Hospital Regional de Guarapuava inicia nova fase com troca da empresa assistencial, ampliação de serviços e plano para acelerar cirurgias e reduzir filas, afirma Sesa

Empresa CIS assume a parte assistencial após licitação, mas a Funeas segue na gestão do hospital; unidade passará a receber trauma referenciado, terá novas especialidades, com o objetivo de aumentar cirurgias de cerca de 620 para perto de mil por mês.
Foto: Cleo Ferreira/ Atento News

O Hospital Regional do Centro-Oeste (HRCO), em Guarapuava, começa 2026 em uma nova etapa de funcionamento. Em visita à unidade nesta quarta-feira (7), o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, anunciou o início de um novo contrato para a parte assistencial do hospital, com mudança da empresa responsável pelo serviço, ampliação gradual de atendimentos e metas para aumentar cirurgias e enfrentar filas de espera acumuladas, especialmente no período pós-pandemia. A reportagem do Atento News acompanhou o evento.

Assista as entrevistas no final da reportagem.

A principal mudança é a substituição da empresa que executa a assistência dentro do hospital. Após um ciclo de aproximadamente um ano e dez meses do Instituto Santa Clara, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) confirmou que a CIS – Centro Integrado de Saúde, assume a parte assistencial do HRCO. Segundo Beto Preto, a troca ocorre “dentro da legalidade da licitação”, e a tendência é que as equipes cirúrgicas que já atuam no hospital permaneçam, garantindo continuidade ao que vem sendo realizado.

Ao mesmo tempo, a Funeas (Fundação Estatal de Atenção em Saúde) segue como gestora e administradora do Hospital Regional. Na prática, a fundação mantém a gerência do processo, e passa a acompanhar de perto a execução do novo contrato, atuando também na fiscalização dos serviços prestados pela empresa que entra.

O que o hospital já entrega e qual é a meta

De acordo com Beto Preto, o Hospital Regional de Guarapuava tem uma marca que ele considera central para o planejamento de 2026: a força da cirurgia eletiva. O secretário citou que, nos últimos dois anos, o hospital realizou, em média, cerca de 625 cirurgias por mês, dentro do esforço do programa Opera Paraná, criado para enfrentar o gargalo deixado pela pandemia. A meta, agora, é ampliar esse volume, para mais de mil cirurgias por mês.

O diretor do hospital, Fernando Guiné, reforçou que a instituição vem crescendo de forma acelerada e que o Hospital Regional já deixou de ser apenas uma referência regional ou macrorregional para se tornar, na prática, uma referência estadual. Ele informou que foram realizadas 6.780 cirurgias em 2025 e que a tendência é de aumento para reduzir filas de espera que ainda persistem desde o período pós-pandemia.

O que muda com a CIS: assistência concentrada e transição em até 90 dias

O diretor-presidente da CIS, Glauber Garbin, explicou que a empresa entra para assumir “o assistencial de todos os serviços”, reunindo em um único contrato áreas que envolvem desde ambulatório até centro cirúrgico. Na descrição dele, a atuação inclui recepção, enfermagem, assistência social, equipe médica, farmácia e fornecimento de materiais, além de parque tecnológico e suporte ao atendimento do paciente.

Segundo Garbin, a transição completa das equipes deve ocorrer em até 90 dias. Ele afirmou que o hospital já apresenta funcionamento considerado “muito bom” e que, por isso, o desafio passa a ser ampliar a capacidade mantendo o desempenho e a regularidade da assistência. A CIS também afirmou que há espaço para aumentar a demanda e melhor aproveitar a estrutura já existente, com possibilidade de ampliação de leitos e melhor uso do centro cirúrgico, além da previsão de construção de mais uma sala cirúrgica.

Entre as novidades citadas pela CIS está a instalação de uma ressonância magnética dentro do Hospital Regional, ampliando a capacidade diagnóstica. A empresa também mencionou o foco em organização de fluxos, atendimentos de cardiologia e ortopedia e integração com a regional para ampliar consultas e diagnósticos.

Trauma referenciado: hospital continuará não sendo porta aberta, mas vai receber “urgências relativas”

Um dos anúncios que mais chamaram atenção na visita do secretário foi a confirmação de que o Hospital Regional passará a atender casos de trauma em um formato que ele classificou como “urgência relativa”, mantendo o modelo de porta referenciada. Beto Preto enfatizou que o HRCO não é hospital de porta aberta e continuará não sendo.

O que muda, segundo ele, é o tipo de paciente que pode ser encaminhado: pessoas atendidas inicialmente por Samu ou Corpo de Bombeiros, com fraturas ou condições que permitam aguardar um ou dois dias, poderão ser direcionadas ao Hospital Regional para tratamento e cirurgia. O secretário explicou que a ideia é atender esses casos “no segundo tempo”, reforçando o papel do hospital como eletivo, mas ganhando complexidade e absorvendo parte de demandas que hoje ficam concentradas em outras unidades.

Ele também afirmou que os leitos de UTI estão abertos e que a ocupação geral do hospital deve avançar para cerca de 75%.

Novas especialidades: otorrino entra no bloco, e outras áreas seguem

Além do trauma referenciado, o secretário anunciou a intenção de ampliar o leque de procedimentos cirúrgicos e novas especialidades. Ele citou uma dificuldade comum em hospitais do Paraná, como falta de urologistas, e destacou que, em Guarapuava, esse problema não ocorre da mesma forma.

Como novidade prática, Beto Preto confirmou que o Hospital Regional deve passar a realizar cirurgias de otorrinolaringologia, apontando a especialidade como uma necessidade regional que hoje não é atendida dentro da estrutura do HRCO. As demais especialidades já ativas devem seguir funcionando normalmente, com a perspectiva de ampliação gradual de serviços com o novo contrato.

Ortopedia de alta complexidade: próteses em ritmo raro no Paraná

Beto Preto voltou a citar a ortopedia como um dos pilares da unidade. Durante a coletiva, ele afirmou que o hospital chega a realizar cerca de 200 cirurgias por mês relacionadas a prótese de quadril e joelho, e destacou que esse nível de entrega é raro no estado. Esse tipo de atendimento é um dos motivos pelos quais o HRCO recebe demanda não apenas da 5ª Regional de Saúde (20 municípios), mas também de outras regiões que utilizam a estrutura de Guarapuava.

Hospital escola e Unicentro: Estado quer credenciamento para consolidar modelo

Outro ponto enfatizado na visita foi a parceria com a Unicentro. Beto Preto disse que o Hospital Regional já funciona como hospital escola para o curso de Medicina, mas que a intenção é ampliar o modelo e avançar em credenciamentos, inclusive buscando alinhamento com o Ministério da Saúde para consolidar a vocação de hospital-escola e ampliar a formação e a oferta de residências.

Glauber Garbin também relatou ao Atento News, que houve conversa com a Unicentro para definir o fluxo de acadêmicos dentro da unidade e que existe tendência de ampliação do modelo de ensino e residências, com impacto direto na formação dos alunos e na capacidade de atendimento.

“Passar a limpo as filas”: compromisso com Guarapuava e mutirão no fim de janeiro e começo de fevereiro

Além das mudanças internas do Hospital Regional, a visita de Beto Preto também trouxe um anúncio direto sobre filas de espera. Em conversa com a Prefeitura, o secretário afirmou que pretende “passar a limpo” as filas acumuladas em Guarapuava, com esforço organizado para acelerar atendimentos.

Ao Atento News, o prefeito Denilson Baitala disse que teve uma conversa de cerca de duas horas com o secretário e que já há um alinhamento para ampliar atendimentos de pacientes do município, citando como exemplo um trabalho iniciado na área de tomografias, com transporte de pacientes para Curitiba. Ele também destacou que Guarapuava tem demanda alta em áreas como oftalmologia, otorrino e próteses, órteses e próteses, e que pretende seguir discutindo o tema com equipes técnicas do Estado já na próxima semana.

Beto Preto afirmou que a ideia é estimular parceiros hospitalares para um mutirão no fim de janeiro e começo de fevereiro, com objetivo de acelerar a produção. Ele citou, como exemplo, que se a capacidade diária normalmente atende 100, a proposta é somar equipes e fazer 50 a mais por dia durante alguns dias, ampliando o ritmo para reduzir a fila acumulada.

Upinha na Vila Bela: secretário disse que visitaria o terreno após o evento

No fim da agenda oficial, durante o evento no Hospital Regional, o prefeito Denilson Baitala informou que, após a coletiva, seguiria com o secretário para visitar o terreno na Vila Bela onde será construída a nova Unidade de Pronto Atendimento Infantil (Upinha). O prefeito justificou a escolha da região pela proximidade com o Hospital Santa Tereza, referência em pediatria, reforçando a ideia de agilizar o encaminhamento de casos infantis.

A Prefeitura já havia divulgado no fim de dezembro que a licitação para construção da Upinha foi autorizada e que o projeto prevê a instalação na Vila Bela, em terreno próximo à Escola Roberto Cunha e Silva, com investimento estimado em aproximadamente R$ 7 milhões.

Por William Batista e Cleo Ferreira

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