Desmoronamento na BR-277 em Guarapuava causa interdição parcial; via já foi liberada, mas histórico recente de bloqueios intensifica preocupação

Queda de pedras no km 312 deixou trecho interditado durante a madrugada; rodovia foi totalmente liberada por volta das 2h20 desta quinta-feira (8).
Fotos: Divulgação/ PRF

Um desmoronamento de pedras foi registrado no km 312 da BR-277, na noite de ontem (7), por volta das 23h, na Serra da Esperança, em Guarapuava. Por questões de segurança, a rodovia ficou parcialmente interditada e operando em sistema de pare e siga até que equipes técnicas pudessem avaliar as condições do trecho e realizar a limpeza. O tráfego foi totalmente liberado por volta das 2h20 desta quinta-feira (8), com acompanhamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e monitoramento da concessionária EPR Iguaçu.

Durante a madrugada, técnicos da concessionária analisaram o solo, as rochas e fatores climáticos antes de apontar que o trecho apresentava condições seguras para o trânsito, com medidas preventivas, como isolamento de faixa e sinalização com cones.

Histórico recente de bloqueios na Serra da Esperança

Em dezembro de 2024, a rodovia, na Serra da Esperança, ficou totalmente bloqueada durante cinco dias devido a uma série de deslizamentos de terra provocados pelas fortes chuvas que atingiram a região na época

Durante esse período de interdição completa, a única rota alternativa próxima disponível foi a PR-364, que passa por Inácio Martins até chegar em Irati, mas por não ter capacidade adequada para o fluxo de caminhões, o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) orientou que veículos pesados evitassem usar esse desvio. Com isso, filas de caminhões se formaram à espera da liberação da serra, e cada dia de bloqueio gerou, em média, cerca de R$ 1 milhão em prejuízos, segundo estimativas da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Fetranspar).

A situação expôs os problemas históricos de logística e infraestrutura nessa seção da BR-277, rota que não serve somente Guarapuava, mas também liga o oeste e o leste do Paraná, além de ser trecho essencial para quem segue do Mato Grosso do Sul ao porto de Paranaguá, um dos principais portos públicos do País.

Instabilidade e causas dos deslizamentos

Desde 2023, pelo menos setes grandes deslizamentos, como esse último de agora, foram registrados na Serra da Esperança. Alguns desses deslizamentos causaram bloqueios totais da rodovia, agravando ainda mais a logística de transporte de cargas e deslocamento de veículos na rota.

Especialistas apontam que a combinação de fatores contribui para a instabilidade da serra: o tipo de rocha (arenitos suscetíveis à erosão), a declividade acentuada e a cobertura de solo exposta à água. A saturação do solo pela chuva funciona como um “veículo” para deslocamento das camadas rochosas, diminuindo o atrito e facilitando quedas.

A Serra da Esperança foi construída na década de 1970 e, desde então, recebeu melhorias, mas não houve mudança de traçado ou obras estruturais de maior porte que pudessem reduzir o risco de deslizamentos ou oferecer rotas alternativas eficazes.

Impactos logísticos e na economia

O impacto do bloqueio da Serra da Esperança foi sentido não apenas na formação de filas de caminhões, em 2024, mas também no escoamento de mercadorias com destino ao porto de Paranaguá e aos mercados de Curitiba e São Paulo. Entidades do setor produtivo destacaram que o transporte rodoviário é essencial para a região: cerca de 98% das cargas do oeste, centro e leste do Paraná dependem de rodovias, o que torna qualquer interrupção um problema grave para a economia regional.

Produtos perecíveis, como cargas de frango, ficaram retidos nas filas de espera, em 2024, enquanto aguardavam a liberação do trecho.

Obras de duplicação na Serra da Esperança e cronograma da EPR Iguaçu

Em setembro do ano passado, a concessionária EPR Iguaçu, responsável pelo trecho, ganhadora da licitação após os episódios de 2024, informou que obras de duplicação da Serra da Esperança estão previstas no contrato de pedágio e devem ser entregues até o 5º ano do contrato, ou seja, até o final do primeiro semestre de 2030. A iniciativa integra um plano de melhorias que inclui estudos para traçado, soluções estruturais e engenharia voltada à condição geológica do trecho.

A concessionária declarou que a condição geológica da região é de fragilidade, com presença de rochas suscetíveis à erosão e terreno inclinado, o que exige soluções especializadas e um processo de licenciamento ambiental cuidadoso, dadas as características da Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra da Esperança.

Apesar disso, atualmente não há definição de traçado ou de que tipo de obras (como viadutos ou túneis) serão aplicadas. Segundo a EPR Iguaçu informou em setembro do ano passado, os projetos estavam em fase inicial de elaboração, levando em conta todas as possibilidades para enfrentar os desafios estruturais.

Reportagem atualizada às 15h52.

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