O mês de setembro está terminando, mas o cuidado com a saúde mental precisa seguir todos os dias do ano. Em Guarapuava, a repórter e psicóloga de formação Cleo Ferreira conversou com a psicóloga Dyenifer Alves sobre a campanha Setembro Amarelo e a importância da prevenção ao suicídio. Assista a entrevista, abaixo.
Segundo Dyenifer, o Setembro Amarelo é um movimento voltado à valorização da vida e à prevenção ao suicídio, realizado anualmente para reforçar a necessidade de atenção com a saúde mental. Ela destacou que ainda existem muitos mitos que precisam ser combatidos, como a ideia de que falar sobre suicídio pode estimular alguém a cometer o ato. “Na verdade, falar pode salvar vidas”, ressaltou.
Entre os sinais de alerta que merecem atenção, a psicóloga citou mudanças bruscas de comportamento, isolamento social, alteração no sono e na alimentação, além de frases como “não aguento mais” ou “estou cansado da vida”. Esses indícios, segundo ela, podem representar um pedido de socorro.
Dyenifer lembrou ainda que qualquer pessoa pode passar por sofrimento emocional intenso, mas há grupos mais vulneráveis, como pessoas que tiveram perdas recentes, fazem uso de substâncias ou já enfrentaram transtornos mentais. A diferença entre uma tristeza passageira e um quadro que merece atenção está na persistência e no impacto na vida cotidiana. “Quando começa a prejudicar o trabalho, os relacionamentos ou as atividades diárias, é hora de buscar ajuda profissional”, afirmou.
A psicóloga também falou sobre a importância do acolhimento sem julgamentos por parte de familiares e amigos. Frases como “isso é frescura” ou “quer chamar atenção” devem ser evitadas, pois reforçam o sofrimento. Em vez disso, escuta ativa, afeto e presença são essenciais.
Para Dyenifer, a psicoterapia ajuda a pessoa a elaborar seus sentimentos e a desenvolver maneiras de lidar com a dor. Em alguns casos, pode ser necessário encaminhamento para psiquiatra e uso de medicamentos. Ela defende ainda que a sociedade precisa avançar no combate ao preconceito em relação aos transtornos mentais e investir na inserção da saúde mental nas escolas.
Ao final, deixou uma mensagem: “Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas sim de fortaleza. Sempre haverá alguém disposto a caminhar ao seu lado”.