Um médico ginecologista de 81 anos se tornou réu após ser acusado de abusar sexualmente de uma paciente de 24 anos durante um atendimento pela rede pública de saúde em Irati, na região central do Paraná. As informações são do g1.
De acordo com a investigação da Polícia Civil, o médico Felipe Lucas foi indiciado e denunciado pelo crime de violação sexual mediante fraude. Segundo o delegado responsável pelo caso, Luis Henrique Dobrychtop, o profissional teria se aproveitado da posição de confiança para praticar atos libidinosos, utilizando um suposto procedimento clínico como pretexto para o abuso.
A vítima relatou que, durante o exame, o médico realizou “massagens íntimas” sob a alegação de estimular a libido — prática que, conforme apontado na investigação, não possui respaldo médico. Ainda segundo o delegado, o profissional chegou a atender uma ligação pessoal enquanto a paciente estava despida, o que aumentou o constrangimento.
Outro ponto levantado pela polícia é a ausência de registro do atendimento no prontuário eletrônico, o que reforça as suspeitas sobre a conduta do médico. Diferente de consultas anteriores, não houve anotações clínicas, anamnese ou solicitação de exames na data do fato.
O caso aconteceu no início de fevereiro, e a denúncia foi formalizada cerca de uma semana depois. A vítima justificou o intervalo pelo abalo emocional e pela tentativa inicial de lidar com a situação. A decisão de procurar a polícia ocorreu após ela confirmar com outros profissionais de saúde que os procedimentos realizados não eram comuns.
Durante as investigações, foram ouvidas testemunhas, profissionais da área da saúde, a vítima e o marido. O filho da mulher, de cinco anos, que estava no local no momento do atendimento, também passou por escuta especializada.
Diante da gravidade do caso, a polícia solicitou o afastamento do médico das funções públicas e a suspensão do exercício profissional. O pedido foi reforçado pelo Ministério Público do Paraná e aguarda decisão da Justiça.
Em nota, a defesa do médico afirmou que ele “nega veementemente” qualquer prática irregular e disse que os esclarecimentos serão apresentados no processo judicial.
O Consórcio Intermunicipal de Saúde (CIS) Amcespar informou que o profissional pediu afastamento temporário das atividades desde 9 de abril. Já o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) afirmou que irá instaurar sindicância para apurar o caso.
Felipe Lucas é médico desde 1975, com especialização em ginecologia e obstetrícia, e também tem trajetória política, tendo sido vereador, prefeito de Irati e deputado estadual.