O julgamento de Pedro de Oliveira Garcia, conhecido como “Bugre”, acusado de atropelar e arrastar Richard Rhuan Lopes de Lara, de 9 anos, foi retomado por volta das 13h desta terça-feira (1º), no Tribunal do Júri de Guarapuava, após o intervalo para o almoço.
A sessão começou por volta das 10h, cerca de uma hora depois do horário previsto. Antes do início, o juiz reservou um período para que os jurados fizessem a leitura de peças do processo.
Durante a manhã, seis testemunhas foram ouvidas, entre elas a mãe de Richard e uma mulher que estava no carro com Pedro no momento do atropelamento. O próprio réu também foi interrogado e respondeu aos questionamentos feitos pela defesa.
Com a retomada dos trabalhos nesta tarde, o julgamento avança para a fase dos debates entre acusação e defesa. Na sequência, haverá espaço para réplica e, caso seja utilizada, tréplica. Posteriormente, caberá ao Conselho de Sentença decidir sobre a acusação levada a julgamento.
Júri é formado por sete homens
O Conselho de Sentença é composto por sete homens. O julgamento tem público modesto, com uma fileira de espectadores ocupada por familiares e conhecidos da vítima.
Richard não participa da sessão.
Pedro acompanha o julgamento na área destinada ao réu, ao lado das quatro advogadas que atuam na defesa. Também participam da sessão a promotora do Ministério Público e duas advogadas assistentes de acusação.
Seis testemunhas foram ouvidas
A fase de depoimentos ocorreu durante a manhã. Ao todo, seis testemunhas foram ouvidas.
Entre elas está a mãe de Richard, cujo depoimento era considerado pela assistência de acusação um dos mais aguardados do julgamento.
Também foi ouvida uma mulher que estava no carro com o acusado no dia do atropelamento. Durante o depoimento, ela relatou que Pedro havia ingerido bebida alcoólica e que chegou a pedir para que ele parasse o veículo, mas, segundo o relato apresentado em plenário, ele continuou acelerando.
O contexto apresentado durante a sessão é de que Pedro havia inaugurado um bar e estava com a mulher no carro no dia seguinte à inauguração.
Policiais militares também prestaram depoimento, incluindo um dos agentes que participou da prisão do acusado após o atropelamento.
Réu diz que não viu Richard e explica fuga
Pedro também foi interrogado antes do intervalo para o almoço.
Ao responder aos questionamentos feitos pela defesa, o réu afirmou que não teve intenção de atropelar Richard e que não viu o menino.
Pedro também falou sobre ter deixado o local após o atropelamento. Segundo ele, a fuga ocorreu porque teve medo de ser linchado.
As declarações do acusado, assim como os depoimentos prestados pelas testemunhas e as demais provas do processo, integram o conjunto de elementos que será analisado pelos jurados.
MPPR sustenta tentativa de homicídio com três qualificadoras
A promotora Lorena Albuquerque, do Ministério Público do Paraná (MPPR), explicou à reportagem que a acusação envolve tentativa de homicídio qualificado e crimes relacionados ao trânsito.
Segundo a promotora, o Ministério Público acusa Pedro de tentativa de homicídio com três qualificadoras: emprego de recurso que teria dificultado a defesa da vítima, meio cruel e o fato de a vítima ser menor de 14 anos.
Além disso, são analisadas no julgamento acusações relacionadas à embriaguez ao volante, direção sem habilitação, fuga do local e omissão de socorro.
O julgamento deverá definir se as acusações apresentadas contra Pedro serão reconhecidas pelos jurados.
Assistência de acusação busca condenação
A advogada Edi França, assistente de acusação, afirmou que atua no julgamento representando a família e a vítima.
Segundo ela, a acusação trabalha com as provas reunidas no processo e busca demonstrar as circunstâncias do atropelamento e as consequências sofridas por Richard.
“Nós estamos aqui hoje representando a família, representando essa vítima e nós estamos, aos moldes da denúncia, trabalhando com as provas, com o acervo probatório”, afirmou.
A advogada disse ainda que a assistência de acusação busca a condenação do réu nos termos da acusação apresentada ao júri.
Defesa sustenta que não houve intenção de matar
A defesa, por outro lado, pretende convencer os jurados de que o caso não configura tentativa de homicídio.
A advogada Elaine Tramontin Silveira, que atua na defesa de Pedro, afirmou à reportagem que a tese é de desclassificação para lesão corporal culposa.
Segundo a defensora, Pedro não teve intenção de atingir ou matar Richard.
“A gente trabalha com a tese da desclassificação para o crime de lesão corporal culposa, no qual ele realmente não teve a intenção de atingir, ele não teve a intenção de matar o Richard”, afirmou.
Elaine ressaltou, no momento da entrevista, que os debates ainda não haviam começado e, por isso, a defesa não poderia antecipar todos os argumentos que serão apresentados em plenário.
Relembre o atropelamento
O caso ocorreu na tarde de 6 de dezembro de 2025, na Rua Petrarca, no Jardim das Américas, em Guarapuava.
Richard, então com 9 anos, andava de bicicleta quando foi atingido por um GM/Monza e acabou sendo arrastado pela via.
Imagens de câmeras de segurança registraram o menino andando de bicicleta pela lateral da rua e, na sequência, sendo atingido pelo veículo.
Segundo a acusação, Pedro dirigia sob influência de álcool, não possuía habilitação e trafegava pela contramão. A acusação sustenta que, diante das circunstâncias, ele teria assumido o risco de provocar a morte da criança.
Após o atropelamento, conforme os autos, o motorista deixou o local sem prestar socorro. Richard foi socorrido pelos próprios familiares.
O Monza foi posteriormente localizado abandonado na Avenida Professor Pedro Carli, na Vila Carli. Pedro foi encontrado pela Polícia Militar por volta de 1h30 do dia seguinte, horas depois do atropelamento.
Menino teve cerca de 30% do corpo atingido por queimaduras
Richard sofreu ferimentos graves e inicialmente foi levado para a UPA Batel.
Na época, familiares relataram ao Atento News que o menino apresentava ferimentos no peito, braço, costas, perna, cabeça e mãos.
No dia seguinte, a Prefeitura de Guarapuava informou que a criança seria transferida para o Hospital Mackenzie, em Curitiba, para atendimento especializado.
Segundo as informações divulgadas naquele período, cerca de 30% do corpo de Richard havia sido atingido por queimaduras provocadas pelo arrastamento. Na ocasião, não haviam sido identificadas fraturas ou lesões internas.
Defesa já havia pedido desclassificação da acusação
A denúncia contra Pedro foi apresentada em dezembro de 2025. Após a fase de instrução, a Justiça decidiu, em 24 de março de 2026, que havia elementos para que o acusado fosse submetido ao Tribunal do Júri.
A decisão de pronúncia não representou uma condenação. Ela determinou que a acusação de crime doloso contra a vida fosse analisada pelo Conselho de Sentença.
Ainda naquela fase, a defesa pediu que a acusação de tentativa de homicídio fosse desclassificada para lesão corporal culposa na direção de veículo automotor. A tese volta a ser defendida no julgamento desta terça-feira.
Debates ocorrem nesta tarde
Com a sessão retomada às 13h, o julgamento entra agora em uma das principais etapas.
No decorrer da tarde, acusação e defesa apresentam seus argumentos aos sete jurados. Depois dos debates iniciais, está prevista a possibilidade de réplica pela acusação e, caso ocorra, de tréplica pela defesa.
Concluída essa fase, o julgamento seguirá para as etapas finais, quando os jurados serão chamados a decidir sobre os quesitos apresentados no processo.