Resumo
- Guarapuava lidera produção de batata no Paraná há mais de 10 anos
- Município concentra cerca de 13% da área plantada e até 16% da produção estadual
- Produtividade pode ultrapassar 45 toneladas por hectare
- Cultura representa cerca de 10% da economia agropecuária local
- Região responde por quase um terço da produção do estado
- Queda nos preços tem impactado produtores e reduzido área plantada
Lavouras tecnificadas, irrigação e altos índices de produtividade ajudam a explicar por que o município de Guarapuava se mantém, há mais de dez anos, como o principal produtor de batata inglesa do Paraná.
De acordo com dados do Deral (Departamento de Economia Rural do Paraná), com base nas safras mais recentes até 2024 e início de 2025, Guarapuava responde por cerca de 13% de toda a área plantada no estado. Quando se observa a produção, o destaque é ainda maior: entre 15% e 16% de toda a batata colhida no Paraná sai do município.
Esse protagonismo se torna ainda mais relevante quando comparado ao cenário estadual. Atualmente, cerca de 100 dos 399 municípios paranaenses produzem batata, o que representa aproximadamente 25% do total. Ainda assim, é Guarapuava que lidera com folga, impulsionada principalmente pela produtividade.
Produtividade acima da média
Segundo o técnico do Deral, Dirlei Manfio, esse desempenho pode ser observado diretamente nas lavouras.

“Nós temos um exemplo bem claro aqui atrás de nós: uma área de batata bem saudável, toda irrigada e de alta tecnologia. São produtividades em torno de 39 a 40 toneladas por hectare, podendo ultrapassar 45 toneladas em condições mais favoráveis”, explicou, ao lado de uma plantação de batata no distrito de Entre Rios, em Guarapuava, durante entrevista ao Atento News.
O desempenho acima da média estadual está ligado à combinação de clima favorável e investimento em tecnologia no campo. Na prática, isso significa produzir mais na mesma área, com maior eficiência.
Produção ao longo de todo o ano
A organização da produção também contribui para esse resultado. A cultura da batata no Paraná é dividida em duas safras ao longo do ano. A primeira ocorre entre agosto e meados de novembro. Já a segunda começa entre novembro e dezembro e segue até fevereiro, com colheitas que podem se estender até maio, dependendo da época do plantio.
“A primeira (safra) vai de agosto até meados de novembro. Já a segunda começa entre novembro e dezembro e segue até fevereiro. Em muitos casos, a colheita pode se estender até maio, dependendo da época do plantio”, explica Dirlei Manfio.
Outro diferencial importante da bataticultura na região é o plantio escalonado. Ao longo de cerca de sete meses, entre agosto e fevereiro, os produtores mantêm o cultivo ativo, o que garante abastecimento contínuo do mercado e reduz oscilações na oferta.
Peso na economia regional
Além do desempenho no campo, a cultura da batata tem peso direto na economia de Guarapuava. Atualmente, é a quarta atividade mais importante do valor bruto da produção agropecuária do município, atrás da soja, da avicultura e dos produtos florestais, e representa cerca de 10% de toda a riqueza gerada no campo.
O impacto também se estende para além dos limites do município. O núcleo regional de Guarapuava, que reúne outros dez municípios nos levantamentos do Deral, concentra quase um terço de toda a produção de batata do Paraná, reforçando a importância da região como polo produtivo.
Queda nos preços e impacto no plantio
Apesar dos números positivos, o cenário recente tem imposto desafios aos produtores. A combinação de preços mais baixos com custos elevados de produção tem afetado diretamente o planejamento das lavouras.
Nos últimos dois anos, o mercado da batata passou por forte oscilação. Em 2024, houve períodos de valorização mais expressiva, com a saca de 25 quilos chegando a ultrapassar os R$ 100 em alguns momentos, o que incentivou o aumento da área plantada.
Já ao longo de 2025, os preços recuaram de forma significativa. Em meses como janeiro, a saca chegou a ser comercializada por cerca de R$ 27, valor considerado baixo frente aos custos de produção.
Em 2026, o cenário ainda apresenta instabilidade. No início do ano, os preços seguiram pressionados, com médias próximas de R$ 23 a R$ 26 nos primeiros meses. Mais recentemente, houve uma leve recuperação, com a saca voltando para a faixa dos R$ 30 a R$ 36.
Mesmo assim, os valores ainda são considerados insuficientes por parte dos produtores, especialmente diante dos custos com insumos, irrigação, mão de obra e tecnologia.
“No ano passado, Guarapuava registrou cerca de 3.620 hectares cultivados com batata, somando as duas safras. Já neste ano, houve redução de quase 3%, chegando a aproximadamente 3.540 hectares”, afirma o técnico do Deral, Dirlei Manfio.
“Essa queda está relacionada à baixa remuneração e ao alto custo de produção, o que tem levado parte dos produtores a reduzir ou até deixar a atividade.”
Segundo Manfio, esse cenário afeta principalmente produtores que entraram recentemente na cultura, em períodos de preços mais elevados, e que agora enfrentam dificuldade para se manter na atividade. Já os produtores mais tradicionais tendem a permanecer, mesmo diante das oscilações do mercado.
Do campo à indústria
A cadeia produtiva da batata também vai além do consumo direto. Parte significativa da produção é destinada à indústria, onde passa por processamento antes de chegar ao consumidor final.
“Parte da batata é destinada à indústria, onde é transformada em produtos como batata palha e batata pré-frita congelada, então ela tem esse direcionamento para duas funções”, explica o técnico.
Esse processo amplia o alcance da produção de Guarapuava, que abastece não apenas o mercado paranaense, mas também outros estados.
Reconhecimento oficial
O protagonismo da cultura no município também começou a ganhar reconhecimento formal. No dia 20 de março de 2026, foi aprovado na Assembleia Legislativa do Paraná o projeto de lei 584/2025, de autoria da deputada estadual Cristina Silvestri (PP), que concede a Guarapuava o título de Capital da Batata Inglesa. A proposta passou por dois turnos.
“Guarapuava é, sem dúvida, a principal referência na produção de batata inglesa no Paraná. Esse reconhecimento valoriza o trabalho dos nossos agricultores e reforça a importância do município para a economia do estado”, afirmou a deputada à comunicação da Alep.