Uma operação conjunta das polícias Civil e Militar mobilizou mais de 180 policiais na manhã desta quinta-feira (29), em Guarapuava, na região Central do Paraná. Batizada de Operação Ponto de Inflexão, a ação tem como alvo suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas, comércio ilegal de armas, receptação de materiais furtados e possíveis ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Ao todo, a Justiça expediu 69 mandados de busca e prisão. Durante o cumprimento das ordens, um dos investigados morreu em confronto com policiais civis no bairro Santa Cruz, segundo a polícia. O suspeito não teve o nome divulgado.
Operação mobiliza helicópteros, cães e equipes das duas polícias
A operação começou nas primeiras horas da manhã, com equipes mobilizadas para cumprir as determinações judiciais em diferentes pontos de Guarapuava.
A ação contou com o apoio de duas aeronaves, uma da Polícia Civil e outra da Polícia Militar, além de 11 operadores com cães.
Dos 69 mandados expedidos pela Justiça, 37 são de busca domiciliar e 32 de prisão. Entre as ordens de prisão, 17 são preventivas, sem prazo previamente definido, e 15 temporárias, utilizadas durante o andamento das investigações.
Até a manhã desta quinta-feira, mais de 17 mandados de prisão haviam sido cumpridos. O número ainda era parcial, já que equipes permaneciam em diligências, inclusive na área rural do município.

Investigação começou após apreensão de celular em maio
De acordo com o delegado Wellington Yuji Daikubara, a investigação teve início em 28 de maio de 2026, após uma abordagem realizada pela Polícia Militar em Guarapuava.
Na ocasião, equipes de inteligência repassaram informações ao Pelotão de Choque sobre um homem suspeito de efetuar disparos de arma de fogo durante a noite.
O suspeito foi localizado em um Jeep Compass que apresentava sinais de adulteração. Segundo o delegado, também havia indicação de que o veículo possuía registro de roubo, informação que não foi confirmada em detalhes durante a entrevista.
Na abordagem, os policiais apreenderam uma pistola calibre .40 e um telefone celular. O aparelho passou a ser analisado pelos investigadores e se tornou uma das principais fontes de informações para a apuração.
As mensagens encontradas, referentes a um período de aproximadamente 40 dias, apontaram possíveis negociações envolvendo diferentes tipos de drogas, além de outras atividades criminosas.
Mensagens revelaram suspeitas de tráfico de drogas, venda de armas e receptação
A análise do celular identificou conversas relacionadas à compra, venda e distribuição de maconha, crack, cocaína e haxixe, além de outras variedades de maconha.
Os investigadores também encontraram indícios de negociação ilegal de armas de fogo, incluindo armamentos de uso restrito.
Outro ponto identificado nas conversas foi a possível receptação de materiais furtados, principalmente fios de cobre. A receptação ocorre quando alguém compra, recebe ou comercializa produtos sabendo que são provenientes de crime.
Segundo a Polícia Civil, as informações permitiram identificar diferentes pessoas que estariam envolvidas nas negociações. Entre os investigados estão suspeitos de atuar diretamente na venda de drogas e outros que podem ter ligação com organizações criminosas.
Polícia investiga possível atuação do PCC e planos de execuções em outras cidades
Um dos pontos considerados mais relevantes da investigação é a suspeita de que parte dos envolvidos tenha ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Conforme o delegado Wellington Yuji Daikubara, as mensagens analisadas indicavam a possível existência de uma célula da facção atuando em Guarapuava.
As conversas também mencionavam planos para executar pessoas em outros municípios, supostamente por determinação do chamado “tribunal do crime”, expressão utilizada para se referir a julgamentos e punições impostos por integrantes de organizações criminosas.
Em uma das situações identificadas, um investigado teria se deslocado até outra cidade com a intenção de matar uma pessoa considerada inimiga do grupo.
A Polícia Civil ressaltou, porém, que não conseguiu confirmar se alguma dessas execuções chegou a ser realizada. As informações fazem parte das suspeitas apuradas e não significam que todos os alvos da operação sejam integrantes do PCC.
Investigado morre em confronto com policiais civis no bairro Santa Cruz
Durante o cumprimento dos mandados, um homem conhecido pelo apelido de Chapoc morreu em um confronto com policiais civis no bairro Santa Cruz, em Guarapuava.
Segundo a versão apresentada pela Polícia Civil, ele era um dos alvos da operação e estava armado com um revólver calibre .38 quando houve a abordagem.
Ainda conforme a polícia, o investigado resistiu à ação, e os agentes efetuaram disparos. O homem foi atingido e morreu no local.
A perícia foi acionada para realizar os procedimentos necessários e analisar as circunstâncias da ocorrência.
Celulares e munições são apreendidos durante a operação
Além das prisões realizadas por determinação judicial, a Polícia Civil informou a apreensão de diversos telefones celulares, munições e do revólver que estava com o homem morto no confronto.
Também foi registrada uma prisão em flagrante por tráfico de drogas durante o cumprimento das ordens.
Os aparelhos celulares estão entre os principais materiais procurados pelos investigadores. A expectativa é que a análise das informações armazenadas neles contribua para identificar outras possíveis ligações entre os suspeitos e esclarecer a atuação dos grupos investigados.