A chuva intensa que atingiu Guarapuava neste sábado (24) provocou alagamentos em diferentes regiões da cidade, deixou residências tomadas pela água e mobilizou equipes da Defesa Civil e da Assistência Social para atender aproximadamente 80 famílias. Os bairros Jardim das Américas e Industrial, além do distrito de Entre Rios, concentraram as situações mais graves. Em Entre Rios, quatro famílias se recusaram a deixar suas casas, mesmo com os imóveis completamente alagados. O relatório oficial também registra 40 pessoas acolhidas em abrigos durante a emergência.
O volume de chuva ajuda a explicar a dimensão das ocorrências. Até as 16h30, a estação do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) em Guarapuava havia registrado 87,6 milímetros de precipitação. No distrito de Entre Rios, o acumulado chegou a 127,6 milímetros.
O balanço da situação foi apresentado durante uma coletiva de imprensa realizada na tarde deste sábado, com a participação do secretário municipal de Defesa Social e Mobilidade, Péricles de Matos, e do secretário de Comunicação, Rafael Markus. As informações também constam em um relatório da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil.
Quatro famílias recusaram deixar casas completamente alagadas em Entre Rios
Entre as situações identificadas pelas equipes de emergência, uma das mais preocupantes foi registrada no distrito de Entre Rios.
Segundo o relatório oficial, aproximadamente 10 famílias precisaram de atendimento na localidade em decorrência dos alagamentos.
Desse total, quatro estavam em situação considerada crítica, com as residências totalmente alagadas.
Mesmo diante das condições dos imóveis e dos riscos envolvidos, os moradores dessas quatro famílias recusaram deixar as casas.
A Defesa Civil informou que as equipes permaneceram na região, prestando assistência e orientando os moradores sobre os perigos de continuar em residências atingidas pela água.
O acompanhamento também busca identificar novas necessidades e garantir apoio às famílias afetadas.
A situação exige atenção contínua, principalmente porque os moradores permaneciam em imóveis que, segundo o documento municipal, estavam completamente alagados.
Defesa Civil recebeu cerca de 50 chamadas e realizou atendimentos em diferentes bairros
Ao longo do sábado, a Defesa Civil Municipal recebeu aproximadamente 50 ligações pelo telefone de plantão: (42) 98427-0618.
Além dos acionamentos telefônicos, as equipes realizaram cerca de 80 atendimentos presenciais nas ruas, com visitas a locais afetados, orientações aos moradores e encaminhamento de demandas aos serviços municipais.
O relatório estima que aproximadamente 80 famílias tenham recebido assistência e suporte durante as ações.
Os atendimentos se concentraram principalmente no Jardim das Américas, no Industrial e em Entre Rios, embora outras regiões da cidade também tenham registrado problemas relacionados à chuva.
As equipes atuaram tanto nas residências quanto nas vias atingidas pelos alagamentos.
Moradores buscaram abrigo com parentes e em espaços disponibilizados pelo município
Durante a coletiva, Péricles de Matos informou que aproximadamente 90% das famílias afetadas estavam buscando abrigo na casa de parentes.
Para os moradores que não tinham essa possibilidade, o município mobilizou estruturas de acolhimento.
Por volta das 16h30, cinco famílias, reunindo aproximadamente 40 pessoas, estavam sendo encaminhadas para o Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) da Vila Carli.
No local, equipes da Defesa Civil e da Secretaria Municipal de Assistência Social estavam preparadas para receber e acompanhar as pessoas atingidas.
O secretário também informou que uma família havia sido encaminhada ao albergue noturno da cidade.
O relatório oficial da Defesa Civil registra 40 pessoas acolhidas em abrigos, com atendimento realizado pela Assistência Social.
Os números correspondem às atualizações apresentadas durante o atendimento da emergência e podem sofrer alterações conforme a consolidação dos registros.
Prefeitura afirma que intervenções evitaram alagamentos em pontos considerados críticos
Apesar dos transtornos, a Prefeitura de Guarapuava avalia que o número de ocorrências poderia ter sido maior diante da quantidade de chuva registrada.
Durante a coletiva, o secretário de Comunicação, Rafael Markus, destacou que alguns pontos historicamente afetados por alagamentos apresentaram condições diferentes neste sábado.
Entre os exemplos citados estão a região do Concórdia e a Rua Turíbio Gomes, na Vila Bela.
Segundo Markus, esses locais suportaram o volume de chuva sem registrar os problemas que costumavam ocorrer em situações anteriores.
A administração municipal atribui esse resultado a serviços preventivos realizados na rede de drenagem, incluindo a desobstrução de galerias pluviais, bocas de lobo e bueiros.
As intervenções, conforme a Prefeitura, ajudaram a melhorar o escoamento da água e reduzir os impactos em determinados pontos.
O secretário ponderou, no entanto, que a quantidade de chuva concentrada em um curto período pode superar a capacidade dos sistemas de drenagem existentes.
Algumas áreas podem exigir retirada definitiva de moradores, diz Prefeitura
Outro ponto abordado durante a coletiva foi a situação de regiões que enfrentam alagamentos recorrentes.
Segundo Péricles de Matos, parte das ocorrências acontece em áreas de ocupação próximas às margens de rios e riachos, onde o aumento do nível da água representa risco para as famílias.
Rafael Markus explicou que, em determinados locais, obras pontuais de drenagem não seriam suficientes para solucionar o problema.
Nessas situações, a retirada das famílias das áreas de risco seria necessária para evitar novas ocorrências.
De acordo com o secretário de Comunicação, a Prefeitura ainda estuda alternativas e projetos para essas regiões.
As medidas exigiriam investimentos de milhões de reais, mas não foram informados valores definidos nem prazos para a execução.
Temporal teve características diferentes das chuvas registradas durante as eleições
Péricles de Matos também comparou as ocorrências deste sábado com os atendimentos realizados no primeiro turno das eleições, no início de outubro.
Na ocasião anterior, segundo o secretário, os principais problemas foram os destelhamentos.
Desta vez, as equipes concentraram os atendimentos nos alagamentos.
Até o momento da coletiva, não havia registro de destelhamentos relacionados à chuva deste sábado.
O secretário destacou que ações preventivas realizadas após as ocorrências anteriores, incluindo a distribuição de lonas e telhas, contribuíram para reduzir esse tipo de problema.
Entre Rios teve mais de 127 mm de chuva; outras cidades também registraram volumes elevados
Os dados do Simepar apontam acumulados expressivos em diferentes regiões do Paraná até as 16h30 deste sábado.
Em Guarapuava, foram registrados 87,6 milímetros, enquanto o distrito de Entre Rios acumulou 127,6 milímetros.
Para dimensionar o volume, cada milímetro de chuva equivale a um litro de água por metro quadrado. Em Entre Rios, portanto, a precipitação correspondeu a mais de 127 litros de água por metro quadrado no período medido.
Outros municípios também tiveram registros elevados. Em Pato Branco, o acumulado chegou a 192,4 milímetros. Francisco Beltrão registrou 158,6 milímetros, e Laranjeiras do Sul, 114,4 milímetros.
Em Irati, foram registrados 60,4 milímetros, enquanto Ponta Grossa acumulou 59 milímetros.
Equipes seguem acompanhando áreas atingidas
Até a atualização apresentada durante a coletiva, não havia informações sobre bloqueios ou obstruções em estradas da região de Guarapuava provocados pela chuva.
A previsão informada era de diminuição da incidência de chuva.
A Defesa Civil e a Assistência Social permaneciam mobilizadas no atendimento às famílias, com atenção especial às áreas mais afetadas e às quatro famílias de Entre Rios que recusaram deixar suas residências.
O relatório municipal ressalta que os números são aproximados e poderão ser atualizados conforme os atendimentos forem concluídos e os registros consolidados.