Um estudo internacional divulgado nesta terça-feira (5) revelou que mais da metade das famílias brasileiras raramente lê livros para crianças na pré-escola. A pesquisa, desenvolvida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aponta que 53% das famílias dos estados do Ceará, Pará e São Paulo nunca ou quase nunca realizam leitura compartilhada com crianças de 5 anos.
Os dados fazem parte do levantamento “Aprendizagem, bem-estar e desigualdades na primeira infância”, realizado com 2.598 crianças de 210 escolas públicas e privadas. Apenas 14% das famílias brasileiras afirmaram ler para as crianças entre três e sete vezes por semana, número muito abaixo da média internacional, que chega a 54%.
Segundo o pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Tiago Bartholo, a importância da leitura compartilhada ainda não é totalmente compreendida pelas famílias.
O estudo também mostrou que o uso de telas está amplamente presente na rotina infantil. Mais de 50% das crianças utilizam diariamente dispositivos digitais, como celulares, tablets e computadores. Apenas 11,4% nunca ou quase nunca usam telas.
Além disso, a pesquisa apontou desigualdades no aprendizado relacionadas ao nível socioeconômico, raça e gênero. Crianças pretas, pardas, indígenas e de famílias de baixa renda apresentaram desempenho menor em áreas como linguagem, matemática e memória de trabalho.
O levantamento também identificou baixa frequência de atividades ao ar livre e menor diálogo entre famílias e crianças sobre sentimentos, quando comparado à média internacional.
A pesquisa da OCDE contou com participação de países como Brasil, Bélgica, China, Coreia do Sul, Inglaterra e Holanda. O Brasil foi o único representante da América Latina no estudo.
Com informações da Agência Brasil