A campanha Janeiro Roxo voltou a colocar em pauta um problema que, apesar de antigo, ainda está presente na realidade de Guarapuava: a hanseníase. Nos últimos anos, o município tem registrado em média entre 10 e 12 novos casos por ano. Em 2022, o número chegou a 18, e no ano passado foram confirmados 10 novos diagnósticos.
A reportagem do Atento News esteve no SAE (Serviço de Atenção Especializada) para acompanhar de perto como funciona o atendimento e ouvir os profissionais que lidam diariamente com a doença.
O que é a Campanha?
A enfermeira e coordenadora do Programa de Hanseníase, Larissa Bento de Azevedo, explica que o Janeiro Roxo é um mês usado especialmente para conversar com a população e lembrar que a hanseníase ainda existe.
Segundo ela, a doença é infecciosa e atinge principalmente a pele e os nervos. As manchas na pele são o sinal mais visível, mas o maior problema acontece quando o diagnóstico demora. “A pessoa pode perder a sensibilidade nas mãos e nos pés, perder força e até ter dificuldade para andar e para fazer atividades do dia a dia”, explica.
Por isso, a campanha também tem como foco orientar as pessoas a observarem o próprio corpo e procurarem atendimento ao perceber qualquer alteração.
Ações de conscientização
Durante o mês de janeiro, as ações estão concentradas principalmente em divulgação por meio das mídias. Já em março, está prevista uma grande capacitação com profissionais de saúde, em parceria com a 5ª Regional de Saúde, para ampliar o preparo das equipes.
Onde buscar ajuda
Quando a pessoa percebe algum sinal diferente na pele, o primeiro passo é procurar o posto de saúde. É lá que acontece o primeiro atendimento, feito por enfermeiros ou médicos. Se houver suspeita, o paciente é encaminhado para exames, que são realizados na estrutura do município. Confirmado o diagnóstico, o tratamento começa e o acompanhamento passa a ser feito tanto pelo SAE quanto pela atenção básica.
Sintomas de alerta
O médico infectologista Alcides Mendes Botelho Filho explica que a hanseníase é causada por uma bactéria e que toda mancha na pele que perde a sensibilidade precisa ser investigada. “Às vezes a pessoa se queima ou se machuca e não sente dor. Isso é um sinal de alerta”, afirma.
Além das manchas, que podem ser claras, avermelhadas ou arroxeadas, também podem aparecer formigamentos e alterações nos nervos.
Como ocorre a transmissão
A transmissão acontece principalmente pelo ar e pelo convívio próximo e prolongado, por isso, quando um caso é confirmado, as pessoas que moram na mesma casa também precisam ser avaliadas.
Não existe uma vacina específica contra a hanseníase, mas a vacina BCG, aplicada rotineiramente ao nascimento, ajuda a reduzir o risco da doença.
O tratamento
O tratamento é feito com medicamentos fornecidos exclusivamente pelo SUS. A chamada poliquimioterapia é composta por uma cartela de remédios. Uma vez por mês, o paciente toma uma dose supervisionada por um profissional de saúde e, diariamente, toma os comprimidos em casa. O tratamento pode durar seis ou doze meses, dependendo da forma da doença.
Segundo o infectologista, quando a pessoa tem até cinco lesões, o tratamento costuma durar seis meses. Quando tem mais de cinco, o tratamento é de doze meses.
Um ponto importante destacado pelos profissionais é que, depois da primeira dose do remédio, o paciente já não transmite mais a doença. Por isso, não há motivo para afastamento ou medo de convivência.
Importância do diagnóstico precoce
A coordenadora do programa reforça que o preconceito ainda é um dos maiores problemas. “Muitas vezes a própria pessoa tem medo do diagnóstico. Mas a hanseníase tem tratamento e tem cura. O paciente precisa ser acolhido, não afastado”, afirma.
Os profissionais também lembram que o diagnóstico precoce é fundamental para evitar sequelas. Quanto mais cedo a doença é identificada, menores são as chances de perda de sensibilidade, força ou movimentos.
Em caso de sintomas como manchas na pele com perda de sensibilidade, formigamento ou alterações nos nervos, a orientação é procurar a unidade de saúde mais próxima.