Foi sepultada na tarde deste domingo (22), no Cemitério São Josafat, em Prudentópolis, a freira Nadia Gavanski, de 82 anos, assassinada dentro do Convento das Irmãs Servas de Maria Imaculada, no município de Ivaí. O crime ocorreu no sábado (21), após a invasão do espaço religioso. O suspeito, de 33 anos, foi preso em flagrante, confessou o homicídio e foi autuado por homicídio qualificado e resistência.
Natural de Prudentópolis, irmã Nadia iniciou na cidade a trajetória religiosa que se estenderia por mais de cinco décadas. O velório foi realizado na Vila Madre Anatolia e reuniu irmãs de diferentes conventos da região, familiares e membros da comunidade. A missa de despedida, celebrada no rito ucraniano, foi marcada por homenagens, silêncio e orações.
Vida simples e fala marcada por sequelas

Nos últimos anos, a religiosa levava uma rotina ainda mais silenciosa. Após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC), ficou com sequelas na fala e passou a se comunicar em tom baixo, falando apenas o necessário no dia a dia do convento.
A Madre Provincial, irmã Rosângela de Melo Campanharo, destacou a forma simples com que irmã Nadia vivia a missão religiosa.
“Ela era uma irmã muito dedicada, de oração, muito simples. Depois do AVC, falava pouco, mas a presença dela dizia muito para todas nós”, afirmou.
Entre as atividades que mais gostava estavam os cuidados com a horta e com as galinhas no quintal, rotina que mantinha diariamente após o almoço e que, segundo a investigação, antecedeu o momento do crime.
Vínculo com a família
Apesar da vida religiosa, irmã Nadia mantinha proximidade com os familiares. A sobrinha, Leoni Gavanski, em entrevista ao Atento News, relembrou que a freira costumava retornar à cidade natal sempre que possível.
“Quando ela tirava férias, vinha para Prudentópolis visitar os irmãos, ficar com a família. Era um momento que ela fazia questão”, contou.
Ela também destacou a longa dedicação da tia à vida consagrada.
“Foram 55 anos de vida religiosa, sempre muito fiel à missão dela.”
Dinâmica do crime
De acordo com a Polícia Civil, o homicídio foi registrado por volta das 13h30 de sábado.
Após o almoço, irmã Nadia teria ido ao quintal alimentar as galinhas, como fazia diariamente. Nesse momento, o suspeito pulou o muro do convento e invadiu o local.
Em depoimento, ele relatou que passou a madrugada consumindo crack e bebida alcoólica e que teria “ouvido vozes” ordenando que matasse alguém. Disse ainda que entrou no convento já com a intenção de cometer o crime.
Ao ser questionado pela freira sobre o que fazia ali, afirmou que estaria no local para trabalhar. Segundo o próprio interrogatório, ao perceber que ela desconfiou da justificativa, ele a empurrou.
A vítima caiu, começou a gritar e foi asfixiada.
O investigado declarou que colocou os dedos na boca da religiosa para impedir os gritos. Negou agressões diretas na cabeça, mas admitiu que ferimentos podem ter ocorrido durante a queda.
Testemunha ajudou na identificação
Uma fotógrafa que registrava um evento no convento foi abordada pelo suspeito logo após o crime. Segundo relato à polícia, ele demonstrava nervosismo, estava com roupas sujas de sangue e apresentava arranhões no pescoço.
Ele afirmou que trabalharia no local e que teria encontrado a freira caída.
Desconfiada, a testemunha registrou imagens discretamente e acionou a Polícia Militar. Antes da chegada das equipes, o homem deixou o convento.
Com base nas imagens, ele foi identificado e localizado em casa. Ao perceber a aproximação policial, tentou fugir e resistiu com socos e chutes, mas foi contido.
Prisão e investigação
O suspeito foi autuado em flagrante por homicídio qualificado, com indícios de motivo fútil, uso de asfixia e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de resistência.
Até o momento, a reportagem não localizou a defesa dele.
A Polícia Civil informou que não há indícios concretos de tentativa de furto, hipótese inicialmente levantada pela forma de invasão. A motivação do crime segue sob investigação.
Comoção e despedida
Em nota oficial, a Congregação das Irmãs Servas de Maria Imaculada manifestou “profundo pesar e consternação”, classificando o caso como um “ato de violência injustificável”.
A Prefeitura de Ivaí também divulgou nota de pesar, prestando solidariedade à congregação e aos familiares.
Por William Batista