Resumo
- Após blitz ecológica, foco passa a ser a mudança de comportamento da população
- Ação nasceu de forma espontânea, impulsionada pela própria comunidade
- Objetivo principal não foi a coleta de lixo, mas a conscientização ambiental
- Grande quantidade e variedade de resíduos foram encontrados na região
- Descartes irregulares vêm, em sua maioria, de outros bairros da cidade
- Mobilização contou com participação de cerca de 80 pessoas e diversas entidades
- Rio Jordão é considerado essencial para Guarapuava e carrega valor histórico
- Organização afirma que novas ações ambientais já estão previstas
O alerta agora é outro: mais do que recolher lixo, é preciso mudar a forma como a população se relaciona com o rio.
Após a realização da 1ª Blitz Ecológica do Vale do Jordão, em Guarapuava, o alerta agora é outro: mais do que recolher lixo, é preciso mudar a forma como a população se relaciona com o rio.
Em vídeo enviado ao Atento News, Victor Sebastian, secretário da Associação de Moradores e Amigos Unidos do Vale do Jordão (Amuvale) e um dos gestores do Movimento Vale Verde Jordão, detalhou os bastidores da mobilização e explicou que a ação nasceu de forma espontânea, impulsionada, inclusive, pela própria comunidade.
“É um evento. A primeira blitz ecológica da bacia hidrográfica aqui do Parque do Jordão…”
“É um evento. A primeira blitz ecológica da bacia hidrográfica aqui do Parque do Jordão. Ele nasceu de uma maneira espontânea, né? Já era uma meta tanto da Vale, que é a Associação de Moradores e Amigos do Jordão, como também do Movimento Vale Verde Jordão. Já era uma meta, um cronograma. Mas como a comunidade começou a se adiantar e fazer por si só, sem ela saber desse trabalho que a gente ia fazer, começaram a fazer uma limpeza, divulgar ali uma foto ou outra. A gente pensou por que não adiantar?”
O momento ajudou.
Segundo ele, a coincidência com o Dia Mundial da Água (22) acabou fortalecendo a iniciativa.
“E acabou que nesses dias, coincidentemente, nós tínhamos aí o Dia Mundial da Água, dia vinte e dois. Então tá, deu bem certinho.”
Mais do que limpar, conscientizar.
Apesar da grande quantidade de lixo recolhida, Victor reforça que o principal objetivo da ação não era apenas a limpeza.
“Então a gente fez aí junto com a comunidade, associação e o Movimento Vale Verde e nasceu essa ideia dessa primeira blitz ecológica, que o qual que o principal objetivo nosso não foi a catação de lixo em si, mas sim o despertar da comunidade para a prevenção do destino correto de resíduos.”
O que foi encontrado impressiona.
Durante a ação, o que mais chamou atenção foi a diversidade e o volume de materiais descartados irregularmente.
“Tivemos material plástico, sacolas, litros, garrafas e restos de material de construção, restos de móveis e os mais variados tipos de lixo e descarte que você possa imaginar.”
Um problema que vai além do Jordão.
Para Victor, o problema vai além da região do Jordão e envolve um comportamento recorrente de descarte irregular.
“Infelizmente, a maioria desse descarte vem do pessoal da cidade de outros bairros que eles não têm o que fazer com o material, ou melhor, eles têm o que fazer né? Guarapuava provê formas de descarte correto. Mas a população por algum motivo ou outro acha melhor descer aqui não só para o Jordão como para outros bairros mais afastados e fazer esse descarte incorreto.”
Volume chamou atenção.
A quantidade de lixo recolhida surpreendeu até mesmo os organizadores.
“Foi exorbitante. Foram caminhões, que a Surg passou a recolher hoje pela manhã.”
Mas também houve um lado positivo.
Por outro lado, a mobilização também mostrou um cenário positivo: o engajamento da comunidade.
“Tivemos a participação maciça da comunidade. Tivemos entidades muito importantes como o Sesc, a Secretaria do Meio Ambiente, a Sanepar, Faculdades de Guarapuava, a prefeitura em si deu um bom apoio. Tivemos a presença da Unicentro, pessoal da Zero 21 Estúdio, enfim, muitas pessoas se envolveram.”
Um rio que faz parte da vida da cidade.
Victor também destacou o valor simbólico e histórico do Rio Jordão para a população.
“Guarapuava, ele é o Rio Jordão. Pra Guarapuava ele marcou a infância, adolescência, juventude de muita gente. Então ele tem muita história. O Jordão fala por si só, não precisa apresentação. Ele é muito amado, muito querido.”
Mas ainda falta cuidado.
Mesmo assim, ele reconhece que o cuidado com o rio ainda não acompanha esse sentimento.
“Infelizmente nem sempre é bem cuidado, mas essa é uma realidade que a gente quer mudar dia a dia.”
Outro tipo de poluição também preocupa.
Além do lixo, outro tipo de poluição também foi identificado durante a ação.
“Nós tivemos até a apreensão de um veículo no momento, às seis e meia da manhã, pelos parceiros da Polícia Ambiental, porque ele estava com o som ligado. Isso é outro tipo de poluição que a gente sofre aqui.”
Primeira de muitas ações.
Segundo ele, a blitz foi apenas o começo de uma série de ações previstas.
“O evento em si foi apenas o primeiro. Nós teremos muitos outros.”
O objetivo é olhar para o futuro.
O objetivo, segundo Victor, é claro: garantir que as futuras gerações possam ter a mesma relação com o rio que muitos moradores tiveram no passado.
“Nós temos muitos projetos, muitos planos que já passou da hora de sair do papel, para melhorar a questão da segurança ambiental e do cuidado com a natureza, para que a gente possa deixar para os nossos filhos também a oportunidade da experiência que nós tivemos, de pescar no Jordão, de se refrescar no Jordão.”
Um sistema essencial para Guarapuava.
Ele ainda reforça a importância ambiental do sistema hídrico da região.
“Lembrando que o Jordão é formado pelo Rio Bananas e pelo Rio das Pedras. É o rio que alimenta e abastece Guarapuava. Então é uma tríade de rios de suma importância. São as artérias de Guarapuava.”
O recado final é direto.
Por fim, Victor faz um alerta direto sobre a necessidade de mudança de comportamento.
“Tem que se preservar. Tem que acabar com alguma cultura de que no rio a gente pode fazer tudo. Eu vou me desestressar, então vou no rio para pescar e vou deixar o meu lixo. Isso precisa mudar.”