Após delegada mandar pagar Nutella furtada, dono de supermercado diz que decisão “premiou o crime” e causou indignação em União da Vitória

Empresário afirma que procedimento adotado na delegacia foi inédito, não educa, pode incentivar novos furtos e ressalta que suspeita já havia levado picanha dias antes.
Furto em supermercado termina com decisão inusitada da delegada em União da Vitória
Mulher foi presa por furtos em supermercado no bairro Rocio, em União da Vitória; caso teve desfecho definido pela delegada de plantão. Foto: Reprodução

O dono de uma rede de supermercados de União da Vitória afirmou que ficou “muito indignado” com o desfecho dado a um caso de furto registrado no último sábado (31), em uma das unidades da rede no bairro Rocio. A declaração foi feita à Rede Massa pelo empresário Clemente Bahniuk, responsável pela rede de mercados.

Segundo ele, a ocorrência começou como tantas outras já registradas pelo grupo. Funcionários flagraram uma mulher furtando produtos dentro do supermercado e acionaram a Polícia Militar, que, conforme o empresário, atendeu prontamente. A suspeita foi encaminhada à Polícia Civil para os procedimentos legais.

Clemente destacou que sempre que a rede precisou tanto da Polícia Militar quanto da Polícia Civil em União da Vitória, o atendimento foi rápido e eficaz, sem problemas. No entanto, o que ocorreu na sequência, dentro da delegacia, causou surpresa e indignação.

Relato

De acordo com o relato do empresário, a gerente da unidade entrou em contato informando que estava na delegacia quando a delegada de plantão, que realizava o atendimento de forma virtual, determinou que fosse feito o pagamento de um dos produtos furtados. Para isso, a delegada teria encaminhado um valor de R$ 50 para um policial civil que estava na delegacia, solicitando que o dinheiro fosse repassado à gerente.

Ainda segundo Clemente, a gerente foi orientada a retornar ao supermercado, comprar o produto e levá-lo de volta à delegacia. O item, um pote de creme de avelã, acabou sendo entregue à mulher que havia praticado o furto. Além disso, conforme o empresário, a delegada também solicitou que o troco fosse doado à suspeita.

“Isso nos causou muita indignação, muita indignação mesmo. Nunca tivemos uma situação como essa, nunca tivemos algo parecido e nunca imaginei que isso pudesse acontecer”, afirmou Clemente.

Dono do mercado reprovou atitude da delegada

O dono da rede reforçou que, na avaliação dele, esse tipo de medida não contribui para educar ou corrigir a conduta de quem pratica furtos. Pelo contrário, ele acredita que a decisão pode incentivar novas ocorrências. “Essa atitude não vai ajudar a pessoa a melhorar sua atitude. Com certeza ela vai voltar a furtar, porque foi premiada pelo que fez”, declarou.

Clemente também destacou que não se tratava de um produto de necessidade básica. Segundo ele, a mesma mulher já havia furtado, dias antes, uma peça de picanha, fato que inclusive foi registrado em boletim virtual. “Não era necessidade básica. Não era igual”, enfatizou.

O empresário lembrou ainda que a rede possui uma central de segurança e monitoramento justamente para acompanhar esse tipo de situação. Ele citou que, no domingo seguinte ao caso, houve outro furto em uma das unidades, envolvendo um filé mignon. Neste caso, o procedimento foi o mesmo: acionamento da Polícia Militar e encaminhamento à Polícia Civil, mas com um desfecho diferente do ocorrido no sábado.

Por fim, Clemente afirmou que a rede desenvolve ações sociais regularmente e que ele próprio doa cestas básicas todos os meses, orientando os gerentes a identificarem pessoas que realmente necessitam de ajuda, seja entre colaboradores ou na comunidade. “Nós fazemos o bem, sim”, ressaltou.

Apesar de agradecer o trabalho da Polícia Militar, da Polícia Civil e dos delegados da comarca de União da Vitória, ele classificou o episódio como uma exceção que gerou forte indignação dentro da empresa.

A reportagem entrou em contato com a Polícia Civil do Paraná para comentar o caso, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

Os nomes da autora do furto e da delegada responsável pelo plantão não foram divulgados.

Relembre

O caso ocorreu no último sábado (31), em um supermercado no bairro Rocio, em União da Vitória, quando uma mulher foi flagrada por câmeras de segurança furtando cremes de avelã e deixando o estabelecimento sem pagar. Segundo a Polícia Militar, ela já havia sido identificada recentemente em outro furto, envolvendo uma peça de picanha no valor de 80 reais. Diante da reincidência, a suspeita foi presa e encaminhada à delegacia, onde a delegada de plantão decidiu relaxar o flagrante e determinou o pagamento de um dos produtos furtados, que acabou sendo entregue à própria autora do furto, decisão que gerou repercussão e indignação por parte do supermercado.

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