Anita Lasker-Wallfisch tinha apenas 19 anos quando chegou a Auschwitz, em 1943. Judia alemã, ela foi enviada ao campo após ser presa pela Gestapo. No momento da triagem, um comentário aparentemente casual mudou seu destino: ao dizer que tocava violoncelo, foi levada para integrar a Orquestra Feminina de Auschwitz, grupo que tocava marchas para prisioneiros e oficiais nazistas. “Música era tocada para acompanhar as coisas mais terríveis”, relembrou.
Aos 99 anos, Anita é a última sobrevivente dessa orquestra. Em depoimento à BBC News, publicado em janeiro deste ano, ela contou que a música deu a ela e às colegas uma forma de se apegar à vida em meio ao horror. A lembrança da família perdida, das humilhações e da violência constante a acompanhou, mas tocar manteve a esperança viva. Em 1945, já debilitada, sobreviveu também ao campo de Bergen-Belsen, libertado pelas tropas britânicas.
Após a guerra, Anita se estabeleceu no Reino Unido, onde construiu carreira como violoncelista e fundou a Orquestra de Câmara Inglesa. Décadas depois, aceitou voltar à Alemanha e discursar no parlamento sobre sua experiência. Ao refletir sobre a trajetória, afirmou: “O ódio é veneno e, em última análise, você se envenena”.
Com informações da BBC News