Paralisação de enfermeiros é marcada no Hospital Regional após impasse sobre piso salarial e avisos prévios

Sindicato afirma que cerca de 270 profissionais da enfermagem receberam aviso prévio e denuncia pagamento abaixo do piso nacional da categoria; mobilização está prevista para a próxima terça-feira (2).
Profissionais da enfermagem participaram de uma manifestação em frente ao Hospital Regional, em Guarapuava, na tarde desta sexta-feira (29). Foto: Divulgação/SEESSG
Profissionais da enfermagem participaram de uma manifestação em frente ao Hospital Regional, em Guarapuava, na tarde desta sexta-feira (29). Foto: Divulgação/SEESSG

Uma paralisação dos profissionais da enfermagem está marcada para a próxima terça-feira (2), no Hospital Regional do Centro-Oeste, em Guarapuava. A mobilização foi anunciada pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Guarapuava e Região (SEESSG) após um impasse envolvendo o pagamento do piso nacional da enfermagem, valores retroativos reivindicados pelos trabalhadores e a entrega de avisos prévios aos profissionais que atuam na unidade.

A situação veio a público oficialmente, nesta sexta-feira (29), quando o sindicato divulgou uma nota oficial detalhando as reivindicações da categoria e realizou uma manifestação em frente ao hospital. O ato reuniu profissionais da enfermagem e representantes sindicais para discutir os desdobramentos das negociações e orientar os trabalhadores sobre os próximos passos do movimento.

Segundo o SEESSG, aproximadamente 270 profissionais vinculados à empresa Centro Integrado em Saúde (CIS), responsável pela gestão assistencial do Hospital Regional, receberam aviso prévio. O sindicato afirma que a medida foi adotada em meio às negociações relacionadas ao pagamento do piso nacional da enfermagem.

O que motivou a paralisação

De acordo com a nota divulgada pelo sindicato, a principal reivindicação da categoria é o pagamento integral do piso nacional da enfermagem, previsto na Lei Federal nº 14.434/2022. O SEESSG afirma que os profissionais vêm enfrentando perdas salariais há mais de quatro meses e sustenta que os valores pagos atualmente estariam abaixo do que determina a legislação.

Segundo o sindicato, o problema não afeta apenas os salários mensais, mas também verbas trabalhistas calculadas com base na remuneração, como férias, décimo terceiro salário, adicional constitucional de férias e recolhimentos do FGTS.

A nota afirma que a situação tem gerado prejuízos financeiros aos trabalhadores e aumentado a insegurança entre os profissionais que atuam diariamente no atendimento aos pacientes do Hospital Regional.

Negociações não avançaram

Conforme o sindicato, houve tentativas de acordo entre a empresa e os trabalhadores. Segundo o SEESSG, a CIS apresentou uma proposta para pagamento dos valores retroativos reivindicados pela categoria. A proposta previa o parcelamento dos valores em oito vezes.

Os trabalhadores rejeitaram a oferta.

De acordo com o sindicato, a principal discordância está relacionada à falta de previsão para a implantação do piso nacional da enfermagem nos salários registrados em carteira.

Posteriormente, a categoria apresentou duas contrapropostas.

Arquivo. Foto: Cleo Ferreira/ Atento News

A primeira previa o pagamento de 30% dos valores retroativos como entrada e parcelamento do restante em seis vezes. A segunda propunha o pagamento do valor retroativo em três parcelas, desde que o piso nacional passasse a constar formalmente na carteira de trabalho.

Segundo a entidade, ambas as propostas foram recusadas pela empresa. Sem acordo, os trabalhadores decidiram ampliar a mobilização.

Sindicato afirma que todos os profissionais receberam aviso prévio

Outro ponto que intensificou a tensão entre trabalhadores e empresa foi a entrega de avisos prévios.

Em conversa com a reportagem, o sindicato informou que todos os profissionais da enfermagem vinculados à CIS receberam o documento. O SEESSG afirma que aproximadamente 270 trabalhadores atuam atualmente no Hospital Regional por meio da empresa.

A nota divulgada pelo sindicato diz ainda que os avisos prévios entregues inicialmente teriam apresentado inconsistências.

De acordo com o documento, o título fazia referência a “Aviso Prévio Indenizado”, enquanto o conteúdo mencionava o cumprimento do aviso prévio. Posteriormente, segundo a entidade, os documentos teriam sido alterados.

A situação gerou dúvidas entre os profissionais e aumentou a preocupação em relação ao futuro dos contratos de trabalho.

Sindicato relata pressão sobre trabalhadores

A nota também menciona denúncias recebidas pela entidade relacionadas ao andamento das negociações.

Segundo o sindicato, profissionais relataram que representantes da empresa estariam tentando convencer trabalhadores a aceitar as condições apresentadas durante as tratativas.

A entidade afirma ter recebido relatos de que alguns profissionais teriam sido informados sobre a possibilidade de perder valores retroativos caso não assinassem determinados documentos.

Ainda segundo o sindicato, também houve relatos de trabalhadores que teriam sido informados de que poderiam deixar seus cargos caso não concordassem com as condições apresentadas, uma vez que haveria outras pessoas interessadas em ocupar as vagas.

As informações foram relatadas pelo sindicato. A reportagem aguarda manifestação oficial da empresa. Veja mais abaixo.

Menos de cinco meses após mudança na gestão

O impasse ocorre poucos meses após a mudança na gestão assistencial do Hospital Regional do Centro-Oeste.

A CIS assumiu oficialmente os serviços assistenciais da unidade em janeiro deste ano, após contratação realizada pela Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Paraná (Funeas).

O anúncio da nova gestão ocorreu em 7 de janeiro de 2026, durante visita do secretário estadual da Saúde, Beto Preto, a Guarapuava.

Na ocasião, o Governo do Estado informou que a empresa passaria a ser responsável pela gestão das equipes médicas, de enfermagem e demais serviços assistenciais do hospital. Já a Funeas permaneceria responsável pela gestão administrativa da unidade.

Durante o anúncio da nova fase, o Governo do Estado e representantes da empresa destacaram metas de ampliação dos serviços, aumento da capacidade de atendimento, fortalecimento da estrutura hospitalar e expansão de especialidades médicas.

Na época, a CIS afirmou que assumiria gradativamente os serviços do hospital, incluindo centro cirúrgico, enfermarias, ambulatórios e posteriormente a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), além de ampliar leitos e fortalecer a estrutura interna da unidade.

Paralisação está marcada para terça-feira

Segundo o sindicato, a paralisação está programada para acontecer na próxima terça-feira (2), às 13h, em frente ao Hospital Regional do Centro-Oeste. A entidade informou que, além da mobilização, os trabalhadores também deverão discutir e votar os próximos encaminhamentos do movimento.

Até o momento, não foram divulgadas informações sobre possíveis impactos da paralisação no atendimento da unidade.

Reportagem procurou os envolvidos

A reportagem encaminhou questionamentos à Centro Integrado em Saúde (CIS), responsável pela gestão assistencial do Hospital Regional; à Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Paraná (Funeas), responsável pela gestão administrativa da unidade, por meio da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa).

Foram solicitados esclarecimentos sobre os valores pagos aos profissionais da enfermagem, os retroativos reivindicados pela categoria, os avisos prévios entregues aos trabalhadores, o andamento das negociações e os possíveis impactos da paralisação anunciada para o funcionamento do Hospital Regional.

Até a publicação desta reportagem, nenhum retorno havia sido encaminhado pelas instituições procuradas.

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