Limpeza segue na Serra da Esperança após desmoronamento e novo laudo técnico vai definir liberação total da BR-277, diz PRF

Equipes da EPR trabalharam durante toda a tarde no km 312, em Guarapuava; algumas rochas grandes ainda precisam ser removidas e trecho segue sob monitoramento da concessionária e da PRF.
Foto: Divulgação/ PRF

Durante todo o período da tarde desta quinta-feira (8), equipes da concessionária EPR realizaram um intenso trabalho de limpeza no km 312 da BR-277, na Serra da Esperança, em Guarapuava, para a remoção das rochas que haviam desmoronado e permaneciam no acostamento da rodovia.

O serviço foi feito com o uso de maquinário pesado e teve como objetivo principal garantir a segurança dos usuários da rodovia após o deslizamento registrado na noite de quarta-feira (7). Apesar do avanço nos trabalhos, algumas rochas de grande porte ainda seguem fora da pista, no lado crescente da rodovia. Segundo a concessionária, esses blocos não puderam ser retirados de imediato porque será necessário quebrá-los antes, para que a remoção possa ser feita de forma segura.

A expectativa é que um geólogo da EPR chegue ao local, a princípio, nesta sexta-feira (9), para realizar uma nova análise técnica e avaliar as condições de segurança do trecho. A partir desse laudo, será definida a liberação total da rodovia ou a manutenção de eventuais restrições.

Às 19h40, a PRF informou que durante toda a noite, equipes da concessionária permanecerão no local em monitoramento contínuo. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) também fará verificações periódicas no trecho. Caso haja qualquer alteração nas condições da via ou nas medidas adotadas, novas informações deverão ser divulgadas.

A PRF reforçou o pedido de atenção redobrada aos motoristas que trafegam pela Serra da Esperança, orientando que respeitem a sinalização, reduzam a velocidade e mantenham distância segura dos demais veículos.

O desmoronamento

O deslizamento de pedras foi registrado por volta das 23h de quarta-feira (7), no km 312 da BR-277. Por segurança, a rodovia chegou a operar em sistema de pare e siga até que equipes técnicas pudessem avaliar o local e iniciar a limpeza. O tráfego foi totalmente liberado por volta das 2h20 da madrugada desta quinta-feira (8), com acompanhamento da PRF e monitoramento da EPR.

Fotos: Divulgação/ PRF

Durante a madrugada, técnicos da concessionária analisaram o solo, as rochas e as condições climáticas e apontaram que, naquele momento, o trecho apresentava condições seguras para o trânsito, desde que mantidas medidas preventivas, como isolamento de faixa e sinalização com cones.

Histórico recente de bloqueios

A Serra da Esperança tem um histórico recente de problemas. Em dezembro de 2024, a rodovia ficou totalmente bloqueada durante cinco dias após uma série de deslizamentos provocados pelas fortes chuvas que atingiram a região.

Naquele período, a única rota alternativa próxima foi a PR-364, passando por Inácio Martins até Irati. No entanto, por não ter capacidade adequada para o fluxo de caminhões, o DER-PR orientou que veículos pesados evitassem o desvio. Com isso, filas de caminhões se formaram à espera da liberação da serra, e cada dia de bloqueio gerou, em média, cerca de R$ 1 milhão em prejuízos, segundo estimativas da Fiep e da Fetranspar.

A situação evidenciou os problemas históricos de logística e infraestrutura nesse trecho da BR-277, que não serve apenas Guarapuava, mas liga o oeste e o leste do Paraná e é rota essencial para quem segue do Mato Grosso do Sul ao Porto de Paranaguá.

Instabilidade da Serra

Desde 2023, pelo menos sete grandes deslizamentos já foram registrados na Serra da Esperança. Alguns deles provocaram bloqueios totais da rodovia, agravando ainda mais a logística de transporte e o deslocamento de veículos.

Especialistas apontam que a combinação de fatores contribui para a instabilidade da região: o tipo de rocha, formada por arenitos suscetíveis à erosão, a declividade acentuada e a cobertura de solo exposta à água. A saturação do solo pela chuva funciona como um “veículo” para o deslocamento das camadas rochosas, reduzindo o atrito e facilitando as quedas.

Foto: Divulgação/ PRF

A Serra da Esperança foi construída na década de 1970 e, apesar de melhorias ao longo dos anos, não houve mudança de traçado nem obras estruturais de grande porte capazes de reduzir de forma definitiva o risco de deslizamentos.

Impactos logísticos e obras previstas

Os impactos dos bloqueios vão além do trânsito local. Em 2024, o fechamento da serra afetou o escoamento de mercadorias para o Porto de Paranaguá e para mercados como Curitiba e São Paulo. Entidades do setor produtivo destacam que cerca de 98% das cargas do oeste, centro e leste do Paraná dependem do transporte rodoviário, o que torna qualquer interrupção um problema grave para a economia regional. Cargas perecíveis, como frango, chegaram a ficar retidas nas filas.

Em setembro do ano passado, a concessionária EPR Iguaçu informou que as obras de duplicação da Serra da Esperança estão previstas em contrato e devem ser entregues até o quinto ano da concessão, ou seja, até o final do primeiro semestre de 2030. Os projetos ainda estão em fase inicial e não há, até o momento, definição de traçado nem do tipo de obras que serão executadas, como viadutos ou túneis.

A concessionária reconhece que a condição geológica da região é frágil e que qualquer intervenção exige soluções especializadas e um processo de licenciamento ambiental cuidadoso, já que o trecho está inserido em área de proteção ambiental.

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