MP denuncia homem por estupro, feminicídio e outros crimes após morte de freira de 82 anos em convento de Ivaí

Ministério Público do Paraná apresentou denúncia criminal contra suspeito de invadir convento, estuprar e matar a religiosa Nadia Gavanski; Polícia Civil já havia concluído o inquérito e indiciado o homem por homicídio qualificado, estupro qualificado e outros crimes.
Freira Nadia Gavanski, de 82 anos, morta em convento na cidade de Ivaí, no Paraná
Freira Nadia Gavanski, de 82 anos, morta em convento na cidade de Ivaí. Foto: Divulgação

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) ofereceu nesta segunda-feira (2) denúncia criminal contra o homem de 33 anos suspeito de invadir um convento em Ivaí, estuprar e matar a freira Nadia Gavanski, de 82 anos. A denúncia foi apresentada pela Promotoria de Justiça de Imbituva, sede da comarca, e aponta os crimes de violação de domicílio, estupro que resultou em lesão corporal grave, feminicídio e resistência à abordagem policial. O investigado está preso preventivamente.

O crime aconteceu na tarde do dia 21 de fevereiro, no convento das Irmãs Servas de Maria Imaculada. De acordo com as investigações, o homem pulou o muro da instituição, que fica ao lado de um bosque, e entrou no terreno por volta das 13h30.

Segundo a apuração da Polícia Civil, a religiosa percebeu a presença do invasor e questionou o que ele fazia no local. O suspeito teria respondido que estava ali para trabalhar. Ao notar a desconfiança da freira, ele a empurrou. Em depoimento, o investigado afirmou que a asfixiou depois que ela começou a gritar.

Laudo pericial confirmou violência física e sexual

O laudo pericial apontou que, além de ter sido morta por asfixia, a religiosa também foi vítima de violência sexual. A perícia identificou diversas lesões no corpo da vítima.

Na denúncia apresentada pelo Ministério Público, consta que o suspeito utilizou meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. O órgão também considerou o fato de o crime ter sido cometido contra pessoa idosa como circunstância que pode aumentar a pena.

A Polícia Civil havia concluído o inquérito na sexta-feira (27), indiciando o homem por homicídio qualificado, estupro qualificado, resistência e violação de domicílio qualificada. Conforme o delegado responsável pelo caso, Hugo Santos Fonseca, o indiciamento por homicídio levou em conta o fato de a vítima ser maior de 60 anos e possuir limitações motoras e de fala em decorrência de um AVC anterior.

Provas reunidas durante a investigação

As provas reunidas pela Polícia Civil incluem imagens de câmeras de segurança e vestígios de sangue encontrados nas roupas do investigado. Uma fotógrafa que registrava um evento no convento foi abordada pelo suspeito logo após o crime.

Ela relatou que o homem estava nervoso, com roupas sujas de sangue e arranhões no pescoço. Ele teria dito que trabalhava no local e que havia encontrado a freira caída. Desconfiada, a fotógrafa gravou discretamente a interação e pediu que outras pessoas acionassem a ambulância e a Polícia Militar. Antes da chegada das autoridades, o suspeito fugiu.

As imagens registradas pela testemunha foram fundamentais para a identificação do homem, segundo a Polícia Civil.

Prisão e antecedentes

Após o acionamento da Polícia Militar, dois policiais localizaram o suspeito em casa. Ao perceber a presença da equipe, ele tentou fugir e reagiu à abordagem, sendo contido e preso.

Durante o interrogatório, o investigado admitiu parte das agressões e afirmou ter agido sob influência de “vozes”. Ele também declarou que havia passado a madrugada consumindo drogas e álcool. Segundo a investigação, o homem afirmou que entrou no convento com a intenção de cometer um assassinato, mas negou que pretendesse furtar objetos do local.

A Polícia Civil informou que ele havia sido preso por furto qualificado no dia 28 de dezembro de 2025 e colocado em liberdade provisória dois dias depois. O delegado também destacou que o investigado possui registros desde 2024 por crimes como roubo, furto e violência doméstica.

Quem era Nadia Gavanski

Nadia Gavanski tinha 82 anos e dedicou 55 anos à vida religiosa. Ela ingressou na congregação Irmãs Servas de Maria Imaculada em 1971, aos 27 anos.

Mesmo após sofrer um AVC que comprometeu sua fala, seguia participando das atividades do convento. Segundo pessoas próximas, era conhecida pela humildade, confiança e devoção à Virgem Maria.

O nome do suspeito não foi divulgado oficialmente pelas autoridades.

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