A operação da Polícia Militar que terminou com a morte de três homens na última terça-feira (31), na Estrada do Guabiroba, em Guarapuava, passou a ser questionada por familiares das vítimas. Em depoimentos concedidos à reportagem do programa Boa Noite Cidade, da Rede TV Mais, na última quinta-feira (2), os parentes afirmam que não houve confronto e defendem que os envolvidos deveriam ter sido presos, e não mortos. A Polícia Militar, por sua vez, reafirmou a versão de confronto em nota oficial divulgada nesta sexta-feira (3).
A ação policial foi realizada na Estrada do Guabiroba, no bairro Santana, durante o cumprimento de mandados de busca e prisão relacionados ao combate ao tráfico de drogas. Conforme divulgado anteriormente pela PM, equipes especializadas atuavam na região quando, segundo os policiais, os suspeitos teriam reagido à abordagem, efetuando disparos. Houve confronto armado e os três homens morreram no local.
Os mortos foram identificados como Luis Henrique Ribas, de 27 anos, Pedro Henrique Andrade Ferreira, de 24 anos, e Cleiton Marciano da Silva, de 27 anos.
Um policial chegou a sofrer ferimentos leves e foi encaminhado para atendimento médico.
Familiares contestam versão de confronto
Após a divulgação da versão oficial, familiares das vítimas passaram a se manifestar publicamente, questionando a dinâmica da ocorrência. Um dos familiares, que afirma ter estado nas proximidades no momento da ação, relatou que os homens não teriam reagido e que o número de policiais era elevado.
“Eles estavam em muitos policiais contra três pessoas. Eu pedi para não matar, para prender. O trabalho da polícia é prender, não matar”, afirmou à reportagem do Boa Noite Cidade.
Ele também questiona a ausência de indícios que, segundo ele, confirmariam uma troca de tiros. “Se houve confronto, cadê as marcas de tiro (se referindo ao carro onde o trio estava)? Não tinha nada. Eles estavam trabalhando ali (apontando para uma residência em construção), construindo uma casa”, disse.
O familiar ainda relatou que foi abordado pelos policiais e levado para outro ponto durante a ação, onde teria ouvido os disparos. Segundo ele, a quantidade de tiros chamou atenção.
“Eles deram muitos tiros, foi uma quantidade muito grande. Parecia uma execução. Não foi um ou dois disparos, foram vários tiros”, afirmou.
Relato de outra familiar
Uma mulher, também familiar de uma das vítimas, afirmou que há inconsistências na versão apresentada. “Como que tantos policiais contra três pessoas e dizem que foi confronto? Eu só quero que tudo seja esclarecido, porque muita coisa que está sendo falada não é verdade”, disse.
Segundo ela, um dos jovens estaria trabalhando no local com o pai no momento da abordagem. “Ele (uma das vítimas) estava dentro do carro quando tudo aconteceu. Não tem como ter confronto desse jeito. A gente quer entender o que realmente aconteceu”, completou.
O que diz a Polícia Militar
Em nota oficial divulgada nesta sexta-feira (3), a Polícia Militar do Paraná informou que a operação fazia parte de ações de combate ao crime organizado em Guarapuava.
De acordo com a corporação, equipes do 16º Batalhão cumpriam mandados de busca e prisão quando houve intervenção policial com resultado morte de três indivíduos, que, segundo os policiais, reagiram à abordagem.
A PM também informou que os três homens possuíam mandados de prisão em aberto.
Ainda segundo a nota, durante a operação foi localizado um entreposto logístico no Assentamento Banana, onde foram apreendidos mais de 1,4 quilo de drogas, entre maconha, cocaína e crack, além de quatro armas de fogo e munições de calibres restritos.
Todo o material foi encaminhado para a Polícia Civil.
A corporação informou ainda que a ocorrência está sendo acompanhada pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário, e que será instaurado procedimento administrativo para apurar as circunstâncias da ação.
Investigação
A Polícia Civil informou que não irá se manifestar sobre o caso, ficando a comunicação sob responsabilidade da Polícia Militar.