24 de abril: Dia do Chimarrão; veja curiosidades e a tradição da bebida em Guarapuava

Simbolo do Sul, o chimarrão tem origem indígena, movimenta a economia da erva-mate e segue presente no coridiano do guarapuavano.

Um costume que é muito presente no Paraná, especialmente em Guarapuava, é o hábito de tomar chimarrão. Nesta quinta-feira, 24 de abril, quando é celebrado o Dia do Chimarrão, a data reforça a importância da bebida que vai muito além do consumo: representa tradição, convivência e identidade cultural.

No dia a dia, o preparo é simples e rápido. Água quente, erva-mate, cuia e bomba são suficientes para que, em poucos minutos, o chimarrão esteja pronto. Mas, para quem aprecia, o “mate” — como é chamado na região — é mais do que uma bebida: é motivo para reunir amigos, fortalecer vínculos e manter viva uma herança cultural passada de geração em geração.

Tradução que atravessa gerações

Adepto do tradicionalismo sulista, o conferente administrativo Hélder Pchegoski mantém viva essa cultura dentro de casa, no bairro dos Estados, em Guarapuava. No terreno onde mora com a esposa e parte dos filhos, ele criou um espaço que lembra uma chácara, mesmo estando dentro da cidade.

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Ali fica o “Rancho Taura”, um ambiente repleto de objetos antigos que remetem às tradições do Sul. Entre carroças, utensílios antigos, itens de laço e relíquias, há também um espaço dedicado ao chimarrão, com cuias e porongos de diferentes estilos.

Ao lado de um fogão a lenha, vestido com trajes típicos, Hélder ensina como preparar o mate da forma mais tradicional possível.
“Como se fazia antigamente, à moda bem antiga. A gente coloca a erva na cuia, apoia com a palma da mão, chacoalha para formar o ‘topete’. Depois acerta a bomba, solta o dedo e está pronto o mate. Servidos?”, explica.

Origem indígena e história da bebida

A historiadora Daniela Zorzetti, esposa de Hélder, explica que o chimarrão tem origem entre os povos indígenas Guaranis, que habitavam a região sul do Brasil muito antes da formação dos estados.

“O chimarrão é uma bebida de origem Guarani. A maior incidência da erva-mate está aqui na região do Paraná. É uma planta nativa, que nasce naturalmente por aqui”, afirma.

Segundo ela, há ainda uma lenda que ajuda a explicar o surgimento da bebida. Entre os Guaranis, um indígena idoso não conseguiu acompanhar a tribo em uma mudança. A filha ficou com ele e, ao buscar alimento, encontrou outro indígena que ensinou o preparo de uma bebida com folhas e água quente.

“Ela preparou e deu para o pai. Com o tempo, ele se recuperou e conseguiu voltar para a tribo. Quando chegaram, todos ficaram surpresos, e ela ensinou a bebida aos demais. É o chimarrão que conhecemos hoje”, conta.

Da planta ao chimarrão

Até chegar à cuia, a erva-mate passa por um processo que começa ainda no campo. Em uma ervateria de Guarapuava, a produtora Dayana Lubian Jankowski explica as etapas.

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“Tudo começa na colheita. Depois vem o sapeco, que é o contato com o fogo, seguido do cancheamento, que fragmenta as folhas e talos. Depois vai para o secador até virar a erva-mate cancheada”, detalha.

O Paraná é hoje o maior produtor de erva-mate do Brasil, com destaque para a qualidade da folha, que resulta em um chimarrão mais suave e espumado.

Curiosidades

  • A erva-mate é nativa da região Sul, com grande concentração no Paraná
  • O nome científico da planta é Ilex paraguariensis
  • O chimarrão tradicional não leva açúcar
  • A mesma cuia pode ser compartilhada entre várias pessoas, como sinal de amizade
  • O “primeiro mate” geralmente é mais forte e fica para quem prepara
  • A água não deve estar fervendo, para não queimar a erva e alterar o sabor

Consumo exige atenção à temperatura da água

Apesar dos benefícios, como melhora na concentração e auxílio na digestão, o consumo do chimarrão deve ser feito com cuidado, principalmente em relação à temperatura da água.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), bebidas consumidas acima de 65°C podem aumentar o risco de câncer de esôfago devido aos danos causados pelo calor nas células.

A recomendação é consumir a bebida abaixo de 60°C. Para isso, o ideal é desligar a água assim que começarem a surgir bolhas no fundo da chaleira e aguardar alguns minutos antes de servir.

A nutricionista Michele Dal Santos também alerta para o consumo moderado.
“O excesso pode causar insônia, nervosismo e até problemas digestivos. Em geral, o consumo de até um litro por dia já traz benefícios”, explica.

Chimarrão também nos espaços públicos

O hábito de tomar chimarrão também passou a contar com mais estrutura em espaços públicos de Guarapuava. Na Praça da Ucrânia, um dos principais pontos de encontro da cidade, foi instalado em janeiro deste ano um equipamento que disponibiliza água quente, gelada e natural gratuitamente, permitindo que frequentadores levem apenas a cuia e a erva.

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O local já era referência para rodas de mate desde a criação do Espaço do Chimarrão, em 2019, e agora ganhou ainda mais praticidade. A estrutura também conta com ponto de água para pets.

Já na Lagoa das Lágrimas, outro cartão-postal do município, um totem semelhante foi inaugurado no início de abril, oferecendo as mesmas opções de água, além de entradas para carregamento de celular.

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As iniciativas foram viabilizadas por meio de parcerias entre a Prefeitura e a iniciativa privada e têm como objetivo valorizar um hábito cultural tradicional, além de incentivar a ocupação dos espaços públicos por famílias e grupos de amigos.

Atento News. Fotos e entrevistas: William Batista/ arquivo

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