Jogar o papel higiênico no vaso sanitário ou colocá-lo na lixeira? Uma situação registrada durante a desobstrução de uma rede de esgoto em Curitiba ajuda a mostrar por que a orientação da Sanepar é para que esse material seja descartado no lixo. Em informações divulgadas nesta quarta-feira (12), a companhia mostrou resíduos retirados de uma tubulação e alertou que o descarte incorreto pode provocar entupimentos e fazer o esgoto transbordar.
O trabalho foi realizado na Rua Deputado Heitor Alencar Furtado, próximo à Rua Paulo Gorski, no bairro Mossunguê, região com muitos edifícios na capital paranaense.
Durante o serviço, o agente operacional da Sanepar Adriano Faria encontrou papel higiênico, lenços umedecidos, preservativos, absorventes e outros materiais que não deveriam estar na rede.
Acostumado a encontrar esse tipo de resíduo durante os trabalhos de desobstrução, o técnico gravou um vídeo, com a ajuda dos colegas, para mostrar o que havia sido retirado da tubulação e pedir que a população faça o descarte correto.
O assunto também foi explicado em um vídeo produzido pelo Atento News, com o repórter William Batista, que reuniu as orientações da Sanepar e informações sobre as diferenças entre o descarte do papel higiênico no Brasil e em outros países.
Papel higiênico pode formar uma massa na rede
No vídeo divulgado pela Sanepar, Adriano Faria mostra parte do material retirado durante o trabalho e explica o que acontece com o papel higiênico depois que ele chega à tubulação.
Segundo o técnico, o papel pode não se desintegrar suficientemente e acabar se acumulando em determinados pontos da rede.
“O papel higiênico não desmancha. Ele forma uma pasta que, em algum ponto da rede, causa a obstrução”, explica.
Esse acúmulo, principalmente quando ocorre junto com outros materiais, pode bloquear a passagem do esgoto. Uma das consequências é o extravasamento, quando o esgoto chega à superfície.
Por isso, a orientação da Sanepar é que o papel higiênico seja descartado no cesto de lixo, e não no vaso sanitário.
Lenços, absorventes e preservativos também foram encontrados
O papel higiênico não foi o único material retirado pela equipe.
O técnico também mostrou lenços umedecidos, absorventes, preservativos e outros resíduos encontrados durante a desobstrução.
A Sanepar orienta que materiais sólidos não sejam lançados pelo vaso sanitário ou pelos demais pontos ligados à rede de esgoto.
Na lista do que não deve ser descartado dessa maneira estão papel higiênico, lenços umedecidos, absorventes, fraldas, cotonetes, fio dental, lâminas de barbear ou depilar, cabelos, restos de comida, areia de gato, cigarros, preservativos, medicamentos, sacolas plásticas, tecidos, papel, papelão, óleo, gorduras, solventes e cera de depilação.
Nos pontos de saída de água das residências, como pias, tanques, chuveiros e máquinas de lavar, a orientação é que siga apenas a água utilizada. No vaso sanitário, devem ser descartados somente dejetos humanos, como fezes, urina e vômito.
Por que em outros países o papel pode ir para o vaso?
A orientação pode gerar dúvida porque jogar o papel higiênico diretamente no vaso sanitário é um hábito comum em outros países.
Esse ponto também foi abordado pela Sanepar e aprofundado no vídeo explicativo produzido pelo Atento News.
Em países como Estados Unidos e Inglaterra, a recomendação é conhecida como a regra dos “três Ps”: pee, poo and paper — urina, fezes e papel.
Segundo as informações divulgadas pela Sanepar, as características das redes e o índice de desintegração do papel durante a descarga permitem esse tipo de descarte nesses locais.
No Brasil, a situação é diferente. Apesar de as tubulações de esgoto terem diâmetros semelhantes, testes citados pela companhia sugerem que os papéis higiênicos brasileiros não se desintegram suficientemente na hora da descarga.
A Sanepar cita uma nota técnica da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), publicada em 2023, ao abordar essa diferença.
Teste comparou papel brasileiro com produtos de outros países
No vídeo produzido pelo Atento News, o repórter William Batista também apresenta informações que ajudam a explicar por que o comportamento do papel pode ser diferente, com base em informações do g1.
Um dos exemplos mostrados é um teste realizado em 2018 pelo engenheiro ambiental Rafael Brochado. O estudo comparou papéis higiênicos produzidos no Brasil com produtos fabricados em países como Colômbia, Espanha e França.
O teste utilizou máquinas de turbulência para simular a passagem do papel pelo encanamento.
Em um dos comparativos apresentados no vídeo, o papel produzido na Espanha aparece bastante fragmentado depois do teste, enquanto a amostra brasileira permanece mais inteira.
O conteúdo também explica que o papel higiênico é feito de celulose e não chega propriamente a se dissolver na água. O que ocorre é a sua desintegração em fragmentos, e a facilidade com que isso acontece interfere no comportamento do material dentro da tubulação.
As informações apresentadas ajudam a explicar por que um hábito comum em determinados países não necessariamente deve ser adotado no Brasil.
Óleo e restos de alimentos também não devem ir para a rede
A orientação da Sanepar não se limita aos materiais descartados pelo vaso sanitário.
A rede de esgoto também não é projetada para receber restos de alimentos e óleo de fritura.
Nas pias, as caixas de gordura ajudam a evitar que esses resíduos sigam diretamente para a tubulação. No caso do óleo usado, a orientação é colocá-lo em garrafas plásticas e encaminhá-lo a locais que recebam esse tipo de material. O produto pode ser reaproveitado, inclusive, na fabricação de sabão.
O que não deve ser descartado na rede de esgoto
Segundo a Sanepar, não devem ser lançados nos pontos de saída dos imóveis:
- papel higiênico;
- lenços umedecidos;
- absorventes;
- fraldas;
- cotonetes;
- fio dental;
- lâminas de barbear ou depilar;
- cabelo;
- restos de comida;
- areia de gato;
- cigarros;
- preservativos;
- medicamentos;
- sacolas plásticas;
- tecidos;
- papel e papelão;
- óleo e outras gorduras;
- solventes;
- cera de depilação.
A situação encontrada em Curitiba mostra, na prática, o que pode acontecer quando esses resíduos chegam à tubulação. O material pode se acumular, dificultar a passagem do esgoto e provocar entupimentos.
A orientação da Sanepar é, portanto, manter o vaso sanitário restrito aos dejetos humanos e fazer o descarte dos demais resíduos de forma adequada.