As oscilações do tempo registradas nas últimas semanas já começam a provocar reflexos no campo em Guarapuava. Entre dias mais quentes, períodos de chuva, madrugadas frias e previsão de novas geadas no Paraná, produtores rurais vivem um período de atenção redobrada para tentar proteger as plantações e evitar prejuízos maiores.
No distrito Guairacá, o produtor Jean Carlos Fiuza já contabiliza perdas na produção de hortaliças após a geada registrada nos últimos dias. Temendo a chegada do frio mais intenso, ele chegou a encomendar mantas térmicas utilizadas para cobrir e proteger as plantas. No entanto, a geada veio antes do esperado e parte da produção acabou sendo atingida.

“A gente teve algumas perdas em função da geada, que a gente esperava uma geada não tão forte como deu, né? Então a gente teve algumas perdas, principalmente nas partes das folhosas para frente. A gente vai ter que fazer um cuidado maior por questão de não entrar doenças nessas culturas”, relatou o produtor.
Produção abastece feiras e mercados
Jean trabalha com a produção de hortaliças em duas propriedades da família, que somam cerca de cinco hectares de plantio. Uma das áreas possui três hectares e a outra, dois. Nas lavouras, são cultivadas hortaliças como alface, brócolis, repolho, couve-flor, acelga e couve. Parte da produção abastece feiras e mercados da região.

Para manter a regularidade da colheita, o plantio é realizado a cada quinze dias. Ainda assim, nesta época do ano, o desenvolvimento das plantas acaba ficando mais lento por causa das temperaturas mais baixas. Segundo o produtor, uma alface que durante o verão costuma ficar pronta entre 25 e 30 dias pode levar até 40 dias para atingir o ponto ideal de colheita no outono e inverno.
“Nesta época do ano, demora um pouco mais para sair as verduras por conta do clima. Aumenta o ciclo por conta da temperatura”, explicou.
Estufas e mantas ajudam na proteção
Além do uso de mantas térmicas, Jean também conta com estufas em uma das propriedades. As estruturas cobertas ajudam principalmente na proteção das hortaliças mais sensíveis ao frio. O produtor explica que as folhosas, especialmente a alface, estão entre as culturas que mais sofrem com as baixas temperaturas e com a ação direta da geada.
Para tentar reduzir os impactos, ele realiza aplicações preventivas antes e depois das geadas.

“A gente faz uma aplicação preventiva antes e pós-geada com aminoácidos e micronutrientes, como o cobre, para fazer com que a planta fique um pouco mais resistente à questão foliar. E também com as mantas, né? Principalmente as folhosas, as alfaces, que a gente cuida para não ter a queima das folhas”, contou.
Mesmo assim, dependendo da intensidade do frio, os métodos ajudam apenas parcialmente. “Dependendo das temperaturas negativas, ajuda, mas não muito”, afirmou.
Oscilações favorecem doenças nas plantações
Além da geada, outro desafio enfrentado pelos produtores nesta época do ano é o aumento do risco de doenças fúngicas e bacterianas nas lavouras. Segundo Jean, as constantes mudanças no clima favorecem o aparecimento desses problemas.
Dias mais quentes, noites frias e períodos de umidade criam condições ideais para a proliferação de doenças nas plantações. “O produtor precisa redobrar o cuidado com doenças fúngicas e bacterianas. Chove, esquenta, faz frio e fica essa oscilação. Noites frias, dias quentes”, explicou.
Impacto pode chegar ao consumidor
Com parte da produção afetada e o ciclo das hortaliças mais lento, os reflexos também podem chegar ao consumidor nos próximos meses. Jean explica que a redução da oferta interfere diretamente nos preços e na qualidade dos produtos disponíveis para venda.
“Aumenta o preço por questão de demanda. Tem pouca questão das verduras. Vai com menor qualidade. Diminui essa questão da venda também, né? A gente tem pouco produto e, consequentemente, vai aumentar o preço lá e a qualidade fica um pouco menor, né? Por função da geada.”