Rio Iguaçu passa dos 6,20 metros e cheia atinge mais de 500 residências em União da Vitória

Balanço atualizado às 19h deste domingo (13) aponta 522 residências atingidas, 314 pessoas em abrigos públicos e cerca de 1,8 mil acolhidas por parentes e amigos; município mantém atendimento às famílias e acompanha a elevação do rio.
Rio Iguaçu passou dos 6,20 metros e a cheia atingiu centenas de residências em parte de União da Vitória neste domingo (13). Foto: Cleo Ferreira/ Atento News
Rio Iguaçu passou dos 6,20 metros e a cheia atingiu centenas de residências em parte de União da Vitória neste domingo (13). Foto: Cleo Ferreira/ Atento News

A cheia do Rio Iguaçu atingiu 522 residências em União da Vitória até a noite deste domingo (13), enquanto o nível do rio permaneceu acima dos 6,20 metros. De acordo com informações atualizadas às 19h pela Defesa Civil e pela Secretaria Municipal de Assistência Social, 94 famílias haviam sido retiradas com auxílio da Defesa Civil, 314 pessoas estavam em abrigos públicos e aproximadamente 1,8 mil estavam acolhidas em casas de parentes e amigos. A reportagem do Atento News acompanhou durante o dia a situação nas áreas atingidas, visitou um dos abrigos e conversou com moradores que precisaram deixar suas casas.

Rio subiu ao longo deste domingo

O acompanhamento realizado durante este domingo mostrou a continuidade da elevação do Iguaçu.

Pela manhã, o nível estava em aproximadamente 6,15 metros. No fim do dia, já chegava a cerca de 6,25 metros.

A diferença de aproximadamente dez centímetros ao longo de algumas horas representa impactos principalmente nas áreas mais baixas, onde o avanço da água já alcançou ruas e residências.

Durante a cobertura, a reportagem encontrou pontos onde vias estavam completamente alagadas e acessos às casas haviam sido interrompidos. Em uma das regiões visitadas, moradores utilizavam barco para conseguir entrar e sair.

A cheia atinge parte de União da Vitória e não significa que toda a cidade esteja alagada.

522 residências atingidas

O balanço das 19h deste domingo aponta:

  • 522 residências atingidas;
  • 94 famílias retiradas com auxílio da Defesa Civil;
  • 314 pessoas em abrigos públicos;
  • aproximadamente 1.800 pessoas acolhidas em casas de parentes e amigos.

Ao longo do dia, os números foram sendo atualizados conforme o avanço da situação e o atendimento às famílias.

Mais cedo, por volta do meio-dia, informações oficiais apontavam 274 famílias removidas e 210 pessoas em abrigos públicos. O balanço divulgado à noite passou a apresentar os dados consolidados pela Defesa Civil e Secretaria Municipal de Assistência Social nos critérios informados pelos órgãos.

Famílias deixam as casas e seguem para abrigos

Parte dos moradores que precisaram sair das áreas atingidas foi encaminhada para espaços públicos preparados para recebê-los.

A reportagem esteve em um dos ginásios utilizados como abrigo e acompanhou a rotina de famílias que levaram para o local roupas, colchões e outros pertences retirados das residências.

Entre os moradores está José William Bueno, de 23 anos, que deixou a casa onde vive com a esposa depois que a água começou a se aproximar.

Ele conseguiu retirar parte dos pertences e recebeu auxílio da Defesa Civil para levar outros objetos. Agora, aguarda no abrigo a possibilidade de retornar para casa.

Além dos impactos da cheia, José William enfrenta outra dificuldade. Servente de pedreiro, ele está afastado do trabalho depois de sofrer uma picada de aranha-marrom que atingiu um dos dedos.

Morador enfrenta novamente os impactos de uma cheia

No mesmo abrigo, a reportagem conversou com João Bueno, catador de materiais recicláveis, que também precisou deixar a residência.

Além de estar temporariamente fora de casa, ele não consegue trabalhar neste momento.

Para João, a situação traz de volta uma experiência recente. Ele relatou ter enfrentado perdas durante a enchente de 2023 e agora volta a conviver com os impactos provocados pela elevação do Iguaçu.

Os relatos mostram como a cheia interfere não apenas nas residências, mas também na rotina e no trabalho das famílias atingidas.

Moradores adaptam rotina à elevação do Iguaçu

Em outra área visitada pela reportagem, o acesso de carro já não era possível.

Uma moradora que vive há cerca de 40 anos nas proximidades do rio contou que a família acompanha constantemente a elevação do nível e já precisou adaptar a própria residência à realidade das cheias.

A casa ganhou um andar superior, utilizado também para levar móveis e pertences quando existe risco de a água avançar. Com o acesso pela rua comprometido, um barco disponível na vizinhança também auxilia no deslocamento.

A moradora relembrou a enchente de 2023 e afirmou que a família permanece acompanhando o comportamento do rio.

União da Vitória tem histórico de grandes cheias

A relação de União da Vitória com as elevações do Rio Iguaçu é histórica.

Os dados do monitoramento apresentados durante a cobertura mostram que a maior marca registrada entre as enchentes históricas relacionadas é a de 1983, quando o rio chegou a 10,42 metros.

Em 1992, foram 8,90 metros. Na enchente de 2023, o nível alcançou 8,37 metros. Em 2014, chegou a 8,12 metros, enquanto em 2019 foram registrados 7,82 metros.

O nível deste domingo permanece abaixo dessas grandes marcas históricas, mas já é suficiente para atingir áreas mais baixas do município e provocar a retirada de moradores.

Autoridades discutem atendimento às famílias

Além do trabalho nas áreas atingidas, autoridades políticas e representantes de órgãos envolvidos nas ações de emergência se reuniram neste domingo, na 6ª Regional de Saúde, para discutir a situação do município e a atuação diante da cheia.

Em entrevista à reportagem, o prefeito Ary Carneiro Junior afirmou que o atendimento envolve equipes municipais e estaduais, Defesa Civil, forças de segurança, voluntários e integrantes da iniciativa privada.

Segundo ele, centenas de remoções já haviam sido realizadas ao longo da mobilização.

O prefeito destacou ainda que, até o momento da entrevista, não havia registro de vítimas.

Município aguardava análise para decreto de situação de emergência

Durante a entrevista, Ary Carneiro Junior informou que os procedimentos relacionados ao decreto de situação de emergência haviam sido encaminhados para análise da Defesa Civil Estadual.

Segundo o prefeito, a documentação foi repassada no fim da tarde de sábado (12) e dependia da avaliação realizada em Curitiba antes do avanço do procedimento pelo município.

Ary explicou que a situação de emergência permite ao poder público adotar procedimentos específicos para a aquisição de bens necessários ao enfrentamento da situação, mantendo as exigências de controle e prestação de contas.

O prefeito afirmou ainda que União da Vitória recebe suporte da Defesa Civil Estadual para conduzir os procedimentos.

Sexta-feira teve chuva intensa e vendaval

A cheia ocorre depois de dias de instabilidade no município.

Durante a entrevista deste domingo, o prefeito relatou que 28 milímetros de chuva caíram em aproximadamente 15 minutos na sexta-feira (11).

Ele também mencionou ocorrências relacionadas a vendaval, danos em barracões empresariais e problemas em estradas.

Neste domingo, enquanto o Rio Iguaçu permaneceu acima dos 6,20 metros, equipes continuaram mobilizadas no atendimento às famílias e no acompanhamento das áreas atingidas.

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