do estado nas áreas econômica e social, como exemplo de que é possível levar um modelo de gestão eficiente para o país.
“Não existe prioridade”, diz Ratinho sobre escolha do candidato
Questionado sobre uma possível vantagem por estar há mais tempo no partido, Ratinho foi direto ao dizer que não existe prioridade definida dentro do PSD.
Segundo ele, se houvesse preferência, não faria sentido incentivar a entrada de novos nomes no partido. Ratinho contou, inclusive, que apoiou pessoalmente a filiação de Eduardo Leite e de Ronaldo Caiado, reforçando que vê os dois como ativos importantes para o projeto nacional do PSD.
“A prioridade não existe. Se existisse, eu teria exigido lá atrás que ninguém mais entrasse”, afirmou.
Eduardo Leite
O governador do Rio Grande do Sul, explicou que o PSD não trabalha com prévias nem com regras matemáticas para definir o candidato à Presidência.

Segundo ele, pesquisas podem ajudar, mas não serão decisivas. A escolha passará por diálogo entre as lideranças do partido e pela leitura do cenário eleitoral mais próximo da eleição.
Leite reconheceu que a entrada de Caiado torna o processo mais complexo, mas avaliou que isso fortalece o partido. Para ele, o nome que sair desse processo interno chegará mais preparado e com mais respaldo para enfrentar a eleição nacional.
Caiado
Recém-filiado ao PSD, Ronaldo Caiado foi o mais duro nas críticas ao governo Lula durante a entrevista. Ele disse que o Brasil não aguenta mais “repetir receitas” e usou a expressão “café requentado” para se referir aos mesmos projetos políticos que, segundo ele, se revezam no poder.

Caiado afirmou que, se for o escolhido do PSD, fará uma campanha clara, sem discurso “híbrido”, defendendo mudanças na condução do país, especialmente nas áreas de segurança pública, economia e gestão do Estado.
Ao mesmo tempo, destacou que respeitará a condução do partido feita por Kassab e que o PSD dará liberdade para alianças regionais, de acordo com a realidade de cada estado.
Kassab fala em candidatura moderada e sem ataque a Lula
Enquanto os governadores discutem o futuro, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, adotou um tom mais cauteloso. Em entrevista à Folha de S.Paulo, divulgada nesta quinta, Kassab afirmou que o partido não deve lançar uma candidatura de ataque direto ao presidente Lula.,

Segundo ele, a ideia é construir uma campanha moderada, focada em propostas, mantendo o PSD como uma força capaz de dialogar com diferentes campos políticos.
Essa postura explica por que o partido evita, neste momento, definir um nome único e trabalha para manter unidade, mesmo com interesses diferentes dentro da legenda.
Tarcísio reforça apoio a Flávio Bolsonaro
Enquanto o PSD ainda discute seu caminho, a direita bolsonarista começa a se organizar. Nesta quinta-feira (29), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reiterou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.

Tarcísio afirmou que sua prioridade é disputar a reeleição ao governo paulista e descartou qualquer plano de concorrer ao Planalto. Com isso, ele sai do radar como possível candidato presidencial e reforça o espaço para o PSD tentar ocupar esse eleitorado de centro-direita.
Na esquerda, Gleisi pressiona Haddad para São Paulo

Do outro lado do espectro político, a esquerda também se movimenta. A atual ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da presidência da República, Gleisi Hoffmann, defendeu publicamente que o partido “vista a camisa” nas eleições de 2026 e indicou apoio à candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo.

A leitura é de que o PT busca um nome forte para enfrentar o grupo político de Tarcísio no maior colégio eleitoral do país, o que também influencia diretamente o cenário nacional.
Por William Batista, Atento News. Com informações dos jornais O Globo, Folha de São Paulo e g1.