Polícia Civil confirma inquérito por suposta extorsão contra padre em Guarapuava; caso também envolve afastamento pela Diocese e nota da OAB

Em Nota, a polícia informou que a investigação foi instaurada ainda em 2025 e que houve cumprimento de mandados de busca e apreensão. Caso ganhou repercussão após denúncias nas redes sociais e alegação de chantagem financeira.
Polícia Civil confirma investigação. Foto de arquivo/ Atento News
Polícia Civil confirma investigação. Foto de arquivo/ Atento News

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) confirmou, às 17h05 desta segunda-feira (2), que instaurou inquérito ainda em 2025 para investigar a suposta prática do crime de extorsão contra o padre Jean Patrik, em Guarapuava. A informação foi divulgada por meio de nota oficial encaminhada à imprensa.

De acordo com o comunicado, a investigação apura a suposta prática do crime que teria sido cometido por três pessoas. Os nomes não foram divulgados.

Segundo a Polícia Civil, houve solicitação ao Poder Judiciário para cumprimento de mandados de busca e apreensão. Durante a operação, aparelhos celulares e computadores foram apreendidos e encaminhados à Polícia Científica do Paraná para perícia técnica.

A investigação segue em andamento.

Confira a nota da Polícia Civil na íntegra:

“A PCPR instaurou inquérito, ainda em 2025, para investigar a suposta prática do crime de extorsão contra um padre, que teria sido cometido por três pessoas.

Após informações preliminares, a PCPR solicitou ao Poder Judiciário a expedição de mandados de busca e apreensão. Foram apreendidos aparelhos celulares e computadores, enviados à Polícia Científica do Paraná (PCIPR) para análise e execução do laudo pericial. A PCPR segue as diligências para apurar o caso, bem como a identificação dos responsáveis.”

Entenda o caso

O caso começou a ganhar ampla repercussão após a circulação, nas redes sociais, de prints de supostas mensagens íntimas atribuídas ao padre Jean Patrik e a uma fiel da comunidade. A reportagem não conseguiu localizar a mulher mencionada nas conversas para comentar o caso.

No dia 11 de fevereiro, foi realizada uma operação da Polícia Civil em Guarapuava. No dia seguinte, 12 de fevereiro, a Diocese de Guarapuava divulgou nota oficial informando que havia tomado conhecimento da ação policial. No comunicado, a instituição esclareceu que a investigação dizia respeito a uma situação de caráter pessoal atribuída a um presbítero, e que, até aquele momento, não havia qualquer investigação direcionada à instituição eclesiástica ou às suas atividades pastorais e administrativas.

A Diocese também afirmou, na ocasião, que estava à disposição para colaborar com as autoridades dentro dos limites da lei e destacou que o bispo diocesano acompanhava o caso com responsabilidade pastoral e institucional.

Padre Jean Patrik, pároco da Catedral Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava
Padre Jean Patrik. Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Com a continuidade da repercussão e a divulgação de novos registros nas redes sociais, a Diocese anunciou, na última sexta-feira (28), o afastamento do padre das funções pastorais. Na mesma nota, informou a instauração de uma investigação prévia com base no Código de Direito Canônico, procedimento interno da Igreja destinado a apurar os fatos e verificar a veracidade das informações antes de eventual adoção de medidas disciplinares.

Foi também nesse comunicado que a Diocese trouxe oficialmente a público o nome do padre Jean Patrik Soares. Até então, nos posicionamentos anteriores, a instituição havia se referido ao caso apenas como uma situação atribuída a um presbítero, sem divulgar a identidade do sacerdote envolvido.

O caso ganhou grande repercussão pública após a circulação, nas redes sociais, de prints de supostas mensagens íntimas atribuídas ao padre Jean Patrik Soares, pároco da Catedral Nossa Senhora de Belém, e a uma fiel da comunidade.

A reportagem não conseguiu localizar a mulher mencionada nas conversas para comentar o caso.

No dia 11 de fevereiro, foi realizada uma operação da Polícia Civil em Guarapuava. No dia seguinte, 12 de fevereiro, a Diocese de Guarapuava divulgou nota oficial informando que havia tomado conhecimento da ação policial.

No comunicado, a instituição esclareceu que a investigação mencionada dizia respeito a uma situação de caráter pessoal atribuída a um presbítero e que, até aquele momento, não havia investigação direcionada à instituição eclesiástica ou às suas atividades pastorais e administrativas.

A Diocese também afirmou estar à disposição para colaborar com as autoridades e destacou que o bispo diocesano acompanhava o caso com responsabilidade pastoral e institucional.

Documento fala em tentativa de extorsão

Após a divulgação dos prints, passou a circular um documento assinado em nome do padre Jean Patrik Soares, datado de 27 de fevereiro de 2026. O conteúdo foi divulgado com exclusividade pelo Portal Rede Sul de Notícias.

No texto, o sacerdote afirma que, há cerca de um ano, no exercício do serviço pastoral, acolheu uma fiel que buscava ajuda para sair de uma situação descrita por ele como um “ciclo de sofrimento psicológico”. Ele declara que esse contexto teria sido distorcido e utilizado contra ele de forma maliciosa, acrescentando que a jovem também seria inocente na situação.

O documento afirma ainda que o padre teria sido alvo de uma “grave tentativa de chantagem financeira”, fato que, segundo ele, teria sido denunciado imediatamente às autoridades. Ele declara ter recusado qualquer negociação com o que chama de mentira.

No texto, também consta que conteúdos teriam sido produzidos e manipulados tecnologicamente e divulgados fora do devido contexto processual, com a intenção de desinformar e causar danos.

O padre afirma que, neste processo, se considera vítima e não investigado, e diz confiar que a verdade será restabelecida. Ele também menciona estar recebendo apoio do bispo diocesano, Dom Amilton, e afirma que o caso estaria sendo conduzido sob responsabilidade da Justiça.

Reportagem procurou o padre

A reportagem procurou o padre para solicitar um posicionamento oficial sobre o caso. Ele preferiu não gravar entrevista e afirmou: “remeto-me à nota já divulgada”.

Nas redes sociais, ele tem compartilhado mensagens de apoio enviadas por fiéis.

OAB também se manifestou

Com a repercussão do caso e a menção pública a advogados da Subseção de Guarapuava (que não tiveram os nomes divulgados) nos desdobramentos do episódio relacionados à extorsão, a OAB Subseção Guarapuava divulgou nota oficial a pedido da reportagem do Atento News.

Na manifestação, a entidade afirmou expressar apoio institucional aos profissionais e reforçou o compromisso com as prerrogativas da advocacia, o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório.

A nota também menciona que o Conselho Disciplinar atua na preservação da ética profissional e que eventual falta disciplinar comprovada pode resultar em sanções previstas no Código de Ética da Ordem.

Nota da OAB na íntegra

“Ante os fatos noticiados pela imprensa local, envolvendo um pároco e advogados desta Subseção de Guarapuava, a OAB expressa, de público, o seu apoio institucional aos colegas, reafirmando o compromisso de inibir a pratica de quaisquer atos que importem em violação das suas prerrogativas profissionais.

Por outro lado, ressalta que a sua missão é zelar pela observância das garantias constitucionais consubstanciadas no devido processo legal e nos princípios da ampla defesa e contraditório.

Por fim, registre-se que esta Subseção, por seu Conselho Disciplinar, atua diretamente na preservação da ética profissional, de modo que, eventual e comprovada falta disciplinar, culminará na adoção das sanções de que trata o Código de Ética e disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil.”

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