Homem acusado de atropelar e arrastar menino de 9 anos em Guarapuava será levado a júri; caso ocorreu em dezembro de 2025

Richard Lopes Ruan de Lara foi atingido enquanto andava de bicicleta no Jardim das Américas e sofreu graves ferimentos. Segundo a acusação, réu dirigia sem habilitação, sob efeito de álcool e entrou na via pela contramão.

O homem acusado de atropelar e arrastar Richard Rhuan Lopes de Lara, de 9 anos, no Jardim das Américas, em Guarapuava, será levado ao Tribunal do Júri na próxima terça-feira (1º de setembro). O julgamento de Pedro de Oliveira Garcia, conhecido como “Bugre”, está marcado para começar às 9h, no plenário do Tribunal do Júri de Guarapuava.

O caso ocorreu em 6 de dezembro de 2025, quando Richard andava de bicicleta pela Rua Petrarca e foi atingido por um GM/Monza. Segundo a acusação, Pedro conduzia o veículo sob influência de álcool, não possuía habilitação e trafegava pela contramão.

A criança sofreu graves ferimentos e posteriormente precisou ser transferida para atendimento especializado em Curitiba.

Nesta semana, a advogada Sarah Bayer Ferraz, que atua na acusação juntamente com a advogada Edi França, procurou a reportagem e informou sobre a realização do Tribunal do Júri.

O que será julgado

Pedro será levado ao júri por cinco fatos descritos no processo: embriaguez ao volante; direção sem habilitação; tentativa de homicídio qualificado; omissão de socorro; e fuga do local do acidente.

A principal acusação é de homicídio qualificado na modalidade tentada. Conforme os autos, a acusação sustenta que Pedro, mesmo diante da possibilidade de provocar a morte da criança, assumiu o risco de produzir esse resultado e seguiu com a ação.

Além da tentativa de homicídio, serão analisadas no mesmo julgamento as demais acusações relacionadas ao episódio. Isso ocorre porque o Tribunal do Júri é competente para julgar os crimes dolosos contra a vida e também os crimes conexos ao caso.

Atropelamento aconteceu no Jardim das Américas

Imagens de câmeras de segurança registraram Richard andando de bicicleta pela lateral da rua. Na sequência, um Monza atingiu o menino, que acabou sendo arrastado pela via.

Na ocasião, testemunhas relataram à Polícia Militar que o veículo passou sobre a criança e a arrastou antes de deixar o local sem prestar socorro.

Em outra gravação obtida na época, o carro aparecia passando por outra rua cerca de um minuto antes do atropelamento.

De acordo com os autos, o atropelamento ocorreu às 15h37, na Rua Petrarca. A acusação afirma que Pedro dirigia na contramão e que, diante das circunstâncias, teria assumido o risco de causar a morte da criança.

Embriaguez e direção sem habilitação também estão entre as acusações

O processo detalha separadamente as circunstâncias que antecederam o atropelamento.

Em relação à acusação de embriaguez ao volante, consta nos autos que Pedro conduzia o Monza sob influência de álcool. Segundo o documento, quando foi localizado posteriormente pela polícia, apresentava sinais descritos como andar cambaleante, olhos vermelhos e confusão mental.

Outro fato que será analisado é a condução de veículo sem habilitação. Conforme a acusação, Pedro não possuía permissão para dirigir nem carteira de habilitação e conduziu o carro pela contramão da Rua Petrarca.

Acusação aponta omissão de socorro e fuga

Pedro também será julgado pelas acusações de omissão de socorro e fuga do local.

Segundo os autos, após atingir Richard, o motorista teria deixado de prestar socorro e saído do local. A criança acabou sendo socorrida pelos próprios familiares.

O Monza foi posteriormente localizado abandonado na Avenida Professor Pedro Carli, na Vila Carli. Pedro foi encontrado pela polícia andando em via pública por volta de 1h30 do dia 7 de dezembro, horas depois do atropelamento.

Menino sofreu graves ferimentos

Depois do atropelamento, Richard foi encaminhado para a UPA Batel, onde permaneceu recebendo atendimento. No dia seguinte, familiares relataram ao Atento News que o menino apresentava ferimentos no peito, braço, costas, perna, cabeça e mãos.

A mãe, Josiane Terezinha Lopes, contou à reportagem que o filho havia acabado de sair de casa para brincar quando ocorreu o atropelamento. Segundo o relato dela, a família ouviu o impacto e saiu de casa. A mãe afirmou que pediu para que o motorista parasse, mas o veículo continuou e o menino foi arrastado.

“Nós gritamos pro homem parar, pra gente poder tirar ele debaixo do carro. Mas o homem pegou e levou pra trás e acelerou e foi arrastando meu filho longe.”

Richard foi transferido para Curitiba

No dia 7 de dezembro de 2025, a Prefeitura de Guarapuava informou que Richard seria transferido para o Hospital Mackenzie, em Curitiba, para atendimento especializado.

Na ocasião, o secretário de Saúde, Guto Klosowski, informou que o menino apresentava ferimentos provocados pelo arrastamento e que cerca de 30% do corpo havia sido atingido por queimaduras.

Segundo as informações divulgadas naquele momento, não foram identificadas fraturas nem lesões internas.

A transferência foi organizada depois que o caso foi inserido na Central de Leitos do Estado. Posteriormente, a Prefeitura confirmou a abertura de uma vaga e informou que o transporte seria realizado por meio aeromédico.

Processo chegou ao Tribunal do Júri

A denúncia contra Pedro foi apresentada em 12 de dezembro de 2025 e recebida pela Justiça no mesmo dia. Depois da fase de instrução, com depoimentos de testemunhas e interrogatório do acusado, o processo avançou para a decisão sobre a realização do júri.

A decisão de pronúncia foi proferida em 24 de março de 2026. Nela, a Justiça entendeu que havia prova da materialidade e indícios suficientes de autoria para que Pedro fosse submetido ao julgamento pelo Tribunal do Júri. A decisão não representa uma condenação: caberá ao julgamento analisar as acusações levadas a plenário.

Durante essa fase do processo, a defesa pediu que a acusação de tentativa de homicídio fosse desclassificada para lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, o que afastaria a competência do Tribunal do Júri. O pedido consta das alegações finais apresentadas pela defesa antes da decisão de pronúncia.

Júri terá testemunhas da acusação

Para a sessão de terça-feira, o Ministério Público indicou quatro testemunhas consideradas imprescindíveis. A assistência de acusação indicou outras cinco, sendo que uma delas, a mãe de Richard, também consta na relação do Ministério Público. A defesa não arrolou testemunhas para o julgamento.

Entre as pessoas indicadas para serem ouvidas estão Josiane Terezinha Lopes, mãe de Richard, além de Emerson Castilho Ribas, Juliano Kloda, Kelli Cristina Fernandes Lino, Elso de Jesus de Lara, Silvana Correia de Quadros, Izau Ribeiro Ferreira e João Paulo Zem Pereira.

A sessão está marcada para terça-feira (1º), às 9h, no plenário do Tribunal do Júri, na Avenida Manoel Ribas, 500, próximo ao Parque de Exposições Lacerda Werneck, no bairro Santana, em Guarapuava.

Segundo Sarah Bayer Ferraz, ela e Edi França atuam na acusação e estarão em Guarapuava para acompanhar o julgamento.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Pedro de Oliveira Garcia para solicitar um posicionamento sobre o julgamento e as acusações. O espaço permanece aberto para manifestação.

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