Canetas emagrecedoras e apostas mudam hábitos de consumo e pressionam vendas de alimentos, mostra pesquisa

Levantamentos da Worldpanel by Numerator e da CNC indicam que brasileiros estão indo mais vezes ao supermercado, mas comprando menos itens, enquanto gastos com medicamentos e bets crescem.
Reportagem mostra que uso de canetas emagrecedoras e gastos com apostas estão mudando o carrinho de compras dos brasileiros.
Prateleiras de supermercado ilustrando mudança no consumo causada por canetas emagrecedoras e apostas esportivas. Foto Ilustrativa

O consumo de alimentos no Brasil está passando por uma mudança relevante, puxada principalmente pelo avanço das canetas emagrecedoras e pelo crescimento dos gastos com apostas esportivas. Reportagem publicada pelo jornal O Globo mostra que pesquisas recentes já identificam impactos diretos no varejo alimentar e no comportamento de compra das famílias.

De acordo com dados da Worldpanel by Numerator, citados na reportagem, o brasileiro passou a ir mais vezes ao supermercado, mas está levando menos itens e gastando menos em cada visita. Ao mesmo tempo, aumentou o número de categorias diferentes de produtos comprados, o que indica um comportamento mais cauteloso e fragmentado diante do orçamento mais apertado.

Pesquisa da Worldpanel by Numerator mostra que lares com usuários de canetas emagrecedoras chegam a reduzir em até 50% o consumo de alimentos.

A mesma pesquisa mostra que lares com usuários de canetas emagrecedoras registram redução de até 50% no consumo de alimentos em comparação com o período anterior ao início do uso dos medicamentos. Além de comer menos, esses consumidores também mudam o tipo de produto comprado, priorizando itens considerados mais saudáveis e com maior valor agregado.

Outro fator que pesa sobre o orçamento é o avanço das apostas esportivas. Levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), citado pelo jornal, aponta que os gastos com bets já têm efeito visível tanto no consumo quanto no endividamento das famílias, especialmente nas classes C, D e E, onde os alimentos representam uma fatia maior do orçamento.

Segundo a CNC, os gastos mensais dos brasileiros com apostas saltaram de cerca de R$ 426 milhões em dezembro de 2022 para até R$ 3 bilhões em 2025. O estudo mostra ainda que cada ponto percentual de aumento nos gastos com bets equivale a uma alta de 0,4 ponto percentual na inadimplência.

A reportagem também destaca projeções econômicas que ajudam a explicar por que o setor deve crescer com mais cautela nos próximos anos. A estimativa é que a inflação da alimentação no domicílio chegue a 4,6% em 2026, acima do índice de 2025, o que continua pressionando o orçamento das famílias.

Levantamento da CNC indica que os gastos mensais dos brasileiros com apostas esportivas saltaram de R$ 426 milhões em 2022 para até R$ 3 bilhões em 2025.

Mesmo com 2026 sendo ano de Copa do Mundo e eleições, dois fatores que normalmente estimulam o consumo, a avaliação apresentada na matéria é que o crescimento do varejo de alimentos deve ser moderado. Isso porque o cenário ainda combina juros elevados, inflação, aumento do endividamento e parte da renda sendo desviada para apostas e para o custo das canetas emagrecedoras.

Do lado das empresas, a reportagem mostra que o varejo e a indústria já tentam se adaptar. A estratégia tem sido ajustar o mix de produtos e reforçar a oferta de itens considerados mais saudáveis e de maior valor agregado, buscando acompanhar a mudança no perfil do consumidor.

Segundo as análises citadas por O Globo, o movimento não representa apenas uma queda pontual no consumo, mas sim uma mudança estrutural nos hábitos de compra dos brasileiros, com efeitos diretos sobre supermercados, indústria de alimentos e toda a cadeia do varejo.

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