A Prefeitura de Guarapuava divulgou na última terça-feira uma atualização sobre o trabalho das equipes municipais no Assentamento Nova Geração, duramente atingido pelo tornado que passou pela região na última sexta-feira (07). Desde então, uma força-tarefa com várias secretarias atua no local para atender as famílias afetadas.
Nos últimos dias, o Atento News vem acompanhando de perto os reflexos da tragédia que destruiu 90% de Rio Bonito do Iguaçu e também provocou danos severos na área rural de Guarapuava. O Assentamento Nova Geração, localizado às margens da PR-170, entre o perímetro urbano e o Distrito Entre Rios, foi um dos pontos mais atingidos.
Assista a reportagem:
Ao chegar ao local, a cena impressiona: árvores partidas ao meio, algumas retorcidas, outras arrancadas pela raiz como se tivessem sido dobradas com facilidade. Dentro do assentamento, a destruição aumenta.
Um barracão que funcionava como sede comunitária foi completamente destruído. A igreja de madeira, que ficava em frente, também ruiu quase por inteiro — restaram apenas parte do telhado e algumas paredes. Segundo os moradores, quatro casas foram destruídas e outras 17 sofreram danos graves. Eles calculam que cerca de duas mil pessoas vivam no local.
O assentamento também registrou uma morte. José Neri Gemerias, de 52 anos, não resistiu após os escombros da própria casa caírem sobre ele.
Feridos e relatos de sobrevivência
O agricultor Adair Hoffmann foi um dos atingidos. Ele, a esposa e o filho estavam dentro de casa quando o vento chegou.
“De repente veio aquele barulho estrondoso. A minha esposa falou para sairmos, mas não deu tempo. O vento destruiu tudo e derrubou nós no chão. Eu levei bordoada no ar, parecia que eu estava sendo jogado”, contou.
A esposa dele foi arremessada a cerca de 30 metros e sofreu fraturas nas costelas. Adair ficou com escoriações e um corte na cabeça provocado por uma chapa de zinco. A família foi atendida no hospital, mas hoje não tem mais casa. Estão morando de favor em uma residência cedida por um vizinho.
“Acabou tudo. Casa, barracão, ferramenta, maquinário. Um contêiner de 12 metros da nossa mini fábrica de batatinha foi jogado a uns 400 ou 500 metros”, relatou.
Perdas na produção agrícola e o pedido de ajuda
A agricultora Cleide de Oliveira Rodrigues, moradora e porta-voz da comunidade, contou que a produção de hortaliças e toda a estrutura de irrigação foram destruídas.
“Nossa produção foi toda para a rua. A gente vive do que planta. A destruição é muito grande”, disse.
Cleide reforça que já chegou ajuda básica, como comida, roupas e água, mas ainda falta o essencial para reconstruir. Segundo ela, a comunidade agora precisa de:
- Materiais de construção
- Telhas, madeira e ferramentas
- Mais água mineral, devido ao risco de contaminação da água natural da região
“Tem roupas, tem comida, mas não tem o material que precisamos para levantar as casas de novo”, afirmou.
A agricultora Silvana Cândido Soares, que veio de outro acampamento ajudar no levantamento das necessidades, explica que:
- uma pessoa morreu;
- duas foram hospitalizadas e já estão em casa;
- 17 famílias foram atingidas diretamente;
- quatro perderam tudo.
“Onde o tornado passou, levou tudo. A plantação não sobrou nada”, contou.
A sede do assentamento, o barracão comunitário, e a igreja foram destruídos. O ponto de apoio agora funciona provisoriamente na propriedade de moradores que se dispuseram a ajudar.
“Chegou bastante alimento e roupa. O que falta agora é material de construção, móveis e água. Eles usam muita água para cozinhar e beber”, contou Silvana.
Quem quiser ajudar pode procurar diretamente os moradores no Assentamento Nova Geração.
Força-tarefa da Prefeitura segue atuando
A Prefeitura informou que atua desde sexta-feira (07) no assentamento, com:
- Saúde: médico, enfermeiros, agentes, vacinação, apoio psicológico e dispensário móvel.
- Obras: limpeza, liberação de vias, retirada de entulhos e mapeamento com drone.
- Assistência Social: cadastro das famílias para benefícios estaduais.
- Agricultura: suporte às plantações e ração para animais.
- Abastecimento e Defesa Civil: envio de água, colchões, alimentos e apoio logístico.
Por William Batista e Cleo Ferreira