O Paraná decidiu mudar o calendário da colheita do pinhão no Paraná. O Instituto Água e Terra (IAT) definiu que, a partir de agora, a colheita, o transporte, a comercialização e o armazenamento da semente só poderão ocorrer a partir do dia 15 de abril em todo o Estado.
A mudança foi oficializada por meio da Instrução Normativa nº 03/2026 e representa um adiamento de duas semanas em relação ao que vinha sendo praticado até o ano passado, quando a temporada era aberta no dia 1º de abril. A nova regra vale tanto para o pinhão destinado ao consumo humano quanto para aquele utilizado em sementeiras.
De acordo com o IAT, a alteração no calendário da colheita do pinhão no Paraná tem como principal objetivo proteger o ciclo reprodutivo da araucária, garantir a extração sustentável da semente e, ao mesmo tempo, equilibrar a preservação ambiental com a geração de renda das comunidades que dependem da atividade.
Além da mudança na data de início da temporada, a nova normativa também reforça regras importantes sobre o que pode e o que não pode ser explorado. Continua proibida a coleta de pinhas imaturas, aquelas ainda verdes, cujas sementes apresentam casca esbranquiçada e alto teor de umidade.
Pela regra, somente pinhas em estágio adequado de maturação, chamadas de deiscentes e com coloração verde-amarelada ou marrom, podem ser exploradas legalmente. O objetivo é garantir que a semente tenha completado seu ciclo natural antes de ser retirada do ambiente.
O novo regulamento revoga normas anteriores que tratavam do tema, como a Portaria IAP nº 46, de 2015, e a Instrução Normativa nº 11/2025, passando a ser o principal instrumento de controle da exploração do pinhão no Paraná. A medida também reforça a proteção da araucária, espécie símbolo do Estado e integrante do bioma da Mata Atlântica.
A fiscalização da colheita do pinhão no Paraná é feita por agentes do Instituto Água e Terra e pelo Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA). Casos de irregularidades podem ser denunciados à Ouvidoria do IAT, aos escritórios regionais do órgão ou diretamente à Polícia Ambiental, pelos canais oficiais.
Além do aspecto ambiental, o pinhão também tem importância econômica significativa para o Paraná. A cadeia produtiva da semente movimenta a economia de milhares de famílias, especialmente nas regiões Central, Sul e Sudoeste do Estado, que concentram o maior volume de produção.
Em 2023, segundo dados oficiais, o Valor Bruto da Produção (VBP) do pinhão chegou a R$ 22,4 milhões, reforçando o peso da atividade para a economia regional e para a subsistência de muitas comunidades que dependem da coleta e da comercialização da semente.
Segundo o IAT, a mudança no calendário busca garantir que a exploração continue sendo uma fonte de renda, mas sem comprometer a renovação das florestas de araucária e o equilíbrio ambiental. A intenção é assegurar que a colheita do pinhão no Paraná siga acontecendo de forma regular, porém dentro de critérios que preservem a espécie e o próprio futuro da atividade.
Com a nova regra, o Estado passa a ter um controle mais rígido e alinhado às normas federais, reforçando a proteção de uma das árvores mais simbólicas do Paraná e de um dos produtos mais tradicionais da cultura e da economia regional.
Atento News, com informações da AEN-PR