Guarapuava não celebra apenas uma festa religiosa a partir deste sábado (17). O que começa é, na prática, uma releitura viva da própria história da cidade. Será o início da Festa de Nossa Senhora de Belém 2026, padroeira do município e de toda a diocese, uma celebração que seguirá até 2 de fevereiro e que atravessa mais de dois séculos de fé, tradição e identidade cultural.
“Mais do que uma festa, é um tempo de fé, de memória e de identidade para Guarapuava”, resume o pároco da Catedral, padre Jean Patrik, ao explicar por que a celebração ultrapassa o caráter de evento e se transforma, todos os anos, em um marco espiritual e histórico para a cidade.
A edição deste ano tem um simbolismo ainda mais especial. Além de mais de 200 anos de devoção, a Diocese de Guarapuava completa 60 anos em 2026, e a festa chega à sua 140ª edição registrada.
Segundo o padre, a preparação para a festa começa meses antes. “Os preparativos já vêm de alguns meses, com decisões, equipes e organização da programação. E a festa tem dois aspectos: o festivo, com barraquinhas, comidas e bebidas, e o religioso, que é o centro de tudo, com novenas, missas, procissões e celebrações.”
Abertura e programação religiosa

A programação começa neste sábado (17) com a carreata de divulgação pelas ruas da cidade. No domingo (18), às 19h, será realizada a Missa de Envio, que marca oficialmente o início das atividades religiosas.
A partir do dia 24 de janeiro, têm início as novenas da Padroeira, com celebrações diárias em dois horários: às 15h e às 19h15, seguindo até o dia 1º de fevereiro. Durante todo o período, funcionarão também as tradicionais barraquinhas.
Novidade
Entre os destaques deste ano está a Festa dos Esponsais da Santíssima Virgem Maria com São José, que será celebrada no dia 22 de janeiro, às 19h.
“É como se fosse a celebração do casamento de Maria e José. Vamos aproveitar esse momento para, junto com os casais, fazermos a renovação das promessas matrimoniais e a bênção dos casais”, explica Padre Jean.
Círio de Belém e bênção dos veículos
No dia 23 de janeiro, pelo segundo ano consecutivo, ocorrerá o Círio de Belém, com Missa e procissão luminosa às 19h. A imagem de Nossa Senhora seguirá em berlinda, acompanhada por coroinhas, acólitos, pastorais, movimentos e fiéis.
No mesmo dia começa também a Bênção dos Veículos, das 9h às 17h, na Rua Senador Pinheiro Machado, e se repetirá nos dias 28 e 30 de janeiro em outros pontos da cidade.
Outros eventos
- 25 de janeiro: Corrida da Padroeira (8h) e Almoço Festivo (12h)
- 29 de janeiro: Costela Minga (19h30)
- Caminho de Belém: peregrinar pela própria história
O ponto mais simbólico da festa será no dia 2 de fevereiro, com o tradicional Caminho de Belém, uma peregrinação de aproximadamente 12,7 quilômetros, saindo da ponte do Rio das Mortes até o Santuário Nossa Senhora de Belém.
“Esse caminho recorda os passos daqueles que, há mais de duzentos anos, trouxeram a imagem de Nossa Senhora de Belém e deram início à devoção que está na origem da nossa cidade”, explica o padre.
Os ônibus sairão às 5h da manhã em frente à Catedral. As inscrições começarão no dia 24 de janeiro, em uma tenda no pátio da Catedral, ao valor de R$ 15. Também haverá venda de camiseta (R$ 50) e cajado (R$ 15).
O dia da Padroeira
No dia 2 de fevereiro, a programação será intensa:
- 6h: Caminho de Belém
- 7h: Missa dos Trabalhadores da Festa
- 7h30: Entrega do churrasco
- 10h: Missa Solene
- 12h30: Almoço Festivo
- 14h: Sorteio Amigos de Belém
- 19h: Missa de Ação de Graças
História
Segundo Padre Jean, a história de Nossa Senhora de Belém em Guarapuava começa junto com os próprios colonizadores. A tradição conta que, há mais de 200 anos, a imagem veio acompanhando o grupo liderado por Padre Chagas.
“Essa imagem já vinha desde o tempo das navegações. Todas as grandes navegações sempre tinham o patrocínio, a proteção de Nossa Senhora. Ela veio de Portugal, passou por outros lugares e conta-se que esteve em Sorocaba antes de ser trazida para Guarapuava”, relata.
Um detalhe chama atenção: a imagem de Guarapuava é considerada única.
“O título Nossa Senhora de Belém é comum, mas nós não conseguimos encontrar outra imagem idêntica a essa em nenhum outro lugar do Brasil nem do mundo. Essa imagem é única”, afirma.
A tradição ainda conta que o cavalo que trazia a imagem teria parado exatamente no local onde hoje está a Catedral, que acabou se tornando também o marco zero da cidade.
Obra artística dentro da Catedral
Outro destaque desta edição da festa está dentro da Catedral. A reportagem do Atento News esteve no local e pôde ver de perto as novas pinturas em estilo iconográfico que estão sendo implantadas nas paredes internas. As obras são imponentes, detalhadas e carregadas de simbolismo.

“Desde quando eu cheguei aqui, a gente pensou num projeto global que contemplasse todos os aspectos litúrgicos. Não é só uma pintura. É catequese, é teologia em imagem”, explica Padre Jean.
Hoje, já é possível ver dois grandes conjuntos em desenvolvimento: do lado direito, em uma das conchas, Nossa Senhora de Belém com São José e o Menino Jesus, formando uma espécie de presépio permanente; do outro, a cena do batismo de Jesus por João Batista.
O projeto, segundo o padre, não foi pensado para ser inaugurado durante a programação, já que é uma obra ampla, feita por etapas. A previsão é que todo o conjunto seja concluído ao longo dos próximos meses.
Além da beleza artística, os espaços também terão função litúrgica: onde está a cena do batismo será instalada a pia batismal, e o local do presépio permanente vai abrigar a futura Capela do Santíssimo.
Por William Batista e Cleo Ferreira