Um julgamento histórico sobre redes sociais começou na segunda-feira (9) em um tribunal civil na Califórnia, onde um júri popular deverá determinar se o YouTube e o Instagram desenvolveram suas plataformas deliberadamente para gerar dependência em crianças.
O resultado pode estabelecer um precedente jurídico de responsabilidade civil dos operadores dessas redes sociais. “Este caso diz respeito a duas das corporações mais ricas da história que projetaram vício nos cérebros das crianças”, disse ao júri em sua declaração inicial o advogado dos demandantes, Mark Lanier.
O julgamento em Los Angeles, perante a juíza Carolyn Kuhl, centra-se nas acusações de uma mulher de 20 anos, identificada como Kaley G.M., que sofreu grave dano mental por ter ficado dependente das redes sociais quando criança.
Os réus são as gigantes da tecnologia Alphabet (matriz do Google e dona do YouTube) e Meta (dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp). Foram convocados a depor o diretor-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, em 18 de fevereiro, e o responsável pelo Instagram, Adam Mosseri, a partir de hoje. Espera-se ainda que a Justiça convoque o diretor do YouTube Neil Mohan para testemunhar. As empresas são acusadas em centenas de processos de levar jovens à dependência em conteúdo, ocasionando depressão, transtornos alimentares, internações psiquiátricas e até mesmo suicídios.
Argumentações
Em seu argumento inicial, Lanier apresentou documentos internos do Google e da Meta em apoio à sua tese de intencionalidade. Um deles, de uma apresentação no Google, menciona como objetivo declarado “o vício dos internautas”. “Essa é a doutrina deles”, ressaltou o advogado.
Em contrapartida, o advogado da Meta, Paul Schmidt, replicou que a deterioração do estado psicológico da autora se devia a problemas familiares.
● AFP