Cota da China deve reduzir exportações de carne bovina e segurar preços no Brasil em 2026

Limite imposto pelo principal comprador do Brasil pode deixar mais carne no mercado interno e frear altas no varejo.
Foto: Divulgação/Secom-PA

A nova cota de importação de carne bovina anunciada pela China deve mudar o cenário das exportações brasileiras em 2026. Pelo limite definido, o Brasil poderá vender até 1,1 milhão de toneladas por ano ao país asiático. O que passar disso será taxado em 55%, o que praticamente inviabiliza exportações acima desse volume.

Em 2025, o Brasil exportou entre 1,5 milhão e 1,7 milhão de toneladas de carne bovina para a China. Com a nova regra, cerca de 400 mil toneladas devem deixar de ser enviadas ao principal cliente do setor.

Especialistas avaliam que essa carne a mais tende a ficar no mercado interno ou buscar outros destinos, o que deve reduzir a pressão de alta nos preços pagos pelos consumidores brasileiros. A expectativa é de um freio na valorização da carne, principalmente nos cortes mais caros.

Analistas apontam que pode haver uma queda de até 5% em cortes do traseiro bovino, como picanha, alcatra e filé mignon. No entanto, não são esperadas reduções fortes. Além da maior oferta, o começo do ano costuma ter consumo mais fraco, já que as famílias enfrentam despesas como IPVA, IPTU e material escolar.

No curto prazo, a tendência é de estabilidade nos preços, já que frigoríficos estão acelerando os embarques para preencher rapidamente a cota permitida pela China. Parte da carne também pode ser redirecionada por outros países da América do Sul, como Argentina e Uruguai.

Para o segundo semestre, o cenário ainda é incerto. Especialistas alertam que a oferta de gado deve diminuir ao longo do ano, o que pode sustentar os preços. Mesmo assim, a nova regra chinesa reduz o ritmo das exportações e diminui o espaço para altas expressivas no mercado interno.

No setor industrial, frigoríficos com operações concentradas no Brasil tendem a sentir mais os efeitos da medida. Já empresas com unidades em outros países podem usar essa estrutura para continuar atendendo o mercado chinês. A expectativa do mercado é de maior volatilidade ao longo de 2026, influenciada também por câmbio, consumo interno e cenário político.

Atento News, com agências.

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