Cheia das Cataratas do Iguaçu chega a 15,8 milhões de litros por segundo e água passa sobre passarela interditada

Volume registrado nesta quarta-feira (14) é mais de dez vezes superior à média histórica e o maior de 2026 até agora. Grades de proteção foram retiradas para evitar danos à estrutura; cheia também afeta famílias na região da fronteira.
Vazão das Cataratas do Iguaçu chegou a 15,8 milhões de litros por segundo nesta quarta-feira (14), e a água avançou sobre a passarela de observação, interditada desde domingo (11). (Foto: Reprodução/ Redes Sociais
Vazão das Cataratas do Iguaçu chegou a 15,8 milhões de litros por segundo nesta quarta-feira (14), e a água avançou sobre a passarela de observação, interditada desde domingo (11). (Foto: Reprodução/ Redes Sociais

A cheia das Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, ganhou ainda mais força nesta quarta-feira (14). A vazão chegou a 15,8 milhões de litros de água por segundo, mais de dez vezes a média histórica de 1,5 milhão, e a correnteza passou sobre a passarela de observação, que já estava interditada. O volume é o maior registrado em 2026 até agora.

A passarela principal está fechada para os visitantes desde domingo (11), quando o aumento da vazão levou à adoção de medidas de segurança. Na terça-feira (13), equipes do Parque Nacional do Iguaçu começaram a retirar as grades de proteção da estrutura, diante da previsão de que o nível da água continuaria subindo.

Veja as imagens e entenda a cheia

O jornalista William Batista também reuniu imagens gravadas por turistas e explicações sobre o aumento da vazão, a retirada das grades, a situação das famílias atingidas e o comportamento dos rios na região.

A reportagem em vídeo está disponível no canal William Batista TV, no YouTube.

Por que as grades da passarela foram retiradas?

Embora pareça contraditório retirar as grades justamente durante uma cheia, o procedimento ajuda a proteger a passarela.

Segundo a Urbia Cataratas, concessionária responsável pela visitação turística do parque, a correnteza pode carregar galhos, troncos e outros materiais, que acabam presos nas proteções metálicas. Com isso, a água encontra mais resistência para passar e exerce maior pressão sobre a estrutura.

A retirada preventiva das grades facilita a passagem da água e reduz o risco de danos. O trabalho é realizado pelas equipes de operação e segurança do parque, principalmente por bombeiros civis.

A última vez que o procedimento havia sido necessário foi em 2023, quando a vazão atingiu 13,7 milhões de litros por segundo.

Parque continua aberto para visitantes

Apesar das imagens impressionantes da água avançando sobre a passarela, o Parque Nacional do Iguaçu não está totalmente fechado.

A Trilha das Cataratas permanece aberta nos trechos liberados, permitindo que os turistas observem as quedas a partir de pontos considerados seguros.

O acesso à passarela principal, no entanto, continua proibido. A reabertura depende da redução da vazão e da avaliação das condições de segurança da estrutura.

Maior vazão do ano ainda está abaixo do recorde histórico

A marca de 15,8 milhões de litros por segundo representa o maior volume registrado nas Cataratas do Iguaçu em 2026 até esta quarta-feira.

Para comparação, em condições normais, a vazão média é de aproximadamente 1,5 milhão de litros por segundo.

Apesar da cheia, o volume ainda está abaixo do recorde histórico de 2014, quando a vazão chegou a cerca de 46 milhões de litros por segundo.

A vazão representa a quantidade de água que passa por determinado ponto do rio em um intervalo de tempo. Por isso, os números divulgados para as cataratas indicam quantos litros atravessam aquele trecho a cada segundo.

Cheia também afeta famílias na fronteira

O aumento do volume de água não preocupa apenas dentro do parque. A cheia também atinge áreas próximas aos rios Iguaçu e Paraná, na região da tríplice fronteira.

Segundo informações divulgadas pela Itaipu Binacional, com dados da Defesa Civil, cinco famílias precisaram deixar suas casas na Vila Bancária, em Foz do Iguaçu. Outras residências seguem sendo acompanhadas pelas equipes responsáveis.

No Paraguai, moradores de comunidades próximas ao Rio Paraná também foram afetados. No bairro San Rafael, em Ciudad del Este, 183 famílias haviam sido levadas para locais seguros até terça-feira (13), conforme as informações apresentadas pela Itaipu.

A previsão divulgada pela empresa nesta quarta-feira indica que o nível do Rio Paraná pode começar a baixar a partir de sábado (17), dependendo das condições meteorológicas e do comportamento dos rios.

De onde vem tanta água?

O volume que chega às Cataratas do Iguaçu é resultado das chuvas registradas ao longo da bacia do Rio Iguaçu, que nasce na Região Metropolitana de Curitiba e atravessa o Paraná até chegar à fronteira com a Argentina.

Durante esse percurso, o rio recebe água de diversos afluentes. Assim, chuvas intensas em cidades distantes de Foz do Iguaçu também podem contribuir para o aumento da vazão nas cataratas.

O encontro do Rio Iguaçu com o Rio Paraná também influencia a situação da cheia na fronteira. Quando os níveis dos rios estão elevados, pode ocorrer o chamado efeito remanso, que dificulta o escoamento da água e contribui para a elevação do nível em determinados trechos.

Esse fenômeno ajuda a explicar por que a cheia precisa ser acompanhada não apenas nas cataratas, mas também nas comunidades próximas aos dois rios.

Com informações do g1, Urbia Cataratas e Itaipu Binacional.

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