Mulher presa por falsas entrevistas de emprego em Guarapuava foi treinada por grupo criminoso para coletar biometria e viabilizar financiamentos de carros, revela polícia

Suspeita de 32 anos foi detida na terça (3) em um coworking; investigação aponta atuação de organização que usava dados e reconhecimento facial das vítimas para fraudes bancárias.
golpe falso emprego
Anúncios, divulgados pela polícia, mostram como as vítimas eram persuadidas.

Dois dias após a prisão de uma mulher suspeita de aplicar golpes por meio de falsas entrevistas de emprego em Guarapuava, a Polícia Civil detalhou novos elementos da investigação e confirmou que o caso envolve a atuação de um grupo criminoso organizado.

A suspeita, de 32 anos, identificada pelas iniciais A.L.S., foi presa na última terça-feira (3) dentro de um espaço de trabalho compartilhado, um coworking localizado no bairro Trianon, no momento em que uma nova entrevista falsa seria iniciada.

A ação foi considerada preventiva, já que outras pessoas já haviam participado das etapas iniciais do suposto processo seletivo e poderiam ter seus dados utilizados em fraudes financeiras.

Falsas vagas eram porta de entrada do golpe

Segundo o delegado Ramon Galvão, da seção de estelionatos da 14ª Subdivisão Policial, em entrevista na manhã de hoje (5) ao Atento News, o grupo anunciava vagas inexistentes nas redes sociais, simulando processos seletivos conduzidos por empresas de recursos humanos.

“Eles anunciavam falsas oportunidades de emprego, simulando ser uma empresa de recrutamento de RH. O objetivo era, durante a entrevista, capturar dados pessoais como RG, CPF, CNH e principalmente a biometria facial”, explicou.

As entrevistas eram marcadas rapidamente e, em alguns casos, as vítimas eram informadas de que avançariam para uma segunda etapa, quando então ocorreria a coleta biométrica.

Biometria era usada para financiar veículos

De posse das informações, o grupo iniciava a fase financeira do golpe.

“A partir do momento em que a organização estava com a biometria facial capturada, eles passavam a aprovar financiamentos veiculares ou empréstimos bancários”, detalhou o delegado.

Segundo a investigação, os financiamentos eram feitos geralmente em nome das vítimas sem que elas soubessem.

“O financiamento era de um veículo aleatório. O valor caía na conta de uma concessionária e depois a organização fazia a divisão e pulverização desse dinheiro”, disse.

Suspeita passou por treinamento do crime

Durante o interrogatório, a mulher relatou que foi recrutada em Curitiba por um homem apontado como líder da organização criminosa.

“A investigada informou que foi abordada na cidade de Curitiba por um rapaz que seria o chefe da organização e que ofertou cerca de R$ 1.500 por semana para que ela realizasse essa função”, afirmou Ramon Galvão.

Antes de vir para Guarapuava, ela passou por um período de treinamento com outra integrante do grupo.

“Ela passou por um treinamento com outra golpista que aplicava golpes em Campinas e em Ponta Grossa. A investigada acompanhou toda a prática do delito”, explicou.

De acordo com a polícia, a atuação em Guarapuava seria a primeira experiência dela atuando sozinha.

“Aqui seria a primeira vez que ela aplicaria diretamente os golpes após ter passado pelo treinamento”, disse o delegado.

Investigação busca outros envolvidos

Com a prisão em flagrante, a Polícia Civil conseguiu avançar na identificação de outros integrantes da organização.

“A partir da prisão, já fomos coletando dados de outros envolvidos. Estamos aprofundando as investigações para delimitar todos os participantes do caso”, afirmou.

Até o momento, não há número oficial de vítimas identificadas nem estimativa de prejuízo financeiro causado pelo grupo no município.

Anúncios falsos foram divulgados pela polícia

Nesta quinta-feira (5), a Polícia Civil também divulgou imagens dos anúncios utilizados pelo grupo para atrair as vítimas. As publicações circulavam principalmente nas redes sociais e simulavam ofertas de emprego na área da saúde, com promessas de salários acima da média do mercado e benefícios atrativos.

Em um dos anúncios, a vaga divulgada era para enfermeira ou técnica em enfermagem em Guarapuava, com salário anunciado de R$ 5.875, além de benefícios como vale-alimentação, plano de saúde e plano odontológico.

As imagens também mostram conversas mantidas por aplicativos de mensagens, nas quais a suposta empresa responde de forma genérica, confirma rapidamente a vaga e convida a candidata para uma entrevista no mesmo dia. Em uma das mensagens, após o envio do currículo em PDF, a pessoa recebe a confirmação da vaga de “enfermeira particular”, com detalhamento de salário, carga horária e benefícios, seguida do convite imediato para comparecer à entrevista.

Orientação para quem busca emprego

A polícia reforça que candidatos devem redobrar a atenção ao participar de processos seletivos.

“É importante desconfiar de ofertas muito vantajosas, verificar se a empresa existe e nunca fornecer biometria facial fora de canais oficiais”, alertou Ramon Galvão.

Segundo ele, a biometria só deve ser realizada em plataformas governamentais ou bancárias seguras.

“Só ceda biometria facial em sites oficiais ou bancos. Nunca forneça a pessoas desconhecidas. Isso é muito perigoso”, concluiu.

Últimas atualizações